FERA NARRANDO . Eu fiquei alguns segundos encarando o Sombra em silêncio. Ele tava sentado na minha frente, cotovelo apoiado na mesa, mexendo no isqueiro como quem tenta ganhar tempo. Conhecia aquele jeito. Quando ele ficava assim, era porque vinha merda grande. — Fala logo, cařalho — eu disse, impaciente. — Tu fez uma merdä grande não foi? Ele soltou o ar devagar, como se estivesse se preparando pra um tiro. — Então… eu tava ficando com uma mina do morro. Arqueei a sobrancelha. — Ficando como, porřa? Ficando é o que mais tem por aqui. — Não é qualquer uma, não — ele respondeu, sério. — É a Maju. O nome bateu na hora. — A Maju? — repeti. — Filha da Dona Lica? Da lanchonete? Ele assentiu, sem me encarar. Encostei as costas na cadeira, cruzando os braços. — Tá… e o que que deu

