Matthew
Essa garota é uma maldita súcubo.
A raiva que senti ao olhar para o rosto de Melinda na fotografia era indescritível. Meu maxilar estava tão cerrado que parecia que meus dentes iriam se estilhaçar. As palavras me faltaram naquele momento, e todos os pensamentos coerentes e a capacidade de me articular foram por água abaixo. Era uma fúria tão intensa e avassaladora que transcendia qualquer tentativa de colocá-la em palavras.
Ela mentiu para mim. Eu perguntei se ela sabia da Irmandade, e ela teve a audácia de olhar direto nos meus olhos e mentir.
Vicentepercebeu o quanto eu estava puto, porque imediatamente assumiu o controle da conversa com o tio Augusto e o Samuel , me deixando sozinho, em silêncio e em choque. Ela me enganou pra c*****o. E você não mexe com o Matthew Martinelli e sai impune.
No caminho de volta para a mansão, ordenei que Vicentee Casey ficassem bem longe do quarto de Melinda, porque eu mesmo iria lidar com ela.
Ela não ia se safar mentindo para mim. Não acredito que me deixei enganar por aquele olhar inocente, por aqueles olhos grandes e ansiosos que fingiam ignorância.
Samuel Ferrari não pede ajuda se a pessoa que ele quer não for importante. Então, só existem duas possibilidades: ou Melinda é uma retardada i****a ou ela está mentindo para mim.
E eu aposto que ela está mentindo para mim.
Bom, ela vai aprender rápido. Você não mente para mim. Eu sou o Don dos Martinellis por um motivo. Vou conseguir minhas respostas — ou ela vai acabar no fundo do rio, como manda a tradição.
Quando abri a porta do quarto dela, encontrei o lugar em desordem e Melinda pendurada para fora da janela, olhos arregalados como um cervo encurralado. Uma fúria incandescente incendiou meu peito no instante em que percebi que ela estava tentando escapar. Ela amarrou lençóis como corda, como se estivesse em um filme barato.
Isso confirmou minhas suspeitas: ela não é burra. Só é uma mentirosa.
Minha raiva transbordou quando a puxei de volta e a prendi contra a parede. Mas então, quando ela olhou para mim com aqueles olhos castanhos salpicados de dourado, arregalados e cheios de medo, minha mente parou. Seus lábios carnudos estavam entreabertos, ofegantes, tão próximos que tudo que eu queria era me inclinar e tomá-los para mim.
Toda a fúria que me consumia começou a derreter, transformando-se numa necessidade quase desesperada de tocá-la, de senti-la contra mim. Meu coração batia rápido, minha boca secou.
Por que eu vim aqui mesmo? Eu deveria estar gritando, mas tudo que consigo pensar é no gosto que ela deve ter.
Para recuperar o controle, afasto-me um pouco e começo a tirar o paletó e a gravata, como se precisasse de espaço para pensar. Mas não posso deixar de notar como ela me observa, como seus olhos percorrem cada movimento meu enquanto desabotoo o botão da camisa.
Faço questão de encarar aqueles lábios e o vestido curto que m*l cobre o suficiente, realçando cada curva que me faz perder a cabeça.
Ela morde o lábio, tentando esconder o gemido. Um sorriso surge no canto da minha boca. Ah, então ela está excitada. Com isso, eu sei lidar. O desejo, afinal, sempre acaba revelando a verdade.
Minha pele roça na dela quando me inclino, o queixo raspando em seu pescoço. O cheiro suave do seu perfume é tão tentador que tenho que usar toda minha força de vontade para não começar a beijá-la ali mesmo. Meu p*u se contrai, mas eu respiro fundo. Ainda não. Primeiro, preciso das respostas.
— Você não foi honesta comigo, Melinda White — sussurro, minha voz rouca. — Por que diabos a Irmandade te quer tanto?
Ela empalidece, ofegante, os olhos arregalados.
— C–como você sabe meu sobrenome? — ela sussurra, as pupilas se movendo nervosamente.
Sorrio com crueldade, tirando um envelope pardo e atirando para ela. — Abra.
Ela obedece. Rasga o contrato e deixa as fotos caírem. Quando vê seu próprio rosto estampado ali, o medo toma conta.
— Eu... onde você conseguiu isso? Quem tirou essa foto? — A voz dela falha quando a histeria toma conta.
— Não. Não tem mais perguntas pra você, Melinda White — rosno. — Por que a Irmandade te quer?
— Eu não sei! — Ela grita, a frustração e o medo estampados em cada palavra. — Eu juro, não sei! Eu só ouvi esse nome hoje, quando Brice...
Ela para de repente, os lábios se fechando como se percebesse que falou demais.
Eu sorrio, um sorriso frio e calculado. — Brice Reynolds, certo?
Ela empalidece, a boca se abre. — Como você sabe...?
Aponto para o contrato no chão. — Você quer proteger alguém que tentou te vender pra Irmandade. — Dou uma risada curta e sem humor. — Você realmente achou que eu não ia descobrir, Melinda? Você acha que eu sou i****a?
Melinda balança a cabeça rapidamente, os braços envolvendo seu corpo como se quisesse se proteger de mim. — Não...
Levanto o queixo dela com um dedo, forçando-a a me encarar. Aquele enorme hematoma na bochecha me lembra que tenho mais perguntas.
— Quem te machucou, Melinda? Foi o Brice?
Ela fecha os olhos, mas concorda com a cabeça.
Eu respiro fundo, segurando o ódio que me consome. Finalmente, estamos chegando a algum lugar.
— Conte-me tudo que aconteceu antes de eu e Vicentete encontrarmos. — Minha voz sai baixa, perigosa. — E não omita nada. Vou saber se você mentir — e, se isso acontecer, ele vai se arrepender.
Ela treme, mas inspira fundo e finalmente começa a falar. Palavras dolorosas e hesitantes, mas cada uma delas cheia de verdade. Ela me conta sobre a morte da mãe, sobre os Lewis, sobre Brice e como ele a agrediu enquanto todos ficavam calados, conspirando para vendê-la. Me conta como escapou do porão e como quase alcançou a liberdade antes de eu encontrá-la.
Minha raiva cresce a cada detalhe, a cada vez que seus lábios tremem. Cerro os punhos, lutando contra o instinto de sair dali e caçar cada um desses desgraçados.
— Então eu fugi — ela sussurra, exausta. — E eu estava tão, tão perto, quando aquele homem me encontrou. Foi aí que você apareceu.
A história dela é um soco no estômago. Mas ainda não responde por que Samuel Ferraria quer tanto.
Ela apenas balança a cabeça, desesperada. — Eu não sei — repete, a voz embargada. — É a primeira vez que ouço esse nome.
Por algum motivo, eu acredito nela. Casey me mataria por isso, mas Melinda está tão quebrada que não vejo como ela poderia fingir.
Não é exatamente segredo que a Irmandade se envolve com tráfico humano, mas essa é a primeira vez que vejo de perto o rosto de alguém que seria vendido como mercadoria. Meu estômago revira.
O tio Augusto diria para entregá-la logo para não perdermos nossa parte. Mas eu não quero. Quem quer que seja o comprador, ele nunca vai ter Melinda. Não vou deixar.
Ela me provoca, me enlouquece, mas também desperta algo em mim que eu não consigo ignorar.
Ela é como fogo — e a única coisa que eu sei é que não posso permitir que alguém mais a toque.
— Não, essa timidez é apenas uma técnica de sobrevivência. Pessoas sem graça passam despercebidas com muito mais facilidade do que as apaixonadas.
— O que você vai fazer comigo? — pergunta Melinda, com a voz trêmula. — Por favor, não me mande para a Irmandade ou para os Lewis. Eu… eu faço qualquer coisa.
Eu realmente não sei o que vou fazer com ela. Embora a ideia de vendê-la me cause repulsa, também sei que mantê-la aqui é perigoso. Se o Samuel descobrir que sua preciosa virgem desaparecida está escondida aqui, ele vai declarar guerra para recuperá-la.
E nós não podemos nos dar ao luxo de uma guerra agora. Não quando a Indomáveis provavelmente se juntaria à Irmandade para garantir nossa destruição.
— Não sei — admito, franzindo a testa enquanto vejo seu rosto se fechar e ela se encolher. Por que minha honestidade me faz sentir como um pedaço de merda?
O toque repentino do meu telefone me arranca dessa introspecção desconfortável. Levo o aparelho ao ouvido, de costas para Melinda, para não ver sua expressão desolada e assustada.
— Matthew — digo secamente.
— Chefe! — grita uma voz frenética, e tenho que afastar o telefone para não estourar o tímpano. — Chefe! A Indomáveis está aqui e atirando em todo lugar!
Ouço uma salva de tiros à distância, depois o grito do homem antes da linha cair.
— p***a! — Grito, fazendo Melinda pular de susto. Mas não me importo agora. Preciso agir.
A porta se escancara e Vicentee Casey aparecem, rostos pálidos, celulares ainda em mãos. Eles também receberam a notícia.
— Vincente, vamos — ordeno, pegando as armas que ele joga para mim. — Casey, você fica e vigia a Melinda.
— O quê? — Casey sibila, largando o celular e cerrando os punhos. — Eu não sou babá, Matthew! Sou sua subchefe. Está me mandando ficar com ela porque sou mulher?
Minha irmã está mesmo me acusando de misoginia? Sério?
Aponto para Melinda, que está encolhida junto à parede. — Ela tentou escapar usando uma maldita escada de corda. Você é a única que pode impedi-la se decidir ser estúpida de novo.
Casey bufa, mas sei que ela entende. Eu não tenho tempo para lidar com seus protestos.
Inclino a cabeça para Vincente. — Reúna os homens e prepare o carro. Não temos tempo a perder.
Passo pelas portas do meu armazém, com Vicentee meus guarda-costas me flanqueando, armas em punho. O interior escuro parece engolir todos os sons, exceto o eco dos nossos passos.
— Tenho um mau pressentimento sobre isso — murmura Vincente, varrendo o perímetro com o olhar. — Está muito silencioso.
Concordo. Onde estão os meus homens? Não deveria haver cadáveres espalhados pelo chão?
De repente, um estrondo de tiros de metralhadora ecoa da passarela acima. Meus homens revidam instantaneamente, balas cortando o ar enquanto Vicentee eu nos jogamos atrás de uma pilha de caixotes.
— É uma armadilha do c*****o! — rosno, a voz quase perdida no barulho ensurdecedor. Saco minha 38 do coldre de ombro e disparamos às cegas.
— Vá pela esquerda! — Vicentegrita, saindo de trás da caixa e se ajoelhando para atirar.
Cerro os dentes e corro para o próximo esconderijo, disparando rápido. Vejo cadáveres caírem uma a uma, e por um segundo sinto uma satisfação sombria. Isso só pode ser a Indomáveis . Ninguém mais teria coragem — ou seria tão e******o — de começar um tiroteio comigo.
Recarrego minha arma com um estalo e volto a erguer a cabeça. Bam, bam, bam. Três soldados da Indomáveis desabam no chão, o som dos corpos ecoando no cimento frio.
Então sinto. Uma dor insuportável explode no meu ombro, me fazendo tropeçar para o lado. O sangue escorre quente e viscoso pelos meus dedos enquanto tento manter o foco.
Outra dor, ainda pior, me atravessa o quadril. Cambaleio, as pernas cedendo sob o peso do impacto. Um gosto de metal me enche a boca. Minhas mãos tremem e eu desabo no chão duro, os tiros soando ao longe como trovões distantes.
Minha visão escurece nas bordas, mas me forço a manter os olhos abertos. Tento erguer a arma mais uma vez, mas meus músculos não respondem. O teto de concreto parece girar acima de mim.
Deve ser assim que se morre, penso, enquanto a dor consome tudo e a escuridão me envolve. E, mesmo no limiar da morte, só um pensamento persiste: Melinda.