107 — Juliana Narrando Assim que pisei fora da casa da minha mãe, senti que o morro tinha parado para me ver passar. Eu não era mais a menina que fugiu na calada da noite; eu era a mulher que voltou com o herdeiro nos braços. O vestido verde colado e o perfume importado eram meu escudo, mas o carinho do povo... isso era o meu combustível. — Juliana! Meu Deus, como você está linda! — gritou a Dona Cida da janela, com os olhos brilhando. — Estamos todos rezando pelo Pedrinho, viu? Ele vai sair dessa! — Obrigada, Dona Cida! Ele é um guerreiro — respondi, sorrindo e parando para apertar a mão de um e de outro. Era uma procissão. Os moradores saíam na porta, os comerciantes acenavam. "Força, patroa!", "O morro tá com você, Ju!". Eu sentia que, mesmo depois de quatro anos, aquele lugar ainda

