109 — Urso Narrando Eu estava me sentindo o dono do mundo. Nem quando eu tomei o controle da Penha pela primeira vez eu senti esse estalo no peito. Sentado ali naquele banco de madeira, com o Pedro no meu colo e o espetinho na mão, eu não era o Urso que o jornal mostrava. Eu era o pai do dono dessa p***a toda. — Come aí, campeão! Tá gostoso? — perguntei, vendo ele morder o pedaço de alcatra com uma vontade de quem passou a vida comendo comida sem sal de hospital. — Tá muito bom, papai! — ele respondeu, com o rosto todo sujo de farofa. Mas a Juliana... ah, a Juliana é um teste de paciência. Ela não parava um segundo. Parecia um drone em cima da mesa, vigiando cada milímetro do que o moleque botava na boca. — Diego, olha isso aqui! — ela puxou o espeto de frango da mão dele. — Tá rosa

