105. Murilo

1274 Palavras

A primeira vez que acordei com o tremor, pensei que fosse um pesadelo comum. A segunda, percebi que era algo mais profundo. Era sempre a mesma coisa: o cheiro de antisséptico, a luz branca e ofuscante do centro cirúrgico, a sensação gelada da anestesia subindo pelo braço. E então, o nada. Um vazio escuro e silencioso do qual eu não conseguia voltar. Acordava aos sobressaltos, o coração batendo como um tambor descompassado no peito, a camisa do pijama encharcada de suor frio. Na terceira noite, a Babi não apenas me acordou. Ela se sentou na cama, acendeu o abajur e me encarou, séria. — Isso já tá há uma semana, Murilo. O que é? — a voz dela era calma, mas firme. Não dava pra mentir. — É nada. Só um pesadelo. — De cirurgia? — perguntou, e acertou em cheio. Fechei os olhos e respirei fu

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