28 — Urso Narrando O tempo na tranca não passa, ele arrasta. Um mês... trinta dias que parecem trinta anos. Eu tava num nível de ansiedade que nem o cigarro e nem o treino na cela tavam dando conta. A verdade é uma só: eu tava há um mês batendo punheta pra Juliana nas chamadas de vídeo, vendo aquela mulher maravilhosa pela tela do celular e querendo atravessar o visor pra pegar ela de jeito. Eu já não aguentava mais o toque da minha mão, eu queria o toque dela, o calor dela, o cheiro de mulher que só ela tem. Quando me avisaram que a visita tinha chegado, meu coração deu um solavanco que quase saltou pela boca. Me arrumei, botei minha melhor beca de visita e fui pro pátio com o sangue fervendo. E aí, parceiro... aí eu vi o motivo do meu colapso mental. Lá vinha ela, atravessando aquel

