86 — Urso Narrando Mano, o bagulho ficou doido. Eu tava ali, sentado no sofá, com o corpo todo ardendo, sentindo cada vergão que aquela espada de São Jorge deixou no meu couro. Namoral, eu sou o dono da Penha, o cara que os inimigo treme só de ouvir o vulgo, mas na frente da Dona Nádia eu virei um nada. O soco que a Juliana me deu na cara foi de canhota, doeu, cortou meu lábio, mas o p*u que minha coroa me deu... aquilo ali não foi na carne, foi na alma, tá ligado? Eu tava ali sozinho, com as mãos na cabeça, o escritório parecendo uma cela de prisão. O silêncio da casa tava me matando mais que o barulho do fuzil. Eu fechava o olho e vinha a voz da minha mãe ecoando: "Repete que você é um covarde!". p***a, aquilo me rasgou por dentro. Eu, covarde? Eu que encaro o blindado de peito aberto

