79. Murilo

1214 Palavras

A Bárbara saiu da sorveteria lambendo a colher do sorvete, animada de um jeito discreto, quase infantil. Era bonito de ver. Ela parecia respirar melhor ali, longe da casa, longe do silêncio que lembrava perda. E eu só seguia ao lado, carregando as sacolas que ela ia juntando loja por loja, como se aquilo tudo: luz, barulho, roupa nova, fosse o que ela precisava pra manter a cabeça funcionando. — Murilo, olha esse cropped — disse, entrando numa loja colorida demais, com música alta demais e vendedoras felizes demais. — Sei nem o que é cropped — respondi, mas entrei atrás dela assim mesmo. Ela riu, revirou os olhos e começou a pegar coisa atrás de coisa. Eu fiquei parado, segurando as sacolas, observando a forma como ela passava os dedos pelos tecidos, como inclinava a cabeça pra ver mel

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