170 -- Juliana Narrando Eu não conseguia mais nem dobrar uma blusa direito. Minhas mãos tremiam, mas não era de medo, era de um ódio que subia do dedão do pé e explodia no topo da minha cabeça. Eu olhava pro celular da Manu e a imagem daquele pé preto naquele chinelo caro não saía da minha retina. — Meu amor, eu não acredito! — soltei, jogando um cabide no chão com toda a minha força. — Eu não acredito que esse arrombado desse macaco, esse gorila, esse King Kong, tá lá no asfalto com outra mulher enquanto eu tô aqui me acabando de chorar! A Manu me olhava assustada, mas eu não conseguia parar. O veneno de Oxum tinha virado o puro dendê de Iansã. Eu aqui, achando que ele tava numa casa de apoio sofrendo, em luto pelo que aconteceu, chorando as pitangas porque a mulher dele supostamente

