Capítulo 48 — Gaiola com Janela

1251 Palavras

Joel A cela cheirava a cloro e a promessa velha. Chamam isso de rotina; eu chamo de paisagem que aprende teu passo. Hoje a paisagem tinha nervo. Levantei com o tempo de quem sabe o que faz quando o mundo quer testar limite: arrumei a cama, passei a mão na letra do caderno e escrevi, sem poesia, o que precisava ser dito depois: “Relato: 07h12 — tentativa de intimidação no corredor D-3; intervenção sem violência; preservação de imagens solicitada.” A caneta riscou como quem marca território. A caneta é meu velho rádio de comando agora: não grita, registra. No pátio, o céu estava baixo, espelho de quem espera tempestade. Neto veio até mim com o passo curto de menino que aprendeu a medir sombra. — Joel… o M. falou que hoje é dia de “lição” — sussurrou, voz pequena. — Onde? — perguntei, s

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