Capítulo 47 — Parede que Anda

1484 Palavras

Beatriz Acordei com a cabeça pesada de areia e a coluna pedindo método. Janela, dez minutos, antes de qualquer mundo: o varal do seu Aderbal parado como foto, o manjericão teimoso na lata, as duas catequistas varrendo a calçada da capela, a esquina ainda vazia. Escrevi: “luz, gente, nome.” Respirei em oito. Guardei o caderno. Hoje não cabia erro: se empurram a visita, eu empurro a parede. Na ONG, Cadu já estava diante do quadro branco com a caneta pronta. — Parede móvel, hoje e nos próximos três dias — ele disse, traçando setas. — A gente te pega na clínica, contorna pela capela, cruza pela mercearia, volta pra clínica. Check-ins às 9h, 13h e quinze minutos antes de qualquer janela. Palavra-chave: água. — E se mexerem a hora de novo? — perguntei. — A gente aciona “luz” e te recolhe, s

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR