Um misto de choque e euforia tomou conta do salão. No setor de Finanças, gritos de alegria ecoaram em apoio ao novo vice-presidente.
Heitor ergueu a mão, pedindo silêncio.
— A próxima grande notícia é…
O salão mergulhou em expectativa.
— Acabo de receber a confirmação: o governo aprovou nossa proposta para o projeto do Centro de Convenções.
O público explodiu em aplausos. Quase todos na empresa sabiam da importância dessa licitação, já que diversos departamentos haviam colaborado. Por um instante, os olhos de Heitor se voltaram discretamente para Julietta, antes que ele continuasse:
— Já realizamos inúmeros projetos, mas poucos ficam marcados na memória. Este é um deles. As discussões foram intensas, saudáveis, e o resultado é um triunfo coletivo. Parabéns a todos os envolvidos.
E, com um meio sorriso, finalizou:
— Vocês podem esperar uma bonificação extra nos contracheques ainda esta noite.
O salão explodiu em gritos de comemoração.
— Normalmente eu não me detenho muito em um projeto depois que a proposta é enviada — disse Heitor, sua voz ecoando pelo salão. — Mas houve alguém que trabalhou mais de vinte e cinco horas nesta última semana, pesquisando, reunindo informações, analisando e redigindo um rascunho completo sem se preocupar com a aprovação incerta da licitação. Essa dedicação mantém o espírito de trabalho vivo em nossa equipe. Por isso, nomeio… Julietta Sampaio como a chefe deste projeto, sob a orientação do senhor Ribeiro.
O olhar dele se fixou nela. Julietta congelou, os olhos prestes a saltar do rosto. O mestre de cerimônias anunciou:
— Por favor, passem o microfone para a senhorita Sampaio. Vamos ouvir algumas palavras dela.
Rita cutucou a amiga, trazendo-a de volta à realidade. Tremendo, Julietta pegou o microfone.
— Boa noite a todos… Até pouco tempo eu só trabalhava nos aspectos financeiros dos projetos. Mas, pela primeira vez, tive contato com áreas diferentes da minha, e me vi perdida, sem saber como contribuir. Então decidi buscar conhecimento além do meu campo, para ter mais clareza e confiança nas próximas reuniões. — Olhou brevemente para Heitor, antes de continuar: — Também para ser digna da oportunidade e da responsabilidade que me foi dada. Prefiro ser uma participante ativa, e não uma espectadora.
Um aplauso forte e prolongado tomou o salão. Heitor lançou um olhar rápido a Ribeiro, que sorria com orgulho. Ele ergueu a taça.
— Um brinde.
Todos o acompanharam, brindando em uníssono. Após conversar rapidamente com alguns convidados, Heitor voltou a sentar-se ao lado de Vanessa.
— Está gostando da noite?
Ela sorriu com malícia e sussurrou:
— Venha comigo.
Ele a seguiu, confuso.
— Onde estamos indo, Vanessa?
— Shhh… quero um lugar mais reservado.
Entraram no elevador e subiram até uma suíte do hotel. Vanessa abriu a porta, serviu duas taças de bebida e disse:
— Está muito cheio lá embaixo. Aqui podemos relaxar.
— Por que não? — respondeu Heitor, aceitando o convite.
Enquanto conversavam, Vanessa perguntou:
— Onde está João? Não consigo falar com ele.
— Está acampando nas montanhas do norte. Uma semana de desligamento total.
— Ah, então está em detox digital?
Heitor riu.
— Pode-se dizer que sim.
Logo em seguida, o celular de Vanessa tocou. Ela pediu licença e atendeu. Do outro lado da linha, a agência de joias para a qual havia acabado de assinar contrato.
— Senhorita Lins, amanhã lançaremos a coleção D-Day na Royale Fashion Week. A sua gravação teve uma falha, o chefe exige um novo take.
Vanessa empalideceu. Olhou para Heitor, que servia mais bebida, sem perceber sua angústia. Ela havia planejado passar a noite com ele, mas não podia desafiar uma marca de luxo de renome mundial — ainda mais com cláusulas de contrato que não lhe davam saída.
Engolindo a frustração, respondeu:
— Estarei aí em uma hora.
Retornou ao quarto com o rosto sombrio.
— O que houve? — perguntou Heitor, percebendo.
— A agência… querem um retoque final na campanha. — suspirou.
— Mas por que essa expressão triste?
Ela desviou o olhar.
— Eu queria passar esta noite com você. Mas esse trabalho arruinou meus planos.
Ele apenas sorriu com calma. Vanessa forçou um sorriso de volta e acrescentou:
— Marcamos um jantar em breve.
Heitor fez um gesto de despedida. E, sem mais, ela partiu, deixando-o sozinho na suíte.
Heitor saiu até a sacada em busca de ar fresco. Mas, de repente, sentiu a garganta fechar. Um aperto sufocante tomou conta de seu peito, as pernas cederam e todo o corpo começou a tremer, fora de seu controle.
Com esforço, tirou o celular do bolso e discou o número de Ribeiro.
— Pre… ci… so… de… um… mé… di… co… — balbuciou, a voz arrastada, antes de perder as forças.
— Heitor?! O que está acontecendo? Estou indo agora! — a voz de Ribeiro vacilou do outro lado da linha. Mas não obteve resposta. — Heitor! Você me ouve?!
O suor escorreu pela testa de Ribeiro. A ansiedade o consumia. Ele fez sinal para Julietta, que estava por perto.
— Ligue para Bernardo! Agora!
Ela não fez perguntas. Digitou o número às pressas, mas Ribeiro tomou seu telefone e entregou o dele.
— Mantenha a ligação com Heitor. Fale com ele, diga que estamos a caminho, peça para resistir.
Julietta olhou para a tela e quase engoliu em seco: o nome de Heitor brilhava ali. Ela respirou fundo e começou a falar, a voz trêmula:
— Senhor Vasconcellos… aguente firme. Estamos chegando.
Enquanto isso, Ribeiro falava em outra linha com Bernardo.
— Onde está Heitor? É emergência! Ele precisa de um médico agora!
— Quinto andar, quarto 505! — respondeu o segurança sem hesitar.
— Traga um médico imediatamente! — ordenou Ribeiro antes de desligar.
Ele e Julietta entraram no elevador. Ribeiro repetia, como se Heitor pudesse ouvi-lo através do ar:
— Segure firme, Heitor… já estou chegando… você vai ficar bem.
Ao entrarem no quarto, o viram estirado no chão.
Ribeiro correu, levantou a cabeça dele e a apoiou em seu colo. Bateu levemente em suas bochechas. Heitor abriu os olhos por um segundo, apenas para fechá-los de novo, exausto.
— Água! — gritou Ribeiro.
Julietta correu, trouxe um copo e molhou o rosto dele. Por um instante, uma reação mínima… e então ele desmaiou completamente.