74 — Juliana Narrando O barulho do monitor cardíaco virou a trilha sonora da minha culpa, um som constante que atravessa o silêncio desse quarto e parece marcar não apenas os batimentos do meu filho, mas cada escolha que eu fiz tentando proteger ele do mundo. Eu nunca imaginei que o silêncio pudesse gritar tanto, mas aqui dentro ele grita, ecoa nas paredes brancas, se mistura ao cheiro de álcool e desinfetante e me sufoca de uma maneira que eu não consigo controlar. Estou sentada numa cadeira dura, encostada na parede fria, sentindo minhas mãos geladas enquanto minha testa queima. Não sei se é febre ou medo, talvez seja só o desespero procurando um lugar no meu corpo. Pedro está deitado na cama, pequeno demais naquele espaço grande demais, e essa imagem me quebra por dentro de um jeito

