105 — Juliana Narrando Eu acompanhei o Dr. Henrique até a porta com um aperto no coração. Ele estava sendo a nossa tábua de salvação, o único elo com a sanidade no meio desse caos. Dei um sorriso gentil, um agradecimento sincero pelo esforço de estar ali, num lugar onde ele claramente não se sentia seguro. — Obrigada, Doutor. De verdade — sussurrei, abrindo a porta para ele sair com sua maleta. Quando fechei a porta e me virei, o ar da sala parecia ter caído dez graus. O Diego estava sentado na beira da maca, com os braços cruzados sobre aquele peito cheio de tatuagem, me encarando com uma cara de poucos amigos. O olhar dele queimava, misturando deboche com uma irritação que ele nem tentava esconder. — Você é muito grosso, Diego! — soltei, perdendo a paciência. — O homem não tem obriga

