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1260 Palavras

106 — Urso Narrando O silêncio que ficou no quarto depois que a Juliana saiu era diferente. Não era aquele silêncio de solidão que eu carreguei por quatro anos, era um silêncio de preenchimento. Encostei a cadeira bem do lado da maca e fiquei ali, só olhando. O Pedro respirava devagar, o peitinho subindo e descendo, e cada vez que ele soltava o ar, parecia que tirava um peso das minhas costas. Passei a mão no cabelo dele, sentindo aquela maciez que eu nunca tinha sentido antes. De repente, a garganta deu um nó. Eu, o Urso, o cara que não treme pra fuzil, senti o olho arder. Puxei o moleque de leve pro meu peito, abraçando ele com um cuidado que eu nem sabia que tinha nessas mãos calejadas. — Eu te prometo, meu filho... — sussurrei no ouvido dele, a voz embargada. — O pai vai te dar o mu

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