O herdeiro do morro da Rocinha, [22/06/2023 23:39]
Capítulo 66
Lorenzo narrando
— Você não deveria falar isso em relação a você, você não é uma pessoa r**m, você não é um exemplo r**m.
— Como não? – ela me pergunta – você mesmo me diz Lorenzo, me disse diversas vezes, que eu não passava de uma v*******a, você me chamou de Lixo, disse que eu era um lixo e que eu merecia ter sido estuprada por ser uma p**a – eu vejo as lagrimas descendo em seu rosto pela primeira vez desde que eu a conheci – você disse isso na frente de todo mundo. Aquela menian de 15 anos, que foi abandonada recém nascida em um orfanato, expulsa aos 15 anos do lugar que era meu conforto, obrigada a cair no mundo, merecia ter sido estuprada por aqueles 3 velhos nojentos na caçamba de um caminhão, no qual ela acrediotu que levaria ela em segurança para o Rio de Janeiro, aquela garota de 15 anos merecia ter sido abandonada em uma estrada escura e fria nua para morrer. Merecia ter trocado s**o por comida, b*****e por garrafa de água, merecia ter se envolvido com os piores traficantes do Rio de Janeiro, em troca de dinheiro para sobreviver.
Ela cruza os braços e se encosta contra a parede e eu a encaro, ela abaixa a cabeça e chora, mas limpa as lagrimas com as mãos e levanta a sua cabeça.
— Você não merecia nada disso, eu errei f**o com as minhas atitudes e com as minhas palavras – eu falo para ela – eu pensei muito nesses dois dias – ela me olha.
— Palavras bonitas e combinadas com quem? – ela pergunta – para impressionar sua mãe? Seu pai? Quem mais? A sua família? Lorenzo, mata o Rogui, eu tiro essa criança e eu vou embora, me deixa viver a minha vida e pela primeira vez nela, ter a liberdade de decidir o que eu posso fazer e quando, eu não quero grana de vocês, eu me viro, mas só me deixa ir embora, seja homem e mata aquele filho da p**a eme deixa em paz.
— Eu não quero que você tire essa criança – eu falo para ela – Você tem razão quando fala de mim, que eu jamais serei exemplo, mas você não é uma pessoa r**m, não se compare a mim – ela me olha – qualquer criança gostaria de ser criada por você – ela começa a rir.
— Cala a p***a da tua boca, eu nunca tive família, eu nunca vou ter uma família e não vai ser com você, com a sua família que eu vou começar a ter – ela me olha – não vai ser.
— Silvia – eu falo me aproximando dela e ela me encara – você jamais vai me perdoar e eu entendo que eu jamais vou ter seu perdão, mas não tira essa criança – ela me encara – você pode se prejudicar, prejudicar a sua saúde.
— Eu já disse que eu não me importo de morrer para que essa criança não venha ao mundo – ela me olha – eu jamais vou colocar um ser humano nesse mundo de m***a, de m***a.
— E se você tivesse indo embora sem que a gente soubesse da gravidz?
— Eu teria me matado – ela fala – e se essa criança nascesse, eu a largaria em qualquer orfanato – a sua voz embarga com as lagrimas que descia sobre seu rosto.
E eu a encaro percebendo a m***a que eu tinha feito.
— Por favor – eu falo encostando as minhas mãos em seu rosto e limpando as lagrimas que desce – eu não quero te fazer m*l mais, eu sei que eu fiz de mais.
— Eu odeio você com todas as minhas forças – ela fala me olhando – e se você quer que essa criança nasça, é agora mesmo que eu vou fazer que ela não nasça, porque você não merece ter alegria em sua vida.
— Então você admite que um filho é alegria da vida de alguém, se você quer me afastar dela, me afasta – eu respondo – é algo que eu vou ter que conviver por causa dos meus erros, mas não desista da sua vida e nem mesmo da vida dessa criança.
— O problema Lorenzo, que eu desisti dela a muito tempo, desisti a cada homem que me tocou sem minha autorização, desisti a cada t**a que eu levei, eu fui desistindo dia após dia – ela fala – como eu te disse, eu já não vivo a muito tempo, eu sobrevivo .
— Por favor Silvia pensa melhor – ele fala – eu não sou ninguém para te pedir isso.
O herdeiro do morro da Rocinha, [22/06/2023 23:39]
— Você acertou em algo, você não é ninguém para me pedir nada – eu me aproximo ainda mais dela e eu abraço ela, ela ainda de braços cruzados apenas chora, e eu abraço ela forte, porém ela tem um surto e me empurra e começa a me bater, eu não revido apenas a seguro de leve.
— Vai embora – ela fala e eu a solto – vai embora daqui e por favor, se você quer pedir perdão, se você quer que eu te perdoe, mata Rogui, se você o m***r você tem meu perdão e eu vou embora daqui viver a minah vida bem longe.
O herdeiro do morro da Rocinha, [23/06/2023 17:13]
Capítulo 67
Heloisa narrando
Eu tinha feito um chá e estava tomando na sala de casa, eu ainda não tinha ido conversar com a Silvia e achei melhor dar um tempo a ela, Rk chegou e me viu na sala e apenas se sentou na minha frente.
A verdade é que Lorenzo não tinha parecido desde ontem quando tudo aconteceu e a gente não sabia onde ele estava, esse silêncio dele e ele distante, corria tanto eu quanto RK e sei que no fundo ele se perguntava a mesma coisa que eu: Será que era esse o medo que a gente tanto tinha de um dia ter um filho?
Ambos não saberia como criar? Ele se tornaria uma parte piorada de nós dois juntos e a gente incentivaria ele ser assim?
Eu tinha tanto medo de ter um filho que quando descobri que estava grávida, eu implorei por remédio para abortar, não queria contar a RK e nem nada, depois quando Lorenzo nasceu, ele se tornou a minha vida, mas eu não o protegi de criar no nosso mundo, até porque essa era a família dele. Eu acho que o choque veio quando eu me dei conta que eu tinha criado o meu filho para fazer com os outros a mesma coisa que eu sofri algum dia na mão de alguém e eu sei que a parcela da culpa é minha e que não deveria o julgar, eu não fiz nada para que fosse diferente, eu não me esforcei para que fosse diferente.
— Você quer um chá? – eu pergunto para ele e ele me encara
— Chá – ele comenta com a voz ríspida e sua carancura sério.
— É de casca de laranja, banana, maracujá, limão, nozes e canela – eu respondo
— É para m***r? – ele pergunta
— Para tirar as impurezas e acalmar – ele me encara piscando diversas vezes.
— Eu quero – ele responde
— Vou buscar.
Eu me levanto e vou até a cozinha e sirvo uma xícara a ele, coloco açúcar porque RK o que tinha de azedo ele consumia de açúcar, eu volto para sala e entrego a xícara para ele, que pega. Lorenzo entra pela porta da casa e nós encara.
Ele meio que paralisa nos encarando e RK leva a xícara até a boca.
— Você quer chá? – eu pergunto a ele.
— Chá do que? – ele pergunta me olhando
— É de casca de laranja, banana, maracujá, limão nozes e canela – eu respondo para Lorenzo e ele se senta no sofá.
— É para m***r alguém? – ele pergunta me encarando
— Para tirar as impurezas e acalmar – eu respondo e ele me encara.
— Eu quero – ele responde
— Eu vou buscar.
Eu vou até a cozinha pego outra xícara coloco açúcar para ver se adoça esse menino e levo para ele, ele pega a xícara e eu sento ao seu lado pegando a minha.
Mais irônico que o mundo, era a cena que eu estava presenciando, o silêncio toma conta dessa sala. Até que Lorenzo coloca a xícara na mesa do centro da sala ao mesmo tempo que RK e pela primeira vez na vida, eu confesso que reparo o quanto semelhança um tinha com o outro, até mesmo na forma de agir. Os barulhos da xícara encostando na mesa ecoa na sala e Lorenzo nos encara.
— Eu fui falar com a Silvia na casa do Ph – ele fala
— Você fez o que? – eu pergunto para ele
— Eu fui até lá conversar com ela, acabei de sair de lá.
— E ela? – Rk pergunta
— Quer tirar a criança de todo jeito, não quer a criança.
— Normal Essa decisão dela depois de tudo – eu respondo.
— Eu pedi desculpa a ela por tudo mesmo sabendo que ela não vai perdoar, mas não quero que ela se prejudique mais por minha culpa.
— Você pediu desculpa a ela? – Rk pergunta
— Mesmo que na minha forma de agir e com as leis do morro eu não agi errado, sabendo disso, eu fui pedir desculpa a ela porque acho que eu precisava fazer isso.
— Onde você estava de ontem para hoje? – RK pergunta
— Fui falar com Tea – ele fala e eu o encaro – sobre o passado de Silvia.
— Tea? – RK pergunta – a mesma que você queria adotar a criança?
— Você queria adotar uma criança? – Lorenzo pergunta
— Deixa baixo – eu respondo – seu pai cortou o meu barato e você mostrou que não devemos criar outra criança. Erramos muito.
— Eu pensei que – Lorenzo fala – quem sabe se a Silvia descobrisse quem é sua família, ela não teria um paradouro depois que Rogui morrer, do que sair pelo mundo zanzando novamente.
— E você quer descobrir a família dela? – eu pergunto – ela mesmo já disse que não quer.