169 -- Manoela Narrando Cheguei na loja com o estômago embrulhado, parecendo que eu tinha engolido uma pedra. O morro tava estranho, sabe? Um silêncio que não é de paz, é de medo. Onde eu passava, via os moleques nos acessos com o rádio colado no ouvido, mas ninguém dava um pio. Quando abri a porta da loja, a Juliana já tava lá. Ela tava com uma cara de quem não dormia há três encarnações. Olheira funda, o cabelo meio desgrenhado, e o olho... o olho dela tava vidrado, olhando pro nada atrás do balcão. — Amiga... — falei, chegando perto e botando a mão no ombro dela. A Ju deu um pulo, assustada. Quando viu que era eu, desabou num suspiro que parecia que ia carregar o pulmão junto. — Pelo amor de Deus, Manu! Tu tem notícia? O Diego falou contigo? O Gardenal te disse alguma coisa? — ela

