Capítulo 6

2290 Palavras
Melinda Eu faço o meu melhor para impedir que essa mulher — Casey, eu acho — me arraste para outra sala, mas ela é muito mais forte do que eu e basicamente me carrega para minha nova prisão como se eu fosse um saco de farinha. Ela me joga sem cerimônia no carpete e caminha em direção à porta. — Por favor, não me tranque aqui — imploro. — Por favor, me solte. Não vou contar a ninguém. Juro. Casey para na porta e vira a cabeça levemente. — Você não pode sair até que o Don diga que pode. Volto mais tarde com comida. Com isso, ela fecha a porta. Ouço um clique quando a fechadura gira, e então os passos de Casey somem. Corro para a porta e bato nela, com os nós dos dedos doendo e ficando vermelhos. — Alguém me ajude! — grito. — Por favor! Me tirem daqui! Somente o silêncio responde aos meus apelos. Enrolo-me como uma bolinha, lutando contra o terror que ameaça me dominar. Consegui escapar de um captor, mas acabei caindo nos braços de outro. Mas eu tinha saído da casa dos Lewis. O que significa que também posso sair daqui. Desistindo da porta, viro-me e observo o quarto. É uma réplica exata do quarto anterior em que estive, só que com chinelos. Lençóis felpudos adornam a cama de dossel, e à esquerda do quarto há uma porta que leva a um banheiro. Endireitando os ombros, corro para a janela panorâmica com vista para a cama. O alívio me invade quando consigo abri-la, e o ar frio me atinge no rosto. Olho para baixo e vejo que estou pelo menos no segundo andar. Escapar daqui não seria tão fácil quanto foi na casa dos Lewis. Não consigo pular sem me machucar seriamente. O que fazer? Meus olhos pousam nos cobertores da cama e uma ideia me ocorre. Se eu amarrar lençóis, toalhas e cobertores suficientes, conseguirei fazer uma corda improvisada longa o suficiente para descer. Corro pelo quarto, recolhendo qualquer tecido que encontro: lençóis da cama, toalhas fofas do banheiro e um cobertor extra que está na gaveta de baixo da cômoda. Meu coração dispara enquanto entrelaço os materiais em uma corda improvisada, olhando por cima do ombro para a porta trancada. Casey disse que voltaria com comida, mas não disse quando. Vou ter que trabalhar rápido. Estendo dois lençóis — maravilhada com a maciez deles — e amarro as pontas com um nó bem apertado. Repito o processo com cada conjunto de pontas, enquanto minha corda improvisada vai ficando cada vez mais comprida. Enquanto trabalho, minha mente não consegue deixar de pensar em Matthew Ele me assusta, mas também me sinto estranhamente atraído por ele. Não entendo como posso ser assim, considerando que ele acabou de me capturar. Mas ele me salvou da pessoa armada. Ele poderia ter me deixado na rua para o Brice ou os Lewis encontrarem. Mas não o fez. Mesmo que suas intenções não fossem as melhores, ele ainda me trouxe para um lugar seguro. Pelo menos aqui, não preciso me preocupar em ser vendida como gado. Pelo menos acho que não preciso. Paro de tecer, tremendo, embora não tenha certeza se é por causa do ar frio que entra pela janela aberta. Não acredito que estou realmente considerando esse lugar — a casa do Matthew — seguro. Pelo que sei, ele pode ter alguma masmorra onde planeja me trancar. Ou pode mandar me matar. Mas qualquer coisa seria melhor do que ficar com os Lewis e ser vendida para a Irmandade. Tremo de novo, sentindo a náusea me invadir. Sempre foi evidente que os Lewis nunca gostaram de mim de verdade e sempre me trataram como uma qualquer, sem nenhuma afeição verdadeira. Eu era a estranha olhando para dentro. Minhas roupas eram de segunda mão da Alicia, e ela sempre recebia as porções maiores de comida, os brinquedos melhores. Alicia ganhava as férias luxuosas enquanto eu ficava em casa. A única vez que os Lewis me tratavam bem era quando sabiam que minha assistente social viria para sua visita trimestral. Layse sempre deixou bem claro, com sua fria indiferença e comportamento negligente, que eu era um fardo do qual ela se ressentia, e Marlon era muito intimidado e apático para intervir ou mesmo demonstrar um pingo de carinho ou gentileza. Então, por que me odeiam tanto? Se nunca quiseram um segundo filho, por que me resgataram dos meus possíveis sequestradores? E o que eu fiz com a Alicia? Será que foi porque ela me via como uma intrusa, uma ameaça ao amor e à atenção dos pais dela? E, apesar de tudo isso, não fiz nada de errado que pudesse provocar a antipatia deles, que eu possa compreender. Me esforcei muito com tarefas domésticas, tirei boas notas na escola e fiquei longe de problemas. Sempre fui educada e prestativa, na esperança, contra todas as esperanças, de que, se eu me esforçasse o suficiente, trabalhasse duro o suficiente, provasse meu valor — talvez então, os Lewis finalmente me aceitassem. Talvez então, eu pudesse ter a família que tanto desejava. Lágrimas queimam meus olhos. O que há de tão fundamentalmente errado ou tão indesejável em mim? Por que os Lewis me odiavam tão visceralmente quando eu já tinha feito tudo Para ser a filha adotiva perfeita e grata? Por que eles me trairiam da pior maneira possível, tentando me vender pelo maior lance? Não entendo. Talvez nunca entenda. É em momentos como esse que sinto tanta falta da minha mãe que sinto uma dor física no peito. Embora eu m*l consiga me lembrar da aparência dela, ainda me lembro da sensação das suas mãos enquanto ela acariciava meus cabelos, do cheiro do seu perfume quando me aconcheguei em seu pescoço e do calor do seu corpo enquanto ela me abraçava. Ela me amava incondicionalmente, e eu nunca me senti um fardo ou sozinho quando estava com ela. Quando as coisas estavam realmente ruins, eu sonhava que minha mãe batia na porta, pronta para me levar para casa, para um lugar onde eu estivesse segura e fosse verdadeiramente amada. Fungando, levanto-me, segurando minha corda cheia de nós nas mãos. Não consigo me concentrar no passado. Agora, minha única esperança é que essa corda seja longa o suficiente. Jogando a corda pela janela, observo enquanto ela se desenrola na escuridão. Para minha felicidade, a corda balança a uns três metros do chão. Xingo baixinho e corro para a cômoda. Vasculhando cada gaveta, retiro triunfantemente outro lençol de cima. Rapidamente, incorporo o lençol à minha corda improvisada, entrelaçando as pontas nas aberturas do nó do lençol. Estico a corda até ficar firme. Parece precária, como se uma boa rajada de vento fosse suficiente para desatar os nós, mas terá que servir. Preciso confiar que meus nós estão firmes o suficiente. Passos ecoam pelo corredor, e eu congelo, com o coração batendo forte no peito. Mesmo que eu pudesse esconder a corda, a cama despida, o banheiro vazio e as gavetas abertas da cômoda revelam minha mentira. m*l consigo respirar enquanto ouço os passos ficarem mais altos, antes de diminuírem conforme a pessoa no corredor se afasta. Solto a respiração, os joelhos tremendo enquanto me encosto no colchão. Foi por pouco. Preciso sair daqui agora. Amarro rapidamente uma ponta da corda na coluna de madeira maciça mais próxima da janela, prendendo-a o mais firmemente possível. Dou um puxão firme para testar sua resistência, vou até a janela e olho para baixo. Embora eu nunca tenha tido medo de altura, a percepção do que estou prestes a fazer me atinge como uma tonelada de tijolos e minha visão de repente fica turva. Com uma respiração profunda e trêmula, jogo a corda pela janela e balanço uma perna sobre o parapeito. A porta se abre de repente e Matthew entra na sala. Eu congelo, meu coração batendo forte nos ouvidos. Tarde demais. Demorei muito. Matthew pisca para mim, como se não acreditasse no que estava vendo. Seus olhos percorrem o quarto, observando a cama desfeita e eu empoleirada no parapeito da janela. Seu rosto se contorce de raiva. — Vai a algum lugar? — pergunta Matthew, dando um passo ameaçador para dentro do quarto. Abro a boca, mas nenhuma palavra sai. Só consigo me agarrar ao batente da janela, tremendo, enquanto ele avança. Em pânico, jogo a outra perna por cima da borda, lutando desesperadamente para me apoiar na corda improvisada. Mas Matthew se move com uma velocidade assustadora, encurtando a distância em quatro passadas. Ele fecha as mãos em meus pulsos, puxando-me com força de volta para o quarto. Caio no colchão, ofegante enquanto o ar sai do meu corpo. Antes que eu possa respirar novamente, estou presa contra a parede, o corpo de Matthew pressionado contra o meu para garantir que eu não possa escapar, meus braços erguidos perto da cabeça, suas mãos envolvendo meus pulsos. — Você tá de brincadeira comigo? — Matthew, rosna, com o rosto a poucos centímetros do meu. — Você achou mesmo que ia conseguir escapar de mim? Eu deveria estar apavorada com sua proximidade e raiva, mas me sinto dominada pela atração que sinto por ele. O fato de ele estar incrivelmente bonito agora não ajuda em nada. O terno que ele está usando é inegavelmente caro e lhe veste como uma luva, abraçando seus ombros largos e afinando para acentuar seus quadris e cintura estreitos. — Responda à minha pergunta, Melinda — ele sussurra no meu ouvido, me fazendo estremecer. Arrepios percorrem minha pele. — Sim, achei que conseguiria escapar — sussurro, com a cabeça inclinada para trás, expondo minha garganta. Matthew rosna baixinho e, caramba, o som é incrivelmente sexy. — Eu devia te amarrar na cama usando aquela sua escada de corda. Por que isso me emociona tanto? Minhas bochechas ficam vermelhas enquanto pensamentos indesejados sobre o que Matthew poderia fazer comigo enquanto estou amarrada passam pela minha cabeça. Mesmo com a fúria de Matthew, percebo que ele toma cuidado para não agravar nenhum dos ferimentos deixados por Brice. Embora eu esteja pressionada contra a parede, minhas costas não doem, e ele faz questão de não tocar na minha bochecha machucada. Ele se afasta apenas o suficiente para que nossos olhares se encontrem, e toda o autocontrole se dissipe. — Vai correr de novo? — ele pergunta, a voz baixa, rouca, carregada de algo que não sei nomear. Balanço a cabeça, tremendo. — N-não. Mas e se eu corresse? Será que ele me pegaria? O que ele faria comigo? Só de pensar nisso, meu pulso acelera. O calor úmido que se acumula entre minhas coxas se transforma em uma dor visceral e imediata. Quero apertar as pernas, me contorcer, mas não ouso — não quero que ele perceba o quanto me excita. Matthew recua um pouco e solta meus pulsos, permitindo que meus braços caiam frouxamente ao lado do corpo. Seus olhos não se desviam dos meus enquanto ele tira o paletó e o joga na cama. Meu coração dispara quando vejo seus dedos trabalhando com calma no colarinho, puxando a gravata de seda com um movimento seguro, antes de desabotoar o botão de cima da camisa branca impecável. O vislumbre de pele bronzeada e firme, a promessa de músculos definidos por baixo do tecido, envia uma descarga elétrica de puro desejo pelo meu corpo. Cada célula minha está viva, vibrante, pulsando com a presença dele. Isso é pior que tortura. Meu corpo inteiro está dolorosamente consciente de cada movimento dele. Quem se importa se ele é m****o da Máfia? Se destruiu vidas ou se está disposto a destruir a minha? Nenhum pensamento racional sobrevive quando tudo o que resta é essa necessidade feroz e urgente que sinto por ele. O olhar de Matthew me percorre como fogo líquido, deixando um rastro de calor e vergonha. Ele estuda cada detalhe do meu rosto, cada respiração que falha, cada curva do meu corpo tenso contra a parede. Ele se inclina mais, a voz arranhada, um rosnado suave contra a pele sensível da minha garganta. — Onde você aprendeu a amarrar uma corda assim? — Sua barba por fazer roça contra meu pescoço, mandando arrepios de prazer direto para meu núcleo. Engulo em seco, o desejo latejando entre minhas pernas. — E-eu aprendi há muito tempo — sussurro, minha voz tão fraca quanto a força que resta em meus joelhos. — Por quem? — ele insiste, a proximidade dele deixando meu cérebro em chamas. Lembro, surpresa por ainda conseguir pensar. — Um homem com quem trabalhei. Um velho marinheiro — admito, quase sem fôlego. Ele não diz nada, mas se move de novo, seu corpo roçando o meu, tão perto que posso sentir o calor da pele dele queimando através da fina camada de tecido que nos separa. Luto para não gemer, para não ceder ao impulso de inclinar a cabeça e oferecer minha boca para ele. O cheiro da colônia dele me envolve, quente e levemente amadeirado, deixando minhas pernas ainda mais fracas. Quando seus lábios pairam perto dos meus, meus olhos se fecham, os lábios entreabertos, esperando. Mas ele não me beija. Ele para, tão perto que posso sentir o toque fantasma dos seus lábios, mas não o bastante para me satisfazer. — Você não foi honesta comigo, Melinda White — ele sibila, cada palavra como uma promessa de perigo. — Por que diabos a Irmandade te quer tanto? Sinto meu corpo estremecer, a confusão e o medo se misturando ao desejo quente e incontrolável que me devora por dentro. Eu deveria mentir, mas não sei se consigo. O olhar de Matthew me atravessa como uma lâmina, afiado e implacável, e sei que ele não vai aceitar nada menos que a verdade.
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