104. Bárbara

1054 Palavras

A rotina em casa era um campo de batalha silencioso. Os dias eram marcados não pelo sol, mas pelos intervalos rígidos da medicação. A quimioterapia oral que o João fazia em casa era, de certa forma, pior que a intravenosa do hospital. Mais insidiosa. Era um veneno lento que ele tinha que engolir voluntariamente, sabendo que minutos depois a náusea viria como uma maré implacável. Eu vivia com uma bandeja compota de maçã (a única coisa que ele conseguia manter no estômago às vezes), água com gosto, remédio para náusea. Murilo tinha transformado um quarto de hóspedes numa mini enfermaria, com tudo que precisávamos à mão, mas nenhum equipamento médico podia preparar você para o sofrimento do seu filho. Manhã — Mais um pouquinho, meu amor — eu suplicava, segurando a colher — Você precisa de

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