77. Murilo

1080 Palavras

Saí de casa como quem atravessa uma fronteira invisível. A porta bateu atrás de mim, e o ar do lado de fora pareceu mais denso, mais quente, como se o mundo tivesse entendido antes de mim que alguma coisa tinha mudado. Andei rápido até o carro, o celular ainda queimando na minha mão depois da ligação do Vinicius. Entrei no carro, bati a porta com força e fiquei ali por alguns segundos, respirando fundo. As amostras foram trocadas. O João podia ser meu. De verdade. Meu coração batia num ritmo que eu não reconhecia. Não era raiva, não era medo. Era outra coisa. Uma coisa que eu não sentia desde muito antes do fogo, antes da emboscada, antes de tudo que o Dante fez comigo. Esperança. Maldita, perigosa esperança. Girei a chave, o motor roncou, e eu acelerei descendo a ladeira com pressa. A

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