75 — Ju — Continuação Eu sento de novo do lado da cama dele e puxo a cadeira pra mais perto, como se diminuir a distância entre a gente pudesse diminuir também o medo que tá esmagando meu peito. Coloco a mão no peitinho dele, sentindo subir e descer devagar, e fecho os olhos porque se eu continuar olhando pra tudo isso eu acho que desmorono de vez. Ele é tão pequeno, Deus. Tão pequeno. Meu filho não sabe nem falar direito o nome dessa doença. Ele nem sabe o que é leucemia. Ele só sabe que tá num quarto branco, que tem agulha no braço e que não pode ir pra casa. Eu seguro a mãozinha dele e começo a falar baixinho, mas não é com ele. É contigo mesmo, Deus. Porque eu já não sei mais pra quem correr. — Senhor… eu nem sei como começar. Minha voz sai tremendo, falhando, mas eu continuo porq

