Dia desses, vi que podemos escolher um arquétipo para nos identificarmos e tentarmos ser como o mesmo. No entanto, há o lado luz e o lado sombra de cada arquétipo. Bom, não sei exatamente em quê se baseia essa ideia, que vi aleatoriamente na internet e sequer deve ter qualquer embasamento científico. Acontece que, mesmo amando onças pintadas, ao pensar em um arquétipo que eu preciso, pensei na deusa grega Atena, a deusa da sabedoria. Pensei nela porque, sinceramente, não me sinto uma das mulheres mais sábias que você conhecerá. Faço muitas coisas no impulso... muitas. Algumas delas rendem boas histórias, engraçadas, que fazem minhas amigas rirem e pensarem no quanto sou corajosa. Que corajosa o quê, eu tenho borderline (penso comigo mesma). Nesse capítulo, eu queria atualizar que eu sigo perdidamente viciada no benzodiazepínico Alprazolam e você, caro leitor(a), se eu puder lhe dar um sábio conselho, mesmo não me considerando a mais sábia das mulheres, lhe diria para ter muito cuidado com benzodiazepínicos. Até pediria para fugir dele, mas não sou formada em Medicina e especialista em Psiquiatria para ficar aqui dando sérios conselhos sobre medicações psiquiátricas.
Vim aqui para falar da minha experiência, enquanto dependente química dessa substância maldita que me traz paz, no entanto, me faz querer ficar dopada, lenta, fleumática, como um ser não participante do universo. No fundo, é isso que eu desejo muitas vezes no decorrer da semana, não ser mais participante desse planeta terra. Ir para um lugar distante, um jardim bem bonito, onde só exista amor, paz e todos os sentimentos bons que eu tenho quando estou em estado de hipomania. Em hipomania, ou sendo simplesmente Teresa, porque não quero me ater somente a sintomas, eu danço, dou muitas risadas, eu animo as pessoas ao meu redor, quero ajudar, aconselhar, sair, contar histórias e fazer as pessoas rirem. A propósito, a minha risada é muito marcante. Meus amigos sempre costumam dizer "Como Teresa ri de qualquer coisa, não é?!" e rio mesmo. Desde sempre. Acredito que isso se deva ao fato de que, por ter imaginação fértil, tudo que há de engraçado, eu consigo visualizar perfeitamente, e isso me rende mais risadas do que para outras pessoas menos imaginativas. Para ser sincera, eu amo esse traço em mim. Eu imagino muito, todo o tempo, desde criança. Tenho 24 anos e não cesso de imaginar novelas, histórias aleatórias, desfechos diversos para a minha própria vida e para a vida alheia. Como uma máquina de escrever ininterrupta.
Meus amigos me descrevem como alegre, doidinha, dona das histórias mais aleatórias, impulsivas e corajosas. Essa é Teresa. Com ou sem borderline. É assim que gosto de pensar. Imaginar que essa parte tão colorida de mim, é só minha hipomania, apaga todo o brilho do que é ser eu. Me sinto como um apanhado de sintomas, e não um apanhado de características da minha subjetividade. Existiram muitos dias que tentei me m***r, que tentei e não consegui, momentos em que chorei desesperada pedindo a Deus que me levasse embora. Teve dias que me cortei e tenho as marcas até hoje, dias em que me senti o pior dos seres humanos e bati minha cabeça contra a parede várias vezes, num desejo estranho de que ela se partisse. Dias em que tomei 30 comprimidos de Alprazolam, não vomitei. Deitei e coloquei Asleep - The Smiths para tocar, para dormir ou morrer, como quem escuta uma música de ninar para tirar um cochilo qualquer. Esperei em meios às lágrimas, que a pressão baixasse o suficiente para que eu fosse embora. Não fui. Apenas dormi o bastante para acordar no outro dia com a sensação de ressaca e triste por, mais uma vez, ter que dar continuidade ao que chamamos de vida.
Teve dias que o vazio foi tão imenso que liguei para ex-namorados pedindo que voltassem comigo, tentando resgatar sentimentos antigos e soterrados em mim, só para sentir qualquer coisa que não fosse esse vazio crônico do Transtorno de Personalidade Borderline. Fazer loucuras que podem me prejudicar, sem sequer ligar ou pensar um único segundo nas consequências disso. Na realidade, são pelas consequências que eu espero, porque elas vão dramatizar a minha vida, e então o vazio dará espaço para o drama e para as implicações das minhas atitudes impulsivas. São tantas as histórias, sou a amiga que sempre tem algo novo para contar. Parece que, a vida sem o movimento das minhas ações precipitadas, é uma morte em vida, porque aí vem o vazio. O vazio é insuportável. O vazio é não existir. Então que eu morra logo, penso comigo mesma. Se é para viver sem sentir que estou viva, do que adianta?
Quanta falta de sabedoria, Teresa. Quanta estupidez em suas palavras. Me julgo. No entanto, lembro da Teresa que sorri, que é como vendaval na vida dos que a rodeiam, vendaval alegre, que anima, que proporciona gargalhadas. Eu lembro da Teresa que é boa com as palavras. A Teresa que adora palavrear desde pequena. Teresa imaginativa. Teresa que dança samba. É por ela que eu vivo, é por ela que eu espero, é ela que fez eu descer do banco quando pensei em enforcamento. Deus quem me faz lembrar que há sempre um novo dia, mas esse é um clichê do qual estou exausta. Prefiro não pensar mais que haverá um novo dia, com acontecimentos surreais de incríveis. Prefiro pensar que há uma outra Teresa. E eu juro, eu não a deixarei ir embora.