78

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78 — Urso Narrando O morro nunca dorme, mas tem dia que parece que ele respira diferente. Hoje é um desses dias. Eu tô sentado na laje da casa maior, aquela que todo mundo sabe que é minha, olhando a vista da Penha enquanto o sol já começou a descer devagar, pintando o céu de laranja sujo. O baseado queima entre meus dedos, a fumaça sobe lenta, e eu puxo fundo como se tentasse anestesiar alguma coisa que nem sei explicar direito. Gadernal tá parado na minha frente, falando dos corre do dia, passando informação como sempre faz, organizado, direto, porque ele sabe que comigo não tem espaço pra enrolação. — Chefe, carga da madrugada já tá no ponto. Os alemão tão quieto, mas tão sondando lá pela divisa. A boca três deu problema de manhã, mas já resolvi. E o caixa tá redondo. Eu escuto tud

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