Capítulo 10

1130 Palavras
Nos sentamos para comer todas as coisas que fiz com mamãe, e Jimin ainda trouxe uma torta de frango com batata deliciosa. A tarde passa de forma mais leve, com conversas divertidas e muitos sorrisos. Percebo que Jin se aproxima mais de Namjoon, que não parece negar o alfa, e um lado de mim quer enxergar algo a mais, mas sei que dificilmente alguém vá pensar diferente sobre aquela situação, o que me entristece um pouco por Jin. E, ao contrário do alfa, me mantenho um pouco longe de Jimin. Não é por m*l, mas depois do que aconteceu na loja de ervas, sinto como se pudesse perder o controle das minhas ações a qualquer momento perto dele e não quero ter algo a mais para pensar. - Não diga para sua mãe, Liv, mas acho que a torta de maça que você me levou antes, estava melhor do que essa. – Todos riem quando Jin fala, porque ele exagera. – Mas, longe de mim querer dizer que você é a melhor confeiteira. - Isso deveria ser um elogio? – Hobi pergunta entre risadas, se deixando deitar nas pernas de Jenny, que mesmo que core de forma fofa, ainda começa a correr com os dedos no cabelo de Hobi, num carinho doce. - Que torta? – Namjoon que pergunta e sorrindo, aponta para mim e para Jin de forma desconfiada e acusatória. – Você fez uma torta para o alfa, Liv? Percebo quando Jimin para. Ele estava prestes a colocar um biscoitinho de morango na boca, mas para no meio do caminho e abaixa a mão devagar, conforme entende o significado daquilo. Até mesmo Hobi, se levanta de supetão. - O que?! Vocês estão mesmo cortejando? Desde quando e por que eu, como melhor amigo, não fiquei sabendo, Liv? Demoro para responder, por que meus olhos estão em Jimin, que diminui o cheiro, mas não consegue disfarçar bem o bico que surge. Ouço o t**a que Jenny dá em Hoseok, dizendo o quanto ele foi intrometido, mas isso só gera uma confusão, onde Jin parecendo perceber de novo, algo implícito do ar, só puxa outro assunto e começa outra brincadeira. Jimin se levanta depois de um tempo, indo se sentar em uma pedra baixa, na cachoeira. - Sabe que Hobi não fez por m*l, né? – Jenny me cutuca devagar, e mesmo que eu assinta, ela cutuca de novo para chamar minha atenção. – Devia ir falar com ele. - Com o Hobi? Só se for para afogar ele e aquela língua de sapo. – Tento brincar, mas não dá certo e Jenny me abraça de lado. – É melhor assim. Jin e eu vamos tentar. Não nos vemos como alfa e ômega destinados, mas pelo menos somos amigos e... Parece que tenho uma pedra no meio da minha garganta, me impedindo de acreditar em tudo o que eu estou tentando externar e me fazendo querer chorar. É uma realidade quase dolorosa demais e um destino um tanto quanto c***l. Quando o medo da rejeição e do julgamento fala mais alto na minha mente, ainda assim não é o suficiente para que eu não o queira. E isso me assusta ainda mais. Não converso com Jimin o dia inteiro e isso parece machucar meu lobo, que depois de tudo o que se passou, e uma aceitação começou a se formar na minha mente, está estranhamente quieto. Só que, como tenho Jenny como amiga, que tenta ignorar sua própria desgraça, mas quer que eu resolva a minha, na hora de irmos embora, já que Hobi e Namjoon, quase não quiseram ficar na sombra e agora estão mais queimados que as tentativas de fazer comida de Jenny, minha amiga dá ideia de Jin levar os outros dois para casa de Hobi e diz que Jimin deveria ficar comigo. O ômega tenta relutar, mas até Namjoon insiste, já que ele não vai para casa e não queria que o amigo fosse sozinho, então acaba com os três ômegas aqui na minha sala. - Acho que preciso de um banho! – Jenny nem espera eu dizer nada e já dá uma desculpa para ir embora. Me seguro nela, tentando fazê-la ficar, mas ela só me arranha de leve com garras e tudo quando eu a seguro. – Você não pode ficar fugindo. Fale com ele. - Jen... - Boa noite Jiminie! – Ela fala mais alto, já na porta e depois de me lançar um olhar mortal, sai batendo a porta. Fico um tempo ainda olhando para porta fechada, o que é uma coisa estranha de se fazer, mas estou sem coragem de olhar para trás, e só piora quando me lembro como está a situação do meu quarto. - Eu posso ir para casa, Liv. – A voz de Jimin é tão baixa e manhosa que mais parece um miado, e me faz respirar fundo. O que é um erro, por que ele se aproximou e o cheiro é tão bom... – Não tem problema. Me viro devagar, tentando me convencer a ficar normal, mas só de olhar para ele, tudo em mim parece responder, meu lobo volta a arranhar minha pele e sinto um calor subindo. - Que tal um banho? – O puxo pela mão, o surpreendendo, mas Jimin não luta contra, só me acompanha em silêncio. – Eu acho que Hobi deixou uma roupa da última vez que fizemos uma pequena festa do pijama aqui. Enquanto Jimin toma banho, eu guardo e lavo tudo o que trouxe de volta. Deixo tudo organizado, tentando não pensar que meus pais estão na casa da minha tia lá do outro lado da aldeia e vão dormir por lá e eu estou sozinha com Jimin... Não espero muito para indicar meu quarto para o ômega e entrar no banheiro, assim que ele termina. Não quero ver a reação dele quando entrar lá e se deparar praticamente com um jardim inteiro de jasmins. Demoro no banho tudo o que posso, mas quando minha pele começa a enrugar, sei que preciso parar de fugir. Jimin está olhando pela janela com a blusa rosa gigante de Hoseok até metade das suas pernas, mesmo que esteja aromatizada por mim, quando entro no quarto. Ele se vira ao me ouvir, mas nenhum de nós se mexe ou desvia o olhar. Sei que preciso falar, dar uma desculpa para o meu quarto cheirar mais a ele do que a mim de alguma forma, mas não consigo encontrar as palavras. - Sabe o que é engraçado? – Jimin é o primeiro a se mexer. Ele anda devagar para frente, passando por minha penteadeira e tocando de leve as flores que estão tomando tudo ali. Ele sorri pequeno e volta a me fitar. – Eu tenho comido morango, todos os dias. Droga!
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