Jin me elogia quando saio com a minha mãe do quarto e o meu pai só dá alguns tapinhas de leve no ombro do alfa, e diz para ele cuidar bem de mim. Nos despedimos de meus pais, que vão para a clareira só mais tarde e seguimos caminho.
O silêncio entre nós é estranho demais. Jin é alguns anos mais velho que eu e ao contrário de muito alfas, ele já foi cortejado por vários ômegas, e rejeitou gentilmente todos, criando a ilusão de que ele estava esperando pela ômega certa. Ser visto comigo, vai definitivamente reafirmar esses rumores, o que me deixa com um gosto amargo na boca e aumenta a pressão de que sinto nos meus ombros para aceitar um alfa tão desejado como Jin. Quando chegamos em um dos caminhos para ir para clareira, que eu lembro que não iria por ali.
— Se importa de irmos pela trilha do portal de flores? – Pergunto, o vendo franzir o cenho em confusão, já que por ali era o lugar mais perto de se chegar na clareira. — É que eu marquei com os meus amigos de nos encontrarmos lá.
— Ah! Claro, é um lugar de fato mais bonito, mesmo sendo mais longo. – Ele diz sem jeito e já me indicando para irmos.
Me sinto na obrigação de continuar a conversa para não ficarmos o tempo inteiro em um silêncio desconfortável, afinal, prometi para minha mãe que tentaria.
— Desculpe por isso. – Digo, o vendo confuso, mas atento a mim. — É que eu não sabia que você iria me acompanhar, então marquei com eles.
— Não se preocupe quanto a isso, Liv. Eu mesmo só fui informado que era para eu comer a sobremesa na sua casa no café da manhã de hoje. – Jin sorri e cumprimenta respeitosamente alguns anciões que passam por nós e eu faço o mesmo. Sei que quando chegarmos na clareira, os nossos nomes já estarão rodando pelas bocas dos lobos. Quando voltamos a andar, ele continua. — Parece que nós dois fomos pegos de surpresa pelos nossos pais, não é mesmo, ômega? - Faço uma careta que tento disfarçar olhando para o outro lado, mas Jin é um Lúpus puro, nascido de dois lupinos lúpus, logo ele tem uma sensibilidade e percepção maiores. – Seu cheiro azedou um pouco. Foi algo que eu disse que você não gostou?
— Desculpe, Jin. Não é você, é que eu não gosto que me chamem pela classificação. – A expressão surpresa que ele faz, me faz até rir. — Eu sei que a maioria gosta, principalmente vindo de um alfa como você, mas...
— Você não precisa se explicar para mim, Liv. – Jin me para, colocando a mão no meu ombro e olhando para mim. — Se você não gosta, eu só preciso respeitar isso. Para ser sincero, eu também não gosto que qualquer um me chame de alfa. Principalmente ômegas.
Minha surpresa em ouvir aquilo, o faz rir e dessa vez, eu acompanho. Jin não era tão r**m quanto eu pintava. Sempre ouvia falar tanto do alfa que uma parte de mim o imaginou como sendo um grande metido, com um ego alfa enorme. Fico feliz que pelo menos eu estava errada e ele era, na verdade, muito divertido e engraçado, sem falar que seu cheiro de canela e cetro era bem tranquilo para mim.
Encontramos com Hobi e com Jenny conversando e rindo no portal, a minha amiga estava com uma flor roxa atrás da orelha, com um lindo vestido rosa claro e Hobi estava com uma calça bege e uma camisa de botões cinza.
— Estão tão bonitos! – Digo logo que me aproximo e passo o braço pela cintura de Jenny que joga os longos e lisos cabelos negros para trás. — Nem parecem vocês mesmos.
— Vai catar bolotas na mata, vai Liv. – Hobi me empurra de brincadeira, mas olha para mim e revira os olhos. — E você tá linda como sempre.
Olho para baixo, envergonhada com o elogio. Meu vestido longo branco com flores de jacinto bordadas, de fato era muito bonito e eu fiquei muito feliz por mamãe ter me dado de presente. Era para eu usar no festival, mas como eu ainda estava com duvidas sobre ir, eu decidi colocá-lo antes.
— Obrigada. – Vejo os dois olhando para algo atrás de mim, confusos, e eu me viro, vendo Jin com as mãos para trás das costas, olhando para a parte de cima do portal. — Ah! Sim. Vocês devem conhecer ou já ter ouvido falar de Seokjin, certo? Filho do alfa líder Kim e do ômega líder Kobe. – Me apresso em apresentar, o puxando pelo braço e sorrindo. — E esses são meus amigos de quem eu falei, Hoseok e Jennie.
— Prazer conhecê-los. – Como um bom alfa, Jin cumprimenta Hobi com um aperto de mãos e curva a cabeça pra Jenny que cora e retribui o gesto sem jeito. — Liv falou que vocês trabalham juntos da escola do Sul, certo?
Hobi tomou a atenção de Jin perguntando sobre a casa que ele estava fazendo, e de novo eu o vejo se empolgar no assunto. Ele deve realmente gostar de marcenaria e construção. Sei que Jenny quer perguntar o que aconteceu para termos vindo juntos, mas ela se segura e só começa a falar sobre algumas pessoas que viram passando por eles.
A festa está linda de fato e fico orgulhosa quando algumas pessoas passam por mim me elogiando pela decoração. Quando a lua está para aparecer na clareira, os líderes e os dois anciões chefes iniciam a arrumação de tudo, e todos começam a tomar seus lugares. Fico um pouco mais para trás, tentando me livrar de um alfa que veio puxar assunto, e como Jin precisou ir para perto do altar, Hobi foi rodeado por betas querendo sua atenção e Jenny está com os pais, estou tendo que sorrir e acenar, fingindo um interesse que não tenho em saber como se caça um antílope na neve.
É com um vento suave que eu sinto. O vento trás aquele aroma doce, suave e delicioso até mim e preciso me controlar para não fechar os olhos e puxar o cheiro com força para meus pulmões. Procuro ao redor e o encontro do outro lado, perto do tronco caído enfeitado na beira da floresta. Jimin está tão lindo e a comparação angelical que ainda mantenho em minha mente dele é reforçada, por ele estar completamente de branco, com os cabelos divididos ao meio, e os lábios com uma cor rosada tão atrativos que me faz umedecer os meus.
O alfa continua falando, sem perceber que minha atenção está completamente no ômega do outro lado, sorrindo de um modo tão bonito, colocando a mão pequena e fofa na frente da boca e inclinando o corpo um pouco para frente. O fato de ter um alfa em sua companhia o fazendo rir, faz algo revirar em meu estômago, e sinto um rosnado querendo sair arranhando minha garganta, mas como se sentisse que está sendo observado, ele procura ao redor e os olhos cor de mel se prendem nos meus. Jimin parece surpreso, mas ele só sorri de modo fofo e levanta a mão em um cumprimento.
— … e pode parecer mentira, mas eu ainda fui o que consegui o maior animal de todos do meu grupo.
— Isso é ótimo, Jae. – Digo sem ao menos saber se essa resposta encaixa na conversa, mas não me importo. Sem tirar os olhos dos de Jimin, sorrio. — Desculpe, mas preciso falar com uma pessoa antes do ritual começar. – Dou a volta pelo corpo alto e musculoso do alfa. — Boa conversa.
Ele fala mais alguma coisa, mas não paro para escutar, só andando em direção ao ômega, como se estivesse hipnotizada. Jimin também parece que parou de prestar atenção em sua companhia e só sorri ainda mais, vindo me encontrar no meio do caminho. É estranho que eu sinta como se todo resto da clareira tenha se silenciado, ou talvez meu foco esteja completamente direcionado ao ômega na minha frente. Ficamos nos fitando em silêncio por um tempo, mas quero ouvi-lo.
— Oi. – Falamos ao mesmo tempo, e rimos por isso. Jimin parece ter uma pele tão macia e sedosa, que os meus dedos coçam para toca-lo. Não o faço.
— Vejo que está melhor. – Digo num rompante e ele assente. — Fico feliz.
Jimin dá mais um passo a frente, e por ser um pouco mais alto que eu, preciso levantar a cabeça. Os seus olhos passam rapidamente por meu pescoço, mas ele só balança a cabeça e estende a mão, unindo os nossos pulsos, me cumprimentando e misturando os nossos cheiros, o que me faz soltar um suspiro aliviado.
— Senti falta do seu cheiro. – Digo baixinho, e o vejo morder o lábio, tentando conter um sorriso.
— E eu do seu. – Jimin admite, no mesmo tom que eu.
Mais um mínimo passo pra perto, mas sinto o cheiro de mamãe, e me afasto, cortando o contato, mesmo sentindo meu lobo reclamar.
— Liv! – Mamãe me puxa para perto dela, me afastando ainda mais de Jimin, que só abaixa a cabeça. — Te procurei perto do altar com Jin, mas não encontrei. Quem é esse? Amigo seu?
— Mãe, esse é Jimin. – Digo, mesmo não gostando o jeito que ela olha para ele. Me viro com um sorriso pequeno para ele, que a reverência de forma formal. — Essa é Lilá, minha mãe.
— Prazer conhecê-la, senhora.
— Ah sim, ômega. – Mamãe não faz por m*l, mas as vezes pode ser um pouco desligada quanto a interações com estranhos. Ela se vira e agarra o meu braço. — Vamos, vai começar. – Percebendo que esqueceu algo, ela se vira já distante de onde deixamos o ômega loiro. — Tchau, Jimin! – Não me viro de novo porque mamãe não deixa, já pedindo licença no meio da multidão. — Sorriso fofo do seu amigo.
Demoro para perceber que ela fala de Jimin, e algo dentro de mim, fica entre não gostar de ela ter reparado e com orgulho por saber que ele tem mesmo o sorriso mais fofo. A minha mente, tá uma verdadeira confusão com esses pensamentos e sentimentos.