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Melodia do Destinho

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Sinopse

Day sempre acreditou que seu lugar era nos bastidores.

Enquanto milhares de pessoas vibram diante dos grandes shows, é ela quem garante que cada luz acenda no momento certo, que cada acorde alcance o público e que o espetáculo aconteça sem que ninguém perceba sua existência.

Ao seu lado está Iseul Panya, dono da empresa onde trabalha, seu melhor amigo e marido... apenas no papel. Unidos por um casamento de conveniência e por uma amizade inabalável, os dois construíram uma família à sua própria maneira, longe dos julgamentos e das aparências.

Tudo parece sob controle até a chegada de Kaio.

Reservado, talentoso e tão apaixonado pelo trabalho quanto ela, Kaio desperta em Day sentimentos que ela acreditava ter enterrado há muito tempo. Mas se apaixonar nunca foi simples... principalmente quando todos acreditam que ela pertence a outro homem.

Entre turnês, festivais, madrugadas desmontando palcos, segredos, escolhas difíceis e um passado que insiste em deixar cicatrizes, Day descobrirá que algumas pessoas entram em nossa vida como uma simples coincidência.

Outras chegam para mudar completamente o nosso destino.

Porque, às vezes, o maior espetáculo acontece longe dos holofotes.

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Cinco Minutos Para o Desastre
O relógio digital preso à estrutura metálica acima do palco brilhava com números vermelhos firmes e inconfundíveis: dezoito horas e cinquenta e cinco minutos. Os dígitos pareciam pulsar sob a luz fria dos refletores ainda apagados, marcando o tempo que restava antes que tudo mudasse. Faltavam cinco minutos para a a******a dos portões. Cinco minutos para que cinquenta mil pessoas invadissem cada espaço da arena, transformando o silêncio em ruído, o vazio em multidão, a expectativa em festa. Cinco minutos para meses de planejamento, reuniões, testes e ajustes minuciosos serem finalmente colocados à prova. E cinco minutos para tudo dar errado. O primeiro aviso irrompeu pelo rádio, seco e urgente, cortando o burburinho constante do backstage como uma lâmina. — O rack principal caiu! Outra voz respondeu quase ao mesmo instante, carregada de alarme. — As caixas da torre leste pararam de responder! — Foi o gerador? — perguntou alguém, já no tom de quem espera a confirmação de um desastre. — Não! O gerador está funcionando normalmente! — veio a resposta, rápida e tensa. — Então por que ninguém está ouvindo retorno? Em menos de dez segundos, o backstage deixou de ser aquele espaço organizado, onde cada pessoa sabia exatamente onde pisar e o que fazer, e transformou-se num redemoinho de movimento e apreensão. A engrenagem perfeitamente sincronizada emperrou de uma vez. Cabos grossos foram puxados às pressas, mãos percorrendo conectores com a ansiedade de quem procura algo que não sabe onde perdeu. Operadores atravessavam os corredores estreitos carregando equipamentos pesados, os passos apressados ecoando no piso de concreto. Uma caixa de ferramentas escorregou de uma bancada e caiu com estrondo, espalhando chaves, conectores e parafusos por todo o chão. Mais adiante, um pedestal de iluminação foi atingido por um case pesado e balançou perigosamente, sendo segurado por dois homens antes que tombasse. No palco, a banda prosseguia com os últimos ajustes, completamente alheia ao caos que se formava a poucos metros dali. O guitarrista dedilhava sequências de acordes, testando timbres e volumes com tranquilidade. O baterista marcava o tempo suavemente nas baquetas, como se estivesse apenas ensaiando sozinho num estúdio. O vocalista caminhava de um lado para o outro, conversando animadamente com a equipe de palco, sorrindo e acenando. Do lado de fora, além dos portões fechados, a multidão já começava a cantar o nome do artista. O som, abafado mas potente, crescia a cada instante, uma onda de vozes que batia nas paredes da arena e lembrava a todos que o tempo havia acabado. A pressão aumentava segundo a segundo, pesando sobre cada ombro. Foi então que uma voz firme, calma e absolutamente serena atravessou toda aquela confusão, cortando gritos, passos e ruídos de equipamentos com uma clareza impressionante. — Todo mundo para de falar por dez segundos. Ela não precisou gritar. Não elevou o tom, nem impôs autoridade com gestos bruscos. Apenas falou, com aquela segurança que parecia nascer junto com ela. E, curiosamente, todos obedeceram. As vozes se calaram, os passos cessaram, e por um instante, o silêncio voltou a reinar no espaço apertado do backstage. O silêncio durou pouco — menos de cinco segundos — mas foi o suficiente. Day caminhou entre os equipamentos sem acelerar o passo. Mantinha o ritmo constante, deliberado, os olhos varrendo cada painel, cada fio, cada tela que encontrava pelo caminho. Nunca corria. Aprendera muito cedo que pessoas desesperadas corriam. Quem resolvia problemas… primeiro observava. Seus olhos pousaram sobre os racks de processamento. Os LEDs piscavam numa sequência irregular, desordenada, muito diferente do padrão estável que deveriam manter. Aproximou-se do equipamento principal, ajoelhou-se diante dele sem se importar com a poeira ou os fios espalhados pelo chão, passou os dedos com cuidado sobre os cabos de rede e identificou o problema quase imediatamente. Ergueu o rosto, mantendo a mesma calma de antes. — Quem reiniciou esse processador? Ninguém respondeu de imediato. Olhares se cruzaram, ombros encolheram. Ela esperou, em silêncio, sem pressionar com o tom de voz, apenas aguardando. — Perguntei quem reiniciou. Um jovem técnico levantou a mão devagar, o rosto já denotando apreensão. — Fui eu. Achei que ele tivesse travado. Day apenas assentiu. Não havia irritação em seu rosto, nem reprovação, nem julgamento. Apenas compreensão. — Você teve uma boa intenção — disse ela, suavemente. — O problema é que, quando esse equipamento reinicia, ele perde a comunicação com toda a rede. Cinco minutos antes de um show, a gente não tem tempo para esperar ele voltar sozinho. O rapaz soltou o ar que reteve sem perceber, visivelmente aliviado. — Desculpa. — Relaxa. Agora você já sabe. Com movimentos rápidos e precisos, ela desconectou dois cabos, encaixou um módulo reserva que carregava consigo e levou o rádio até a boca. — Marcos, preciso que desligue a alimentação da torre três por alguns segundos. A resposta veio imediata, carregada de dúvida. — Agora? — Agora. Confia em mim. — Desligando. Os segundos se arrastaram, parecendo mais longos do que realmente eram. Um… dois… cinco… oito… Os olhos de Day não se desviaram dos painéis nem por um instante. E então, devagar, os indicadores começaram a estabilizar. As luzes que piscavam descontroladamente passaram a brilhar numa sequência ordenada, constante, segura. Quando o último LED assumiu o tom fixo que deveria ter, ela respirou fundo. — Pode ligar. Um clique suave ecoou dentro do rack. Em seguida, um som grave e potente percorreu todo o interior da arena vazia, fazendo até o ar parecer vibrar. As caixas de som haviam voltado à vida. No palco, o guitarrista tocou um acorde de teste. Desta vez, o som retornou pelo sistema de retorno com clareza, força e perfeição instantânea. Os técnicos começaram a sorrir. Um bateu palmas baixinho. Outro passou a mão pelo rosto, enxugando um suor que não era de esforço físico, mas de puro alívio. — Achei que a gente ia cancelar esse show — murmurou alguém. Day levantou-se devagar, sacudiu a calça jeans para tirar a poeira dos joelhos e guardou a chave de f***a no bolso. — Da próxima vez, antes de apertar qualquer botão, me chamem — disse, com um tom leve de advertência. — Cinco minutos de conversa economizam meia hora de desespero. O rapaz que havia reiniciado o equipamento sorriu sem graça. — Pode deixar. Um colega dele brincou, dando um tapa leve no ombro do jovem: — Você ainda vai acabar virando chefe. Day balançou a cabeça enquanto organizava ferramentas na bolsa. — Não tenho vocação para isso. — Tem, sim. — Não tenho. — Tem. Ela apenas sorriu de canto, sem discutir. Gostava daquela equipe. Gostava da forma como lidavam entre si, mesmo nos momentos mais tensos. Principalmente porque, mesmo quando tudo parecia prestes a desmoronar, alguém ainda encontrava espaço para fazer uma piada. O rádio em sua cintura chiarou de novo. — Situação resolvida? Ela apertou o botão de transmissão. — Resolvida. Do outro lado veio apenas uma frase, dita com uma confiança que a fez sorrir antes mesmo de pensar. — Eu sabia. Day reconheceria aquela voz em qualquer frequência, em qualquer lugar, a qualquer hora do dia ou da noite. Iseul. Um sorriso pequeno, involuntário, apareceu em seus lábios. — Nunca duvidei da sua confiança — respondeu, suavemente. — Nem eu da sua competência. A comunicação foi encerrada. Às dezenove horas em ponto, os portões se abriram. Uma multidão invadiu a arena, transformando o espaço silencioso num mar de luzes, vozes, risadas e celulares erguidos para o céu. O show começou exatamente no horário previsto, sem atraso de um minuto sequer. Ninguém entre as cinquenta mil pessoas imaginava que, apenas instantes antes, tudo quase fora perdido. E era exatamente assim que Day gostava de trabalhar. Se o público descobria que a equipe técnica existia, alguma coisa havia dado errado. Seu lugar nunca estivera sob os refletores. Era nos bastidores, onde quase ninguém olhava, e onde tudo realmente acontecia. Quase quatro horas depois, a música deu lugar ao barulho metálico dos cases sendo fechados e travados. O palco começava a desaparecer peça por peça. Cabos eram enrolados com cuidado, estruturas pesadas desciam lentamente dos motores, e os caminhões aguardavam alinhados atrás da arena, prontos para seguir viagem. Kaio fechou a tampa de um estojo rígido e soltou o ar lentamente, como se estivesse liberando toda a tensão acumulada ao longo da noite. — Um dia eu ainda descubro como você consegue manter a calma — disse ele, observando Day organizar conectores numa caixa. Ela levantou o olhar, surpresa com a observação. — Manter a calma? — Você nunca entra em pânico. Ela sorriu, discreta. — Claro que entro. — Não parece. — É porque aprendi que, se eu me desesperar junto com todo mundo, ninguém resolve nada. Kaio ficou em silêncio por alguns instantes. Trabalhavam juntos havia poucos meses, mas esse tempo bastara para perceber que Day era diferente de qualquer profissional que conhecera. Enquanto muitos levantavam a voz quando algo dava errado, ela abaixava o tom. Quanto maior o problema, mais tranquila parecia ficar. Era curioso, e ao mesmo tempo profundamente admirável. — Café? — propôs ele, por fim. Ela olhou o relógio de pulso. — São quase duas da manhã. — Justamente por isso. Ela fechou a tampa da caixa, acomodou a mochila sobre o ombro e sorriu. — Eu prefiro uma cama. Antes que Kaio pudesse responder, uma caminhonete preta deslizou até a doca de carga e estacionou com suavidade. O vidro desceu devagar, revelando o motorista. Iseul apoiou o braço na janela e sorriu. — Vai me dizer que ainda não terminou? Day caminhou até o veículo. — Você está atrasado. — Eu? — Ele fingiu conferir o relógio no pulso. — Estou esperando você há quinze minutos. Ela riu. — Mentiroso. — Dez, então. — Continua mentindo. Os dois riram ao mesmo tempo. Kaio observava de longe, prendendo uma cinta de carga num dos caminhões. Chamava atenção a naturalidade com que conversavam, sem formalidades, sem aquela distância comum entre diretor e funcionária. Pareciam amigos de muitos anos. Talvez algo mais. Day abriu a porta do passageiro, acomodou a mochila no chão e virou-se para a equipe. — Bom descanso, pessoal. Segunda-feira tem mais. — Dorme pelo menos oito horas! — gritou Marcos do outro lado da doca. Ela sorriu, balançando a cabeça. — Você sabe que isso nunca vai acontecer. Iseul inclinou-se levemente para fora da janela. — Kaio. Ele se aproximou. — Senhor Panya. — Bom trabalho hoje. — Obrigado. Iseul acenou e o veículo partiu suavemente, afastando-se pela estrada escura. Kaio permaneceu parado, observando até que desaparecesse na curva. Só voltou a si quando um colega passou carregando um rolo de cabos. — Ainda está aí? — Estava pensando. O técnico sorriu, curioso. — Posso perguntar em quê? Kaio olhou mais uma vez a estrada vazia. — Achei que a Day fosse solteira… O outro soltou uma risada leve. — Dá para perceber que você é novo por aqui. Kaio franziu a testa. — Como assim? O homem apenas ergueu o que carregava e seguiu em direção ao caminhão. — Descobre. Kaio ficou parado por mais alguns segundos, com a resposta ecoando na cabeça. Aquela frase simples, dita com um sorriso de quem guarda um segredo, despertou nele muito mais perguntas do que qualquer explicação teria conseguido. E sem saber, aquele seria apenas o primeiro de muitos mistérios que encontraria dentro da Panya Productions.

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