ANDREW
Bato a porta atrás de mim e deslizo as mãos pelos meus cabelos, diversas vezes seguidas. Sinto o meu p*u duro dentro da calça e bufo frustrado. Merda! Mil vezes, merda! Olho ao redor do meu escritório e penso em arrancar a minha gravata, mas lembro que já a tirei faz tempo. Corro até o toalete e jogo água em meu rosto. Preciso tirar o cheiro dela de cima de mim.
Sinto o gelado do mármore da pia, através dos meus dedos, e automaticamente encaro o meu reflexo no espelho.
— Por que você tinha que voltar para a minha vida? — falo para mim mesmo enquanto observo o azul dos olhos que puxei de minha mãe.
Caminho a passos lentos até a minha mesa e jogo-me na cadeira da presidência conforme passeio as mãos pelos meus cabelos, mais uma vez. Fecho os olhos, como um meio de expurgar tudo o que ela representou para mim durante o ano que me assombrou miseravelmente.
— Merda! O que você veio fazer aqui? — faço-me a pergunta que não sai da minha cabeça desde o seu primeiro dia na empresa.
Há mais ou menos três anos, eu havia conhecido a garota que havia tomado conta dos meus sonhos e da minha mente. Duda havia se entranhado em mim de forma tão c***l, que até nos meus sonhos mais íntimos ela se infiltrava.
Lembro-me como se fosse ontem o dia em que a vi na casa de Nick pela primeira vez. Naquele ano, Nick e Laura haviam ficado noivos e por ser noite de Natal também, como de costume, pretendia passar com o meu irmão adotivo. Confesso que assim que coloquei os meus olhos em Duda, me senti completamente atraído. A sua beleza tinha me encantado de imediato, mas, o que realmente havia me chamado a atenção foi a forma com que Gustavo, antigo motorista de Nick e namorado dela, agiu ao notar o meu súbito interesse. Ele havia sido extremamente grosseiro com Duda, e presenciei uma discussão entre os dois para logo depois se tornar uma forma de reconciliação, seguido por um pedido de namoro. Na época, antigas lembranças foram despertadas em mim e afirmo que apenas me deixaram com mais curiosidade no relacionamento dos dois.
Depois, veio o casamento de Nick com Laura. O fodido do meu amigo fez questão de me pedir para apadrinhá-los juntamente com Duda, fato que apenas me fez conhecê-la melhor. Duda era doce, feito um mel, e seu sorriso era apenas um lembrete de tudo o que eu nunca poderia ter. Eu percebia o quanto a incomodava, ainda mais quando o seu namorado estava presente nos ensaios.
Gustavo era a personificação da irritabilidade quando era obrigado a nos ver juntos. Eu me lembro da primeira vez que vi Duda, no quanto ele parecia desconfortável com a minha presença, fato que só fazia piorar, uma vez que eu sempre deixava nítido o meu interesse por ela. No começo, ele parecia que estava no meio de numa disputa de ego comigo. Era até engraçado ver a cara de cachorro arrependido que ele fazia quando nos via juntos. Duda começou a trocar algumas palavras comigo, durante alguns ensaios, e isso deu-me esperanças de um dia ela poder me olhar da mesma forma que olhava para ele, porém, depois de um tempo, passei a perceber que na verdade estava sendo usado para fazer ciúmes nele, fato que me deixou bem irritado.
Eu jurei para mim mesmo esquecer aquela mulher e aquela vontade que eu estava de me enterrar fundo nela. Definitivamente, ela não era para mim. Eu pretendia terminar toda a situação do casamento, sumir do mapa, esquecer o seu perfume suave e refrescante e suas esmeraldas tristes, mas justamente no casamento de Nick, vê-la vestida com um vestido longo decotado, apenas me deixou mais enfeitiçado.
No começo da noite, ela parecia estar bem e feliz, porém, com o passar do tempo, eu havia notado algo de diferente em seu olhar. Duda parecia triste e distante, e somente depois descobri o motivo: o babaca do namorado dela tinha a deixado sozinha após a cerimônia.
Observei-a durante a tarde toda enquanto assistia suas amigas tentarem animá-la. Quando, enfim, ela decidiu ir embora da festa, eu percebi que aquele dia também tinha se encerrado para mim. O tempo foi passando, e pouco nos víamos na mansão. Ou melhor, eu a via, porque ela m*l notava a minha presença. Até que um belo dia, descobri que Duda já não trabalhava mais lá. E mesmo assim, sua imagem e seu perfume suave não haviam me deixado. Pelo menos por algum tempo. Um ano depois, achei que tudo havia ficado esquecido em algum canto da minha memória; até encontrá-la em meu escritório há poucos dias.
O choque que levei ao vê-la entrar na minha sala foi literalmente fora do comum. Primeiro, eu achei que fosse algum tipo de miragem, algum fruto fodido da minha imaginação, mas depois percebi que o destino está sempre disposto a nos pregar peças; a me pregar uma baita peça. Porém, essa, não é nem de longe engraçada.
Fecho os meus olhos, pensando em como sou um e******o bastardo esmagado pela mesma mulher que me torturou durante um fodido longo ano. Como pode eu ser tão azarado assim? E essa noite? Que p***a foi aquela? Dou um murro na mesa irritado e xingo vários palavrões.
Eu não posso deixar a minha cabeça virar novamente. Ela não vai roubar os meus pensamentos. Não, ela não vai. Essa maldita feiticeira não irá atrapalhar os meus planos, nem mesmo a minha carreira. Essa atração não vai voltar a me importunar!
Pensando nisso, pego o meu telefone e ligo para a única mulher que consegue minha atenção diariamente: Marla Ferraz.
— Andy? O que ouve, querido? — ela pergunta afoita.
— Vá para a minha casa!
— Desculpe, querido, mas o Vitor está aqui — fala baixinho. Vitor é o noivo dela.
— Eu sei que você consegue dar um jeito, Marla...
Depois de uma hora, decido sair da empresa. Direciono a minha Mercedes pelas ruas do Rio de Janeiro, até chegar em frente a cobertura onde moro no Leblon. Assim que chego em casa, Hope, minha pastora alemã, me recebe toda feliz.
— Ei, garota! Com saudades do papai? — pergunto fazendo carinho em seu pelo macio.
— Boa noite, Andy. — Carmem, minha ajudante do lar, me cumprimenta.
— Good night, Carmem. Está liberada, eu cuido da Hope de agora em diante! — A senhora de quase setenta anos assente, risonha.
— Ainda bem. Não tenho mais pernas para essa daí. — Ela aponta para a minha cachorra, sorrindo. Hope late alto duas vezes, parecendo concordar com ela.
Assim que Carmem sai de casa, a campainha toca. Hope corre para frente da porta, ansiosa para saber quem está por trás dela, porém, como se fosse algum tipo de vidente, minha c****a sobe para o terraço assim que percebe que Marla está do outro lado.
É sempre a mesma coisa: é somente Marla chegar por um lado, para Hope sair pelo outro. Isso, quando ela não cisma de latir e rosnar para a minha sócia.
— Oi, bonitão. Chamou? — Marla me dá um longo beijo, assim que abro a porta. Retribuo de forma intensa, tentando de algum modo aliviar a vontade que há dentro de mim.
— Entra!
— E aquela sua cachorra maluca? — pergunta olhando para todos os lados. Sorrio ao ver o quanto ela tem medo de Hope.
— Não fala m*l dela, Hope já foi se deitar. Agora vem cá. — Agarro os seus quadris e a envolto em um misto de beijos e carícias que sei que adora.
Olho bem para suas íris negras, tentando de alguma forma me fazer esquecer de um par de olhos verdes singelos.
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— Nossa, nem parece que fizemos tudo aquilo de tarde — diz depois de gozarmos três vezes. — Por isso que o Vitor não chega aos seus pés. — Marla puxa-me para mais um beijo, porém me desvencilho.
— Acho que já está ficando tarde. — Levanto-me do sofá e coloco a minha cueca. — Quer tomar um banho antes de ir?
— Credo, Andy, podia pelo menos me deixar passar a noite, já que dispensei o meu noivo para ficar com você. — Seus lábios se formam em um biquinho, mostrando toda a sua indignação.
— Você sabe as regras.
— Ah, e como sei.... Nada de quarto e nem de passar a noite, porém, t*****r na empresa pode, né? — ironiza.
E ela não está errada, sinto-me um canalha por fazer isso com ela, mas sempre foi assim de qualquer jeito. Nada a mais do que isso. Eu nunca poderia suportar dormir ao lado de uma mulher, literalmente falando.
— Você nunca reclamou! — Jogo o vestido em sua direção, e ela pega-o bufando.
Minha sócia me encara perplexa e, percebendo que não irei ceder, começa a se vestir. Marla é linda e nos conhecemos desde novos. Fizemos faculdade juntos e considero-a uma de minhas melhores amigas, porém, somos somente isso: amigos com benefícios.
Minha sócia vai embora, um tempo depois, e volto a sentir o mesmo vazio que sentia antes. Hope volta a me fazer companhia, e, do jeito dela, pede-me para acariciar seu pelo. Ela enfia sua cabeça entre as minhas pernas, e lambe as minhas mãos que descansavam entre as minhas coxas.
— Ah, garota! Só você me entende — digo coçando embaixo de sua cabeça. Sorrio ao vê-la fechar os olhos e mostrar os dentes como se estivesse sorrindo.
A verdade, é que tem um motivo para que eu nunca deixe nem Marla e nem mulher alguma passar uma única noite sequer ao meu lado. Minhas relações íntimas duram apenas horas e nunca adiciono as minhas noites a elas.
Eu não sou um fodido mulherengo qualquer que não se prende a relacionamentos e só quer farrear. Não. Porém, tenho plena consciência de que ninguém, em sã consciência, jamais iria querer ficar comigo se passasse uma noite inteira dormindo ao meu lado. Em meus trinta e seis anos de idade, não é normal um empresário bem-sucedido como eu ainda estar solteiro. Mas, acredito que ninguém conseguiria dormir ao lado de um homem que, em todas as noites, acorda suado, atordoado e completamente atormentado após ter pesadelos de quando era apenas um moleque magricelo e indefeso. Pesadelos dos quais vivenciei na pele quando ainda era criança. Eu nunca, jamais, deixaria que alguém presenciasse esses momentos íntimos. Nick foi o único que presenciou isso quando éramos novos, e continuo com a imagem do meu melhor amigo chorando copiosamente depois de ser acordado pelo primeiro surto que tive numa noite qualquer dormindo em sua casa. Eu jamais deixaria a pessoa que escolhi para chamar de minha, vivenciar uma situação como essa.
— A única que me entende está aqui comigo, não é, garota? — Levanto-me do sofá, e Hope balança o r**o parecendo contente enquanto ando até o meu quarto a fim de tomar um banho.
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Deixo a água descer abundantemente pelo meu corpo, e fecho os meus olhos enquanto lavo os cabelos. Tento deixar todas as minhas frustrações ir por água abaixo, literalmente falando, mas tudo o que me vem à mente é o exato momento em que vi Duda entrar na sala de reuniões sem se dar conta de minha presença.
Lembro-me do instante seguinte no qual a xícara do maldito café, que ela segurava com as mãos, caiu no carpete, deixando o vestígio do aroma inebriar a minha sala naquela manhã, fato que me faz lembrar que a minha secretária era, na verdade, a p***a da feiticeira que me fez pensar nela durante um maldito longo ano.
Depois, foi somente desastre; um após o outro. E o pior, foi o que aconteceu nesta noite. Aonde eu estava com a cabeça quando me aproximei dela, daquele jeito? Como pude pensar em imprensá-la na parede e fodê-la até fazê-la pagar por cada maldito sonho que tive com ela?
Puta merda! Eu sou a p***a de um fodido mesmo!
Eu não posso deixar que ela me afete novamente, isso não pode voltar a acontecer! Não voltarei a fazer parte de um jogo mórbido entre ela e o namoradinho babaca dela.
— Não vou deixá-la se aproximar de mim de novo! Não posso passar mais um ano frustrado e enfeitiçado por ela. Ela nunca mais vai me usar! — Dou um soco na parede, e sinto os meus dedos doerem automaticamente. — Nem que para isso eu tenha que lhe mostrar o meu lado mais sombrio e fazê-la me odiar.
— É isso, ela vai me odiar tanto que vai querer se demitir da minha empresa na mesma hora! — digo prostrado. — Ela vai conhecer o temido Dr. Collins, o cara que ninguém suporta naquele lugar.
Respiro fundo, e deixo a água recair silenciosamente pelo meu corpo. Fecho os meus olhos, levantando a cabeça e deixando a água cobrir o meu rosto pensando no quanto estou sendo um fodido egoísta, mas ao mesmo tempo, sensato.