FERA NARRANDO . Eu levantei da cadeira já sem paciência, empurrando ela com o joelho pra trás. Passei por ela sem olhar, indo direto no cofre cravado na parede, atrás do quadro torto que eu nunca arrumava. Meu corpo já se movia sozinho, no automático, como se aquela cena fosse só mais uma repetição de tantas outras. Dinheiro sempre foi a resposta mais fácil. Dinheiro calava, resolvia, afastava. Ou pelo menos dava a ilusão disso. — Tá, fala aí quanto que você quer, então. Minha mão já tava no código quando a voz dela cortou o ar da sala. — Eu não quero dinheiro. Eu travei. Literalmente. Os números ficaram borrados na minha frente. Aquela frase bateu diferente. Não veio com choradeira, nem com joguinho. Veio firme. Direta. Do tipo que incomoda porque não dá brecha pra desviar. Virei

