80. Bárbara

1259 Palavras

A gente continuou andando pelo shopping, mas eu percebi na hora que alguma coisa tinha mudado nele. O Murilo estava ali, do meu lado, segurando minha mão, carregando as sacolas, fazendo tudo como sempre. Mas não estava aqui. O olhar dele tinha ido pra algum buraco escuro dentro da cabeça dele, desses que ninguém alcança se ele não deixar. Eu conhecia esse silêncio. Era o silêncio de quando ele sentia dor. Não a dor física, aquela ele aguentava rindo. Mas a dor que ele tentava esconder atrás do maxilar travado, da sobrancelha franzida, do passo pesado. Murilo não era difícil de ler. Ele só fingia que era. Caminhamos por mais duas lojas sem ele falar nada além de "aham" e "pega se quiser". Ele tava firme... mas distante. Como se o corpo tivesse aqui e o resto tivesse ficado preso naquele

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