ELOÁ
Estou conversando com a minha família depois do almoço e meu celular começa a tocar e é o Pedro.
*Oi
* Tá podendo falar?
* Estou na casa da minha mãe, o que foi?
* Eu queria saber se tinha como a gente conversar
* Ter tem, hoje?
* Sim, quando você tiver disponível.
* Tá bom, se você não quiser conversar a noite ... hoje eu vou no mercado, se quiser me fazer companhia - ouço ele ir - e já me poupa o dinheiro do carro.
* Certo, é só me passar o endereço que vou te buscar.
•••
- Nestante vou embora, o Pedro vem me buscar e a gente vai no mercado.
- Não era vocês que tinham se desentendido a horas atrás?
- Uma coisa não tem nada a ver com a outra, ele quer conversar e eu quero fazer compras... é só juntar o útil ao agradável, meu pai me ensinou... sempre poupe seu tempo.
- É isso aí filha... você foi a única que aprendeu.
- A única que parece com você - minha mãe
diz - você é seu pai sem tirar nem por.
- Eu achava que eu era você jovem.
- A Helena parece mais... assim o jeito.
- Eu vim na cagada né... a mais velha sempre se
lasca - a Cecília protesta e damos risada.
- Você sempre foi perfeitinha desde criança, nunca deu trabalho nenhum - meu pai fala - sempre muito obediente, educada e muito inteligente... muito certinha.
- Oxe e a gente é errada é? - falo colocando a mão na cintura.
- A Cecília pegou o nosso melhor lado, você é seu pai todinha, a Helena sou eu e a Aurora é a nossa mistura perfeita, ela é exatamente o equilíbrio da nossa melhor e pior versão, sabe ser extremamente boazinha e compreensiva / super decidida e dona de si.
- Você está descrevendo a gente - a Helena diz ofendida
- Tô não, você só ficou com o "decidida" e a Eloá com o "dona de si", o resto tem que cavar um pouquinho pra achar.
- Mãe - falamos juntas e a Cecília começa a rir.
- Suas erradas, porque eu sou
perfeita - diz se gabando.
- Rapaz nem como empregada de uma empresa eu era tão humilhada assim - todo mundo rir - pai eu quero ver um carro, cansei de andar de carona, voltei pro Brasil quero um carro novo.
- Amanhã passa lá na loja e pega o seu - meu pai é dono de uma loja de carro de luxo.
- Pai eu vou pagar
- Você é filha do dono Eloá, aproveita.
- Eu não, amanhã vou ver qual eu gosto e vou pagar.
- Então ta- o Pedro me manda mensagem dizendo que chegou.
- Agora vou fazer minha feira do mês com o meu não namorado.
- Vocês implicaram com esses Ono em, o que eles tem em? - meu pai questiona.
- Ah pai, se o senhor soubesse... era um
choque - todo mundo rir menos ele.
- A noite vamos sair viu gatona, não esquece.
- Viu... mãe, pai amo vocês - falo beijando eles - e amanhã venho almoçar aqui e talvez eu durma aqui.
- Finalmente alguém vai dormir aqui, porque suas irmãs não lembram que tem pai.
- Ô velho dramático meu Deus - a Helena fala e meu pai joga uma almofada nela.
- Tchau galerinha, fui - saio e o Pedro já está na porta - Quer entrar?
- Não, aquele dia na chamada já foi o suficiente - dou risada.
- Então vamos.
- Tá chateada comigo?
- Não ué... a gente só precisa ser sincero e resolver as coisas.
- É... bom eu queria dizer que eu fiquei chateado quando você falou que tinha ficado com outra pessoa.
- Isso eu percebi né, mas que bom que está admitindo.
- E o Filipe realmente tinha razão, eu sempre odiei dividir minhas coisas... desde de criança. Quando eu falei da carta branca era porque eu sei o quanto você é uma pessoa livre e independente, e não queria "sufocar" você, por que sei que eu não tenho o direito de te cobrar nada, e eu fiquei com esse pensamento de viver minha vida aqui no Brasil, porque não tínhamos nada, mas eu não conseguir... não conseguir ficar com ninguém, e quando você falou que tinha ficado com uma pessoa, eu pensei o quanto era fácil pra você conhecer gente nova, beijar novas bocas, eu me forcei a "sair da minha zona de conforto" pra talvez viver como você vivia, e isso me deixou realmente pensativo sobre o que tínhamos construído, porque era óbvio que você não queria namorar e nem eu, mas o que a gente tem é algo importante, mesmo não sendo um relacionamento sério.
- Você quer ficar só comigo, mas sem namorar?
- Não... não é isso, estou dizendo que eu fiquei chateado com a situação, porém eu cai mim que a gente não tinha relacionamento, e ja tínhamos conversado sobre todas essas situações.
- Eu não sei se eu quero namorar.
- Você tem vontade de ficar com outras pessoas né?
- Não é que eu tenha vontade, o caso com o Lorenzo foi algo específico... é que a palavra relacionamento me dá um pouquinho de susto, tipo anel, apresentar a família... essas coisas assim, aquele dia do telefonema eu estava brincando... então é bem mais facil, o meu último relacionamento não foi la a melhor experiência do mundo, então eu meio que fico com o pé atrás, mas não é que eu queira sair beijando as pessoas.
- Mas você quer ficar comigo?
- Eu quero ficar com você.
- Então ta.
- Simples assim?
- Simples assim - diz e continua dirigindo.
...
Chegamos no mercado e começamos a escolher as coisas, quando falo "começamos" é no sentido literal da palavra, porque o Pedro que está escolhendo basicamente tudo. Ele fala com tanta propriedade das coisas, que eu sinto que nunca morei sozinha na vida, sendo que moro sozinha ha anos.
- Pronto dono de casa?
- Pronto
- Podemos ir?
- Claro
...
- Vou sair com as meninas hoje, vamos também... comemorar a minha volta - falo já dentro do carro.
- Eu vou ser o único homem com vocês?
- Eu não sei, mas se for não tem problema... vai esta acompanhado de três pretas maravilhosas - ele rir .
- Realmente
- Você vai então?
- Vou
- É... precisa sair mais de casa, não só pra conhecer meninas em bares... tem que sair pra dançar, beber, se divertir e claro me fazer companhia... porque eu amo sair.
- É... depois temos que falar disso.
- Não temos que falar nada - falo e ele rir.