79 — Urso Narrando O baile estava no auge, e a Penha parecia uma panela de pressão prestes a explodir. O grave do funk batia no peito, fazendo o chão tremer, e o cheiro de lança, pólvora e suor empestava o ar. Eu estava ali, no miolo da contenção, de bermuda tactel, minha Kenner no pé e sem camisa, deixando o cordão de ouro de dois quilos brilhar sob a luz dos refletores da quadra. O boné para trás, o rádio no peito fritando e o fuzil atravessado nas costas. Eu era a lei, eu era o dono, eu era o cara que ninguém ousava encarar. — Escuta aqui, p***a! — gritei pro gerente da branca, batendo com um bolo de notas e os pinos de droga na mesa de madeira. — Quero carga dobrada no acesso da Vacário. O movimento tá alto e eu não quero ver fila parada. Se o radinho avisar que a PM tá subindo, é pr

