107

1725 Palavras

107 — Juliana Narrando Assim que pisei fora da casa da minha mãe, senti que o morro tinha parado para me ver passar. Eu não era mais a menina que fugiu na calada da noite; eu era a mulher que voltou com o herdeiro nos braços. O vestido verde colado e o perfume importado eram meu escudo, mas o carinho do povo... isso era o meu combustível. — Juliana! Meu Deus, como você está linda! — gritou a Dona Cida da janela, com os olhos brilhando. — Estamos todos rezando pelo Pedrinho, viu? Ele vai sair dessa! — Obrigada, Dona Cida! Ele é um guerreiro — respondi, sorrindo e parando para apertar a mão de um e de outro. Era uma procissão. Os moradores saíam na porta, os comerciantes acenavam. "Força, patroa!", "O morro tá com você, Ju!". Eu sentia que, mesmo depois de quatro anos, aquele lugar ainda

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR