Capítulo 10– O Sopro da Tempestade

594 Palavras
As nuvens começaram a se formar no horizonte no mesmo dia em que Orcânico nos chamou ao Salão dos Ecos, uma câmara antiga protegida pelas árvores mais velhas da floresta. Era o local onde as decisões do Conselho Antigo eram tomadas nos tempos em que meus pais ainda governavam. Agora, servia como ponto de encontro para aqueles que guiavam a resistência contra a escuridão que se aproximava. — A runa da visão se expandiu — disse Orcânico, seus olhos fixos em um pergaminho encantado. — Ela não era apenas um símbolo. Era um selo. E esse selo... está se quebrando. Um silêncio tomou conta da sala. Eu olhei para Arleo, cujos dedos apertavam levemente a empunhadura de sua espada viva. Sentia o mesmo arrepio no ar. Algo estava vindo. Algo maior do que enfrentamos até agora. Milena e Darek estavam mais próximos do que nunca. Ainda que ela tentasse manter certa distância emocional, não conseguia esconder o conforto que encontrava em sua presença. Ele a incentivava, a provocava nos treinos, e por vezes, a fazia sorrir — algo que poucos já haviam presenciado. Leia, cada vez mais envolvida com os rituais curativos, demonstrava um crescimento admirável. Ela passou a trabalhar junto com Kaia, a guerreira do vento, e juntas descobriram uma nova forma de comunicar mensagens através das árvores, uma espécie de rede viva que ligava os pontos da floresta. Theren, com seus cabelos prateados e sensibilidade única, começou a ensinar Arleo a ouvir o que ele chamava de "voz profunda" — um murmúrio antigo da floresta que só os puros de coração conseguiam entender. Arleo se mostrou digno. Suas habilidades agora iam além do físico. Ele era escudo e lâmina. Força e sentimento. E eu... estava diferente. Não apenas mais forte, mas mais centrada. Minha magia respondia à minha vontade com fluidez. As faixas em minha pele agora mudavam de tom conforme minha emoção. Meus olhos, antes castanhos, agora brilhavam em dourado durante os treinos mais intensos. Era como se a floresta falasse através de mim. Numa noite de tempestade, fui chamada pela própria floresta. Não com palavras, mas com sensações. Fui até a nascente dos espelhos, um lago tão límpido que refletia não apenas a imagem, mas a essência. A água se iluminou ao meu toque, e então eu vi. Cidades queimando. Homens cobertos por sombras, guiados por uma mulher de olhos iguais aos meus — a mesma da visão anterior. Sua voz comandava os exércitos da destruição. E atrás dela, o coração n***o da floresta: um cristal sombrio pulsando magia corrompida. Acordei do transe com o coração acelerado. Arleo estava ali, ajoelhado ao meu lado. — Você viu, não foi? — ele sussurrou, segurando minha mão. — Sim. E sei onde ela está. — respondi, com o olhar firme. — A primeira batalha está por vir. E será no mundo dos homens. Arleo assentiu. — Então vamos até o fim. Como prometi. Voltei ao santuário e convoquei todos. O plano estava claro: sairíamos da floresta. Iríamos até a última cidade onde meus pais foram vistos antes de sua morte ser anunciada — ainda havia dúvidas sobre o que realmente aconteceu naquela noite. Nosso grupo agora era maior. Mayara e Arleo, unidos por magia e amor. Milena e Darek, com um laço crescente que aos poucos curava feridas antigas. Leia, Kaia, Theren, Orcânico... e tantos outros que decidiram confiar. A tempestade chegou à floresta naquela mesma noite. Mas não nos atingiu. A própria mata pareceu protegê-la. Era o sinal. O tempo da preparação havia acabado. O sopro da guerra estava no ar.
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