Joel O trovão bateu no telhado como marreta. A luz piscarou uma, duas vezes, e o gerador tossiu até morrer. O bloco “calmo” virou o que sempre foi: rumor e sombra. O concreto suado cheirava a ferrugem e medo. Quando a eletricidade some, o presídio cresce dentes. — Sem pânico! — Caveira gritou, mais para si do que para nós, chacoalhando a chave no ar. Pânico é um bicho que entende a própria língua. Magrão arrastou o chinelo, medindo distância. Teco riu, roendo o escuro. Pastor começou um salmo miúdo, costurando o corredor com palavras. Neto encostou dois passos atrás de mim, quieto como quem aprende a respirar com pouco ar. Oito passos. É o meu método no apagão: respirar em oito, pensar em oito, movimentar em oito. O corpo quer responder com corpo; eu entrego regra. Sem pretexto para re

