*Jace Rowan POV*
É irritante saber quem te mandou fazer aquilo e não poderes colocar uma bala na cabeça daquele filho da p**. Mas o destino dele está selado nas minhas mãos. Mais cedo ou mais tarde vou conseguir apanhá-lo. Ele não pode ficar escondido nas sombras para sempre.
Tudo começou com o que devia de ser um encontro 'legítimo' para uma das minhas empresas de fachada.
Devia ter desconfiado quando, nesse momento, surgiu um problema num dos meus bares. Lucas foi tratar desse assunto enquanto eu segui para a reunião. Apesar de levar alguns homens, baixei a guarda. Fui e******o. Não posso baixar a guarda.
Era um restaurante de renome; o meu primeiro alerta foi estar com poucas pessoas. Mas fui arrogante. O outro sinal de alerta devia ter sido a pessoa à minha frente, nervosa, claramente a suar. Não devia. Era um negócio legítimo apesar de saber da minha fama. Era só definir os últimos pontos e assinar o contrato. Porque no restaurante e não num escritório? Também me perguntei isso, a resposta foi vaga. Depreendi que queriam sugerir algo não muito legal. Mais uma vez baixei a guarda. Confiante. Arrogante. Sou intocável. Ou achava que era.
Quando me serviram uma bebida, bebi logo uns goles, até me aperceber do desconforto do homem à minha frente. A ansiedade, o medo. Arqueei uma sobrancelha. Sinalizei aos meus homens que desconfiava de algo. Ia ligar para Lucas. Mas o caos invadiu aquela sala VIP do restaurante. Homens mascarados e armados. Saquei imediatamente a minha arma e disparei sobre o homem nervoso à minha frente, sem esperar uma desculpa patética.
Eu e os meus homens fomos rodeados. Balas perdidas. Lutámos. Senti algo cortar-me ao mesmo tempo que começava a ficar com os meus movimentos mais lentos. Algo a entorpecer-me o cérebro. Tinham-me drogado. Um dos meus homens apercebeu-se e tirou-me fora da sala, fechando a porta atrás dele. Mas vi movimento, vozes; vinham atrás de mim. Não sei como consegui guardar a minha arma — também não me valia de nada, já não tinha balas. Também já não tinha o telemóvel comigo.
Custou-me sair dali — não só porque as minhas capacidades físicas e o meu cérebro queriam apagar-se, mas também pelo meu orgulho. Senti que estava a fugir, a abandonar os meus homens, apesar de eles serem pagos para proteger a minha vida com a deles.
Ainda não consigo perceber como, na minha fuga de quem me tentava matar, acabei lá. Naquele hotel, localizado a dez minutos a pé do restaurante onde estava.
Lucas teria sabido exatamente onde eu estava. O meu telemóvel estava sempre ligado ao sistema dele. Mas eu já não o tinha comigo. Devia ter ficado caído na merda daquele restaurante. Dois dos meus homens morreram, outros dois estão gravemente feridos no hospital.
Quem se atreveu a mexer comigo? Morto. De nada vale, serem meros peões de alguém. Apenas um está vivo, para ser interrogado, mas por pouco tempo. Lucas tratou impecavelmente disso. Nada podia prever a traição que sofri. Sim, um dos meus homens foi pago para me trair e eu estava prestes a saber quem.
Quem é que quase me matou. E… ela!
De alguma forma acabei preso numa cama por uma mulher loira mascarada. Mesmo tendo torturado o homem à minha frente, não consigo diluir a minha raiva — a humilhação de os meus homens me terem encontrado daquele estado. E a imagem daquela mulher.
Lembrei-me de como o meu corpo reagiu a ela quando ela me montou. Quando gemeu. Mesmo sabendo que estava a fingir. F.odasse. Senti o meu corpo reagir novamente. Duro. Desconfortável.
Saí daquele hotel imundo com Lucas a rir atrás de mim; era o único que se atrevia a fazer isso. Mas notei a cara surpresa do resto dos meus homens. E se antes já não tivesse decidido, só aquilo já tinha sido suficiente para me decidir a encontrar aquela mulher. Obriguei-o a recolher todas as imagens das câmaras do hotel desse dia. Tinham um sistema péssimo.
“Deixa-o aí preso.” Disse eu a Lucas. “E traz-me aquele filho da p**.” O homem acabou por soltar o nome de quem me tinha traído. “Deixa-o aí pendurado. Tratamos de ambos amanhã.” Iria deixá-lo sofrer mais um pouco antes de encontrar o seu destino final. Não precisei de olhar para Lucas para saber que ele assentia, sacando já o telemóvel para tratar das minhas ordens.
Lucas era o meu braço direito. Considerava-o amigo. Não era apenas um dos meus homens, era como família.
Subi para tomar banho. Estava com a roupa cheia de sangue que não era meu. Já tinha tratado dos meus ferimentos. Provavelmente devia ter levado pontos, mas a urgência da justiça e de me vingar era mais forte que qualquer dor que sentia no meu corpo.
Senti o telemóvel vibrar no bolso antes mesmo de sair daquele antro subterrâneo, escondido por baixo da mansão. Deveria ter este espaço? Provavelmente não. Mas era útil — ali podia fazer o que precisava sem ser visto. Muito melhor do que armazéns obscuros de quinta categoria.
“Já estás solto, grandalhão?”
Fiquei a piscar os olhos para a mensagem. Não acredito que ela me esteja a facilitar assim a vida. Não perdi tempo. Respondi: “Vou encontrar-te.”
A resposta dela veio segundos depois. Parei nas escadas a olhar para o ecrã. A irritação borbulhava novamente. Como é que ela conseguia irritar-me assim? Duas letras — e eu já estava a descer outra vez à cave.
“Tudo bem?” perguntou Lucas assim que voltei a entrar.
“Encontra-me aquela mulher. Rápido.” Respondi, rangendo os dentes, furioso.
“Ia tratar de ver as imagens do hotel para descobrir mais.”
“Ótimo.” Resmunguei e esmurrava novamente o corpo daquele homem como se fosse um saco de boxe. Vi o olhar de Lucas: curioso, ligeiramente divertido.
“Ela mandou-me uma mensagem.”
“Ah,” respondeu ele, como se isso explicasse tudo. “O que é que ela disse?” perguntou, curioso. Pressionei o maxilar, com vontade de ranger os dentes. Soquei outra vez o corpo que já não se dava ao trabalho de gemer — provavelmente desmaiado.
Parei. Percebi que aquilo não ajudava. Peguei no telemóvel e mostrei-lhe as mensagens. Ele tentou reprimir uma gargalhada.
“Ela respondeu ‘Ok’,” atirou.
“Eu sei ler,” resmunguei. “Ela claramente não sabe quem eu sou.”
Ninguém me responde assim. Nunca. E vou-lhe ensinar isso quando a encontrar.
“Não parece preocupada.” Ele riu-se outra vez. E, se não fosse quem era, tinha descontado a minha frustração nele. “Ameaças de que a vais encontrar e ela só responde ‘Ok’. Talvez pense que não sejas capaz de a encontrar. Demasiado confiante. Conheço alguém assim.”
“Não testes os meus limites hoje, Lucas.” Saí da cave e senti Lucas vir atrás de mim.
“O que raio é que ela te fez afinal?”