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O Herdeiro Do Morro [Paixão E Sangue]

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Sinopse

​"Neste morro, o sangue lava a honra e a piedade é uma fraqueza mortal. Ela achou que estava em fuga... mas acabou caindo direto no meu inferno."​Bruno "Kaveira" foi moldado pela dor, pela fome e pela violência. Após arrancar a cabeça dos antigos traidores e assumir o comando absoluto da favela, ele governa com mão de ferro, frieza e sem filtros. Para ele, mulheres são apenas distrações passageiras e a lealdade se mede em cartuchos descarregados. Ele não busca redenção, não pede desculpas e não curva a cabeça para ninguém.​Maya carrega no corpo as cicatrizes de um passado c***l e na mente um segredo perigoso — uma verdade capaz de fazer ruir impérios inteiros. Humilhada, caçada e sem ter para onde ir, ela invade o território de Kaveira em uma tentativa desespero de sobreviver. Ela não busca um salvador; aprendeu da pior forma que só pode contar consigo mesma.​O choque entre os dois é imediato e explosivo. Kaveira não aceita invasores e Maya se recusa a se curvar ao seu tom de comando. Mas quando a facção rival de Marcão "Sombra" começa a cercar o morro e o passado de Maya bate à porta, o perigo iminente acende uma atração proibida, visceral e incontrolável.​Entre noites de desejo sem pudor, tiroteios na madrugada, traições internas e a busca implacável por vingança, eles terão que decidir se destroem um ao outro... ou se unem suas almas quebradas para governar o próprio inferno.

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O Dono da P*rra Toda!
​POV: Bruno "Kaveira" ​O cheiro de pólvora e chuva fraca impregnava o ar da laje. Do ponto mais alto da comunidade, a vista era quase poética para quem olhava de fora: um mar de luzes alaranjadas piscando no meio da escuridão da noite. Mas para mim, aquilo ali não tinha nada de poético. Aquilo era um campo de batalha. Um território conquistado centímetro por centímetro na base do sangue, do ódio e da falta de piedade. ​Puxei o ar devagar, sentindo a fumaça do cigarro rasgar minha garganta antes de soltá-la ao vento. ​— Visão, Kaveira. Os caras da contenção do setor quatro disseram que a movimentação tá estranha lá embaixo, perto da curva do S — a voz de Tubarão quebrou o silêncio. Ele encostou na mureta de tijolo baiano, com o fuzil pendurado no peito e aquele sorriso debochado de sempre nos lábios. — Tão dizendo que viram uns vultos tentando subir pela mata. Será que o Sombra tá querendo testar a nossa paciência de novo? ​— O Sombra sabe que se pisar na minha linha, não volta pra contar história — respondi, sem sequer olhar pra ele. Minha voz saiu firme, grossa, sem margem pra dúvidas. — Manda passar o pente fino. Quem não for morador e tiver vacilando na pista, desce na porrada. Se tiver armado, deita direto. Sem conversa. ​— É pra já, chefe — Tubarão bateu no ombro do colete e já puxou o rádio da cintura pra dar a ordem. ​Eu não nasci com coroa na cabeça. Não herdei esse império de pai rico ou de família estruturada. Tudo o que eu tinha até hoje foi pago com cicatrizes. Levei tiro, perdi amigos, comi o pão que o d***o amassou na infância vendo minha família ser destruída pela miséria e pela covardia de quem devia proteger a gente. Aos doze anos eu já sabia o peso de uma arma; aos dezito, já tinha enterrado mais gente do que muito idoso conhece na vida. Quando passei a perna nos antigos traidores e assumi a liderança desse morro, prometi pra mim mesmo uma única coisa: ninguém nunca mais pisaria no meu pescoço. ​Aqui dentro, a minha palavra era a única lei. Eu não pedia desculpas, não buscava redenção e muito menos me importava com o que o pessoal do asfalto achava do meu jeito. Pra sociedade, eu era um monstro, um bandido sanguinário. Pra comunidade, eu era o cara que garantia o gás, o remédio e a segurança que o Estado nunca trouxe. E pra mim mesmo? Eu era apenas um cara que aprendeu a matar pra não morrer. ​Apaguei a bituca do cigarro no concreto e ajeitei a pistola na cintura. ​— Vou descer pra ver a contenção pessoalmente — avisei, caminhando em direção às escadas de metal que levavam pro andar de baixo da minha casa. ​— Quer que eu vá junto, Kaveira? — Tubarão perguntou, já ajeitando a bandoleira. ​— Não. Fica no radinho e monitora as câmeras do perímetro. Se o Sombra estiver tentando alguma gracinha, eu mesmo quero arrancar a cabeça daquele desgraçado hoje. ​Desci os degraus num ritmo calmo, mas com os sentidos afiados. Minha mente funcionava em alerta constante. Na nossa vida, o erro de um segundo é o suficiente pra te colocar dentro de um caixão de madeira barata. ​O beco estava úmido, o som do pagode distante vindo de um bar lá embaixo se misturava com o barulho dos pingos caindo nas calhas de zinco. Passei por dois vapores que faziam a segurança de uma das esquinas. Os moleques se ajeitaram na hora, baixando a cabeça em sinal de respeito. ​— Forte abraço, chefe — um deles disse, com a voz levemente trêmula. ​Apenas fiz um sinal com a cabeça e continuei andando. Respeito no crime não se pede, se impõe. Se eles sentem medo de mim, ótimo. O medo mantém todo mundo vivo e no seu devido lugar. ​Caminhei pelas vielas estreitas até me aproximar do limite onde a favela encontrava a área de mata fechada. Era o ponto mais vulnerável do nosso território, onde o rival costumava tentar invasões táticas. O silêncio ali era quase incômodo, quebrado apenas pelo coaxar dos sapos e pelo vento balançando as árvores. ​De repente, o som de galhos secos estalando chamou minha atenção. ​Puxei a pistola da cintura em um movimento rápido e fluido, engatilhando a arma sem fazer barulho. O metal frio na minha mão era uma extensão do meu próprio corpo. Abaixei o corpo, me ocultando na sombra de uma parede de alvenaria inacabada, e esperei. ​Se fosse um soldado do Sombra, levaria três tiros no peito antes de conseguir piscar. ​A vegetação se mexeu com mais força. Passos desajeitados, pesados, de alguém que estava correndo desesperadamente e sem nenhuma técnica. Não era uma invasão coordenada. Era alguém em fuga. ​Uma figura emergiu do meio do mato, tropeçando nas próprias pernas e caindo de joelhos na lama do beco. O capuz de casaco grande cobria sua cabeça, mas o som do choro abafado e da respiração descontrolada entregava a exaustão. ​— Por favor... não... — uma voz feminina, fraca e entrecortada pelo cansaço, ecoou no beco escura. ​Aproximei-me devagar, a sola da minha bota fazendo um barulho seco na poça d'água. Parei a meio metro de distância, apontando o cano da arma diretamente para a cabeça da intrusa. ​— Levanta a cabeça. Agora — ordenei, com o tom de voz tão frio quanto a noite. ​A pessoa estremeceu ao ouvir minha voz. Lentamente, com as mãos trêmulas cobertas de lama e arranhões sangrentos, ela puxou o capuz para trás. ​A luz fraca de um poste distante iluminou o rosto dela. E, por um segundo, meu cérebro travou. ​Ela não parecia uma das garotas que costumavam frequentar os bailes do morro. Tinha o rosto sujo de terra, lábios cortados e uma mancha roxa feia na linha do maxilar, indicando que tinha levado uma pancada violenta recentemente. Mas o que realmente chamou minha atenção foram os olhos dela. Eram grandes, escuros e carregavam uma mistura perigosa de pavor e uma raiva indomável. ​Ela estava morrendo de medo, mas não estava implorando pela vida como os outros faziam. ​— Quem é você e o que p***a tá fazendo no meu morro essa hora da noite? — perguntei, pressionando levemente o cano da arma contra a testa dela. ​Ela nem piscou com o toque do metal congelante. Respirou fundo, tentando controlar o tremor no queixo, e sustentou meu olhar. ​— Me mata de uma vez ou me tira da p***a desse caminho — ela respondeu, com uma voz rouca e sem nenhum filtro, cuspindo um pouco de sangue no chão. — Porque se aqueles desgraçados me pegarem, eles vão fazer pior. ​A audácia daquela mulher me pegou de surpresa. Ninguém falava comigo daquele jeito. Ninguém ousava olhar nos meus olhos sem tremer da cabeça aos pés, muito menos uma mulher ferida, caída na lama e com uma arma apontada para o meio da testa. ​— Você tá achando que tá falando com quem, garota? — dei um passo à frente, diminuindo qualquer espaço entre nós, impondo toda a minha altura e presença. — Aqui quem manda sou eu. Se eu quiser te dar um tiro na cara agora e jogar seu corpo pros urubus na mata, ninguém vai nem perguntar seu nome. ​— Então atira — ela desafiou, dando um sorriso amargo, sem um pingo de vaidade, mostrando a força de quem já tinha perdido tudo o que tinha na vida. — Porque eu já vi o inferno de perto, garoto. E garanto que o seu tiro dói bem menos do que o passado que tá atrás de mim. ​Ajustei a pegada na arma. A lógica do crime mandava eu resolver o problema ali mesmo. Uma desconhecida, invadindo a favela pela mata no meio da madrugada, podia ser uma espiã do Sombra, uma x9 mandada pela polícia ou qualquer outra ameaça. Mas tinha algo no olhar daquela mulher que me instigava. Era o olhar de uma sobrevivente. O olhar de alguém que conhecia a dor de verdade, assim como eu conhecia. ​Ouvi passos rápidos vindo pelo mesmo caminho da mata. Dois homens armados surgiram no meio dos arbustos, usando roupas escuras e sem identificação de facção. Quando me viram ali, pararam abruptamente. ​— Olha só... o dono do morro em pessoa — um dos homens disse, arfando, apontando uma fuzil surrado na minha direção. — Entrega a garota, Kaveira. O assunto é com ela, não com você. Ela pertence ao nosso chefe. ​Um riso curto e sem humor escapou da minha garganta. A petulância daqueles vermes em virem até o meu território e tentarem me dar ordens era quase piada. ​— Pertence ao chefe de vocês? — perguntei, baixando a arma da cabeça da mulher e virando o corpo devagar na direção dos dois invasores. — Vocês tão no meu morro, pisando na minha lama e apontando arma na minha cara. Ninguém aqui pertence a ninguém a não ser a mim. ​— Não busca guerra por causa dessa v***a, Kaveira! — o outro ameaçou, dando um passo à frente. ​— O erro de vocês foi achar que podiam latir no meu quintal — murmurei. ​Antes que o sujeito conseguisse puxar o gatilho, fui mais rápido. O som do primeiro disparo cortou a noite com uma violência seca. A bala atingiu a testa do primeiro homem, que caiu duro no chão. O segundo tentou reagir, mas descarreguei dois tiros no peito dele antes que pudesse fazer qualquer movimento. Os corpos tombaram no mato, sujando ainda mais a terra de sangue fresco. ​O silêncio voltou a dominar o beco, quebrado apenas pelo som do meu respirar calmo e pelo arfar assustado da garota atrás de mim. ​Ajeitei a arma na cintura, caminhei até o corpo do homem mais próximo e limpei a sola da minha bota no casaco dele. Depois, me virei para a mulher, que continuava no chão, olhando para os dois cadáveres sem dar um único grito. ​— Você viu o que acontece com quem tenta me desafiar aqui dentro? — perguntei, me aproximando dela e pegando-a pelo braço com força, puxando-a de pé de uma vez só. ​Ela soltou um gemido abafado de dor quando seu corpo machucado ergueu-se, mas não tentou se soltar do meu aperto. Ficamos a centímetros de distância. Consegui sentir o cheiro do suor, da chuva e do sangue misturados nela, junto com um calor estranho que emanava do seu corpo. ​— Eu vi — ela respondeu, encarando os meus olhos com a mesma audácia de antes. — E não estou nem um pouco impressionada. ​Apertei o braço dela um pouco mais forte, sentindo a tensão muscular daquela mulher marrenta. ​— Você vai subir comigo. Vai me contar exatamente quem você é, quem eram aqueles caras e por que p***a eles vieram atrás de você no meu território. E se eu achar que você tá mentindo... o próximo corpo jogado na mata vai ser o seu. Entendeu? ​— Meu nome é Maya — ela disse, sustentando o olhar sem recuar um milímetro. — E você pode tentar me ameaçar o quanto quiser, Kaveira. Mas se acha que eu tenho medo de você, tá muito enganado. ​Um sorriso sombrio se formou no canto dos meus lábios. Essa garota ia me dar dor de cabeça. Uma dor de cabeça gigante. Mas, pela primeira vez em muito tempo, a noite no morro tinha ficado interessante. ​— Vamos ver até quando dura essa sua banca, Maya — murmurei, arrastando-a comigo beco acima. — Bem-vinda ao meu inferno.

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