Capítulo Final

4211 Palavras
       Durante o resto do dia, eu só conseguia pensar em tudo o que Henry disse e tudo o que aconteceu. Meu coração estava em pedaços e todos os planos que tínhamos juntos, não existiam mais. Fui chamada atenção algumas vezes durante a cena. Assim que concluímos, John me alertou que teríamos uma pequena reunião amanhã com o elenco. Ele me adiantou algumas coisas e disse que eu não precisava ir. Era só para falar sobre as gravações da segunda parte do filme. Decidi que não iria. Essa era a melhor coisa a se fazer no momento. Olhar pra Henry não iria me fazer bem. Voltei para o hostel e passei o resto da noite deitada na cama. Não jantei, não levantei para tomar banho, não conseguia fazer nada além de chorar. Peguei no sono sem nem sequer notar. - Quer saber? Eu vou. — Falei a mim mesma enquanto encarava o espelho. — Eu não vou perder nada mesmo.            Vesti a melhor roupa que encontrei. Chamei um Uber e desci assim que ele avisou que estava na entrada. Senti um leve puxão no meu braço.    - Não vai me esperar?    - Tia Johanna? O que você está fazendo aqui? — Meus olhos arregalaram. Eu simplesmente achei que eu ainda estivesse com sono ou tivesse exagerado no remédio de ansiedade. Só que eu não estava. Era real. Tia Johanna magicamente havia reaparecido. Como num passe de mágica. —    - Eu ainda sou sua agente, não sou? — Ela entrelaçou nossos braços, me levando até o Uber. — Desculpe pelo sumiço. — Ela piscou. — Estava resolvendo algumas coisas.    - Você sumiu por semanas. — Falei, incrédula. — Eu fiquei sem ter onde morar, sem dinheiro, sem ninguém praticamente.    - E o Henry? — Ela deu um sorrisinho. —   - Eu não o tenho mais. — Encarei o chão. — As filmagens acabaram. E eu preciso ir, tenho reunião. Depois conversamos, está bem? Se você não sumir de novo com todo meu dinheiro, é claro.    - Não se preocupe. Já sei de tudo, vou cuidar para que a sua entrevista não vá ao ar amanhã.             Ela fechou a porta do carro e segui viagem. Assim que cheguei no local da reunião, percebi o clima um tanto triste. Soava como uma despedida. Havia uma enorme faixa escrita "Nos vemos em breve" mas eu me sentia como no último dia de aula do ensino médio. Algumas pessoas estavam sentadas em algumas mesas redondas de plástico, enquanto as outras conversavam em pé e bebiam cerveja. Assim que notaram minha presença, John veio até mim.    - Anna! Achei que não viesse! — Ele estava visivelmente alterado pelo álcool. Era muito notável. —   - Oi, resolvi vir. — Dei um sorriso, que logo se desfez após meus olhos esbarrarem nos de Henry. Ele rapidamente virou o rosto e voltou a conversar com algumas pessoas que estavam ao redor da churrasqueira. — Me atrasei? — Tentei me recompor. —    - Não. Sempre a tempo. PESSOAL! A ANNA VEIO! — John estava gritando e chamando bastante atenção. Henry continuou imóvel virando algumas carnes na churrasqueira.   - John... você não precisa fazer isso.            Uma das maquiadoras veio me salvar. Ela me tirou dos braços de John e me levou até um lugar mais reservado. Paramos em frente a um lago enorme que ficava no quintal de John. É, ele era muito rico a ponto de ter um quintal gigantesco e ainda por cima com um lago. Que inclusive, tinha alguns patos.    - Obrigada. — Sorri. —   - Não te salvei do John. Te salvei do Henry e do clima tenso que estava entre vocês dois. — Ela cruzou os braços. —    - Ah... não, não... que clima o que... só...    - Você não precisa mentir para mim. Não vou vazar nada para a imprensa. — Ela sorriu. —    - Destiny... não existe mais nada entre eu e o Henry. Desde ontem. — Suspirei fundo. —    - Como assim? Vocês estavam tão bem.           Contei toda a situação para Destiny. Ela ficou chocada, permaneceu ao meu lado e repudiou totalmente a reação de Henry.    - Eu nunca pensei que ele fosse ser assim, Anna. Como você está? — Ela segurou meus ombros. —    - Eu.... Eu estou bem, eu acho... eu acho que estou bem sim. — Falei enquanto olhava para cima e tentava fazer com que não fosse notável os meus olhos lacrimejando. Mas foi em vão, logo uma lágrima involuntária escorreu pelo canto do meu olho. —    - Vai ficar tudo bem. — Destiny me abraçou. — Não precisa chorar. Vem, vamos para a festa. Hoje é dia de se despedir de acordar cedo, ficar horas na maquiagem e repetir cenas. — Ela me puxou, voltamos para o tumulto da reunião. —                 Procurei Henry no tumulto da festa. Mas não o encontrei, comemorei em pensamento. Após algumas doses de tequila, resolvi ir ao banheiro aliviar um pouco. Me arrependi amargamente. Bati de frente com Henry, que segurava uma garrafa de Johnnie Walker.    - Por pouco, gata. — Ele sorriu cinicamente. —    - Com licença, eu só quero usar o banheiro. — Henry estava parado na frente da porta. Eu estava evitando contato visual com ele. —   - Claro, madame.          Ele se afastou e eu pude entrar no banheiro. Antes de fechar a porta, um impulso me fez voltar. Encarei Henry que ainda estava parado e encostado na parede, visivelmente bêbado.    - Não se preocupe. A entrevista não vai ao ar. Você não vai passar por essa humilhação. — Ele me encarou por alguns segundos e foi embora, ignorando completamente qualquer palavra que eu havia acabado de dizer. — m***a.                Depois do papelão que passei na festa eu decidi ir embora. Destiny me acompanhou enquanto eu esperava o Uber. Me despedi de todos, exceto Henry e segui minha viagem. Eu não sabia o que seria agora. Apesar de ter muitos assuntos para tratar com tia Johanna, eu me sentia perdida. Sentia que depois que tudo isso havia acabado, eu não tinha mais nada o que fazer. Eu iria voltar pra Miami e esperar seis meses para que o filme estreasse. Daqui a seis meses eu veria o rosto de Henry. Provavelmente eu iria superar tudo isso e chegar tão linda quanto quando parti. Cheguei no hostel e tia Johanna estava me esperando na minha suíte com algumas papeladas.    - Assina aqui. — Ela me entregou um contrato e uma caneta. — Não se preocupe, não vou roubar seu dinheiro, mas se preferir, pode lê-lo.             Passei alguns minutos lendo o contrato.   - Netflix? — A encarei. —   - Sim. —Ela sorriu satisfeita. — De nada.    - Tia, você não pode aparecer assim do nada após sumir e me deixar sem um centavo. Onde você estava?  — Sua expressão mudou. —    - Anna, eu não sumi com seu dinheiro. Eu o coloquei em um lugar seguro. Você pode pega-lo quando quiser. — Ela me entregou um cartão. — Está nesse banco. Eu nunca faria isso com você.    - Tia, você só voltou porque eu notifiquei a polícia, não foi? — Arqueei uma sobrancelha. —   - Anna...  Claro que não. — Ela recuou. — Eu voltei com um contrato com a Netflix para você e é assim que você me trata?    Me senti culpada. Talvez tia Johanna não fosse tão r**m quanto eu pensei.   - Quando voltamos pra Miami?    - Amanhã. — Ela apontou para as minhas malas que já estavam prontas. — De manhã.    - Obrigada, tia. — Sorri leve. —                Passei o resto do dia respondendo algumas pessoas no Twitter e lendo notícias. Já estava na boca do público que as filmagens do filme haviam acabado. John postou algumas fotos com o elenco e a produção no seu i********:. Em algumas fotos eu estava visivelmente desconfortável. Espero que ninguém tenha notado.                  Henry havia postado uma foto no seu i********: também. Fotos de uma mala, com a legenda: “Hora das férias” espero que ele esteja indo para algum lugar bem longe de Miami. Quando a noite chegou, jantei algumas frutas e resolvi deitar. Acordei com tia Johanna gritando e dizendo que estávamos atrasadas para o voo. Assim que chegamos no aeroporto respirei aliviada. Dei uma última olhada pela janela do avião.    - Até logo, Londres. — Coloquei meus fones de ouvido enquanto o avião decolava. Agora era hora de viver um novo momento da minha vida. — 6 meses depois...     - Anna! Anda! Você vai se atrasar! — Mia estava gritando do quarto de hóspedes da minha casa. —              O grande dia havia chegado. Após um ano e dois meses, finalmente eu iria me ver pela primeira vez em cena. Quando vi o trailer do filme pela primeira vez eu nem acreditei. Parecia um sonho. Eu havia assinado contratos não só com plataformas de streaming... também havia assinado com marcas famosas. Meu rosto estava estampado em muitas revistas. Era como se eu fosse a nova queridinha de Hollywood. E eu era.              Paguei todo o dinheiro que Henry havia ajudado os meus pais. Ele não queria aceitar, mas meus agentes praticamente o obrigaram. Durante esse tempo eu não troquei uma palavra com ele. Minha agenda está lotada. A situação financeira da minha família havia ido de zero a mil em pouquíssimo tempo. Saímos do subúrbio de Miami e estamos morando em um condomínio em uma área luxuosa daqui. Os meus três milhões haviam se multiplicado quatro vezes. Era um sonho. Mas como todo sonho, tem uma parte r**m. Eu não tenho privacidade. Adeus shopping no fim de semana, adeus praia pública, adeus cinema. Aliás, se eu quiser ir ao cinema, eu preciso ir de madrugada e quase não sou flagrada. Isso mesmo, quase. Sempre tem alguém com um celular no meio da sessão.           Dei uma última olhada no espelho. Aquele sem dúvidas, foi o melhor vestido que já usei. Desci as escadas e todos já estavam prontos. Decidi levar Mia e meus pais para a première. Eles estavam tão ansiosos quanto eu. Seguimos até o carro, mas antes, Mia me parou.    - Anna, você sabe, ele vai estar lá. — Ela estava séria. —   - Eu sei. — Falei com a voz um pouco trêmula. — Mas não posso superar uma coisa se tenho medo de vê-la.    - Ele ainda te escreve. Todos os dias. Esse foi o último e-mail que ele te mandou. — Mia me entregou uma folha de papel ofício, o e-mail estava impresso nela. —              Ela agora fazia parte da enorme equipe por trás do meu nome. Mia trancou a faculdade por causa disso, seus pais não ficaram muito satisfeitos, mas ela disse que queria se aventurar em algo novo. Comecei a ler a primeira linha.      São 03:00 da manhã e estou lembrando o quanto fui i****a. Eu poderia estar aí, ou você aqui, mas olha o que estamos fazendo.... Estou remoendo sobre todas as palavras horríveis que te disse naquele dia que te disse naquele dia, enquanto você me ignora com todas as suas forças. Fico questionando o que posso fazer para reverter essa situação. Talvez eu devesse pedir perdão, mas acho que sua caixa postal não suporta mais essas palavras (ou talvez porque estou bloqueado de todas as suas redes sociais). Vamos tentar novamente; eu e você outra vez juntos na mesma sintonia. Volta para casa, para mim, para Londres, por favor.    — Com amor, Henry     - Anna... se você não falar com esse cara, ele vai continuar mandando e-mails para o seu contato comercial. Eu não aguento mais, todos os dias ele manda alguma coisa. — Mia revirou os olhos. —    - O meu silêncio diz tudo o que ele precisa ouvir. — Voltei a caminhar até o carro. —    - Até parece.... Você sempre teve um problema com ciclos. Nunca conseguiu encerrá-los. Com você são sempre vírgulas. Nunca pontos finais. — Mia me ajudava com a cauda do vestido enquanto falava. —   - No próximo e-mail manda ele se f***r. — Fechei a porta do carro com força. —   - Anna... — Minha mãe me repreendeu. —   - Desculpa. — Revirei os olhos. —                     Chegamos em um dos cinemas mais famosos do país, no meio da Madison Square. As luzes, os fotógrafos, os fãs do livro... estavam todos fervorosos e eu, ansiosa. Sorri para as câmeras e senti alguém envolver um braço na minha cintura. Olhei para o lado e suspirei aliviada por ser John.    - Você está magnífica. — Ele sorriu. Foi uma das poucas vezes que o vi ser gentil. — Os ingressos da estreia desse fim de semana estão esgotados. Todos os horários. Parabéns. — Ele beijou minha testa e saiu. —    - Anna, você pode falar com a gente por favor? — Uma repórter gritou por mim. Ela estava espremida no meio da multidão de câmeras. Fui até ela. —    - Claro. — Sorri enquanto arrumava a barra do vestido. —    - Você está linda hoje. — Um fotógrafo ao lado me elogiou. Sorri. —   - Obrigada.    - Então Anna, como foi gravar o filme? É o seu primeiro, não é? — Ela apontou o microfone para mim. —   - Sim. Foi incrível. Eu estou muito ansiosa para assistir o resultado final. — Fui interrompida por John, que estava gritando e acenando do outro lado do tapete vermelho. Ele estava com Henry, que estava lindo em um terno preto. —   - VEM CÁ! — John continuava acenando. —   - Com licença. — Sorri para repórter, que sorriu de volta. —                  Me esforcei para não tropeçar nos meus próprios pés enquanto ia na direção de John e Henry. Henry me encarava descaradamente e eu torcia para que ninguém estivesse percebendo. Se bem que eu sofri durante dois meses após voltar pra Miami. Todos já sabem que tivemos um breve relacionamento, mas não sabem o motivo do fim. Olhei para os meus pais e pra Mia, que estavam no canto apenas observando tudo e bem longe dos holofotes. Eles estavam apreensivos. Mia deu um sorriso amarelo.   - Oi. — Abracei Henry, o cheiro dele me fez voltar a Londres em segundos. Assim que desfiz o abraço, evitei encara-lo e me posicionei ao lado de John. Tiramos a foto. —    - Você está muito bonita. — Henry falou enquanto sorria. —    - Obrigada.    - HENRY, ANNA! UMA FOTO SÓ OS DOIS! — Os paparazzi gritavam, atendemos o pedido. —                 Tirei algumas fotos com Henry. O silêncio entre nós dois era constrangedor.    - Sua tia vai ser presa amanhã. — Henry sussurrava enquanto ainda sorria para as câmeras. —    - Que p***a é essa? — Também continuei sorrindo para as câmeras. —    - Depois conversamos. — Ele me abraçou e saiu. Me deixando sozinha. —             Após algumas entrevistas, fotos com fãs e esbarros constrangedores com Henry, finalmente entramos no cinema. A ordem era que os protagonistas sentassem juntos. Então eu iria passar duas horas ao lado dele.    - O que você quer dizer com minha tia vai ser presa amanhã? — Sussurrei para Henry enquanto o prólogo do filme se iniciava. —      “ Desde criança, minha mãe me falava sobre uma profecia... Que um dia, os anjos do senhor desceriam do céu para m***r os descendentes de Lilith..., mas eu não sabia que eu seria um deles... ”           A tela ficou preta e a logo do filme apareceu.      - Fala logo, Henry. — Sussurrei um pouco mais alto, fazendo a pessoa que estava ao meu lado me olhar f**o. —   - Quando o filme acabar. — Ele cruzou os braços e se apoiou na cadeira. —      E como prometido, Henry não falou uma palavra sequer. Durante algumas cenas quentes do filme eu me senti constrangida por estar ao lado do meu ex-namorado vulgo parceiro de cena. Assim que o filme acabou (deixando algumas pessoas presentes ansiosas para a segunda parte) Henry estava tentando sair de fininho do meu lado, o agarrei pelo braço.    - Você vai me contar ou não? — O encarei. —    - Relaxa, só queria chamar sua atenção. Vai para casa, descansa, amanhã é um longo dia. — Ele deu um sorrisinho e saiu. Não tive a oportunidade de ir atrás dele, fui parada por alguns críticos que elogiaram meu papel. m*l tive tempo de falar com os meus pais. Havia uma festa nos esperando, mas eu decidi não ir. —   - Não acredito que nós não vamos à festa. Vai ter um monte de famosos lá! — Mia estava indignada. Ela fechou a porta do carro com força. —    - Eu não estou nem um pouco em clima de festa. E amanhã tenho um longo dia pela frente. Desculpa. — Sorri fraco pra Mia enquanto bocejava. Eu realmente estava cansada. Acordei cedo e passei o dia inteiro me preparando para a grande noite. —             Fiquei pensando no que Henry havia me dito. Não, não era possível que ele só tinha dito aquilo para me provocar. Assim que cheguei em casa por volta das 02:00hr da manhã, tomei um banho e dormi como uma pedra. Mia dormiu no meu quarto junto comigo. Levantamos por volta das 10:00hrs da manhã. Decidi que não iria tomar café. O almoço cairia melhor.    - Bom dia! — Tia Johanna apareceu na sala, onde eu estava deitada com a TV ligada. — São para você. — Ela me entregou um lindo buquê de tulipas rosas.    - Obrigada, tia. — A abracei. — Que pena que não pôde ir ontem. Foi incrível. — Sorri. —    - Sinto muito. As notícias só melhoram. Muita gente querendo contratar você. — Ela bateu palminhas. — Já está pronta? Onde estão seus pais?    - Pronta? — Arqueei a sobrancelha. —    - Você tem uma sessão de fotos hoje.    - Oh! — Corri para o meu quarto e coloquei um vestido, demorei em torno de meia hora para me arrumar. Assim que desci, meus pais estavam conversando com tia Johanna. —    - Vamos? — Ela levantou do sofá. —    - Vamos.             Saímos de casa e entrei no mais novo carro da minha tia. Era bem espaçoso e alto. Fomos conversando algumas coisas aleatórias no caminho, até que olhei pelo retrovisor e notei que um carro da polícia estava nos seguindo a algumas quadras.    - Tia, é impressão minha ou esse carro está nos seguindo a um tempo? — Ela olhou pelo retrovisor. —    - Também notei, vou dar um caminho diferente, se ele continuar, tenho certeza que estamos sendo seguidas. — Ela virou uma esquina e a viatura ainda nos seguia. Ela me encarou. — Que estranho.               Ela ligou a seta e encostou o carro no meio-fio, estávamos em uma rua um pouco deserta. A viatura também encostou e o policial veio até a porta da minha tia.    - Você poderia descer do carro, por favor? — Tia Johanna deu de ombros e desceu. — Johanna Fitzgerald, você está presa.    - O QUÊ? — Sai do carro abruptamente. — Como assim?             O policial me apresentou um inquérito.    - Qualquer coisa que você falar será usado contra você. — Ele colocou as algemas em tia Johanna. — Você vai acompanhá-la? — Ele olhou para mim. —   - Sim. — Ele a guiou até a viatura e a colocou no banco de trás. Entrei no carro dela e segui a viatura. No caminho, liguei para os meus pais, que chegaram na delegacia poucos minutos depois de mim. —    - O que aconteceu? — Minha mãe sentou-se ao meu lado no banco. —   - Um carro seguiu a gente e simplesmente disse que ela estava presa.               Meus pais se entreolharam.    - Anna? — Henry apareceu na porta da delegacia. Ele estava de jaqueta de couro e calça jeans. —    - O que você está fazendo aqui? — Henry olhou para os meus pais, que entenderam o recado e se afastaram de nós. — Foi você que fez isso?    - Anna... deixa eu explicar. — Ele sentou ao meu lado. — Você não é a única que foi roubada pela sua tia.   - Eu não fui roubada. — O olhei incrédula. Ele puxou um cartão de banco idêntico ao que tia Johanna havia me dado assim que ela reapareceu. —    - Esse cartão é falso, Anna. Esse banco não existe. — Ele me entregou o cartão. — Você não é a única cliente da sua tia. Ela tem uma gangue enorme que faz isso com outras pessoas. E quando alguns deles descobrem, ela os ameaça com fotos ou vídeos comprometedores. Eu sinto muito.    - Henry... não, isso não é possível... — Eu balançava a cabeça negativamente. —   - Anna, ela vai ficar presa por um bom tempo.    - E como você soube disso?    - Eu pedi para um detetive particular seguir os passos da sua tia. Recolher provas e me mostrar. Assim que consegui tudo o que precisava para incrimina-la, levei a polícia. Ela deveria ter sido presa desde a semana passada, mas eu não queria estragar a sua noite ontem. — Ele segurou minhas mãos. —    - Você deveria ter me contado. — Puxei minhas mãos de volta e enxuguei algumas lágrimas do meu rosto. —    - Sinto muito. Eu acho que é melhor eu ir embora agora. — Ele levantou. —    - Eu também acho. — Funguei o nariz. —                Henry deu uma última olhada em mim, foi até meus pais e se despediu. Meu mundo havia desabado pela terceira vez nesse ano. Apoiei minha cabeça nos joelhos e comecei a chorar. Chorar tudo o que eu não tinha chorado desde que todo esse inferno havia começado. Meus pais vieram até mim, eu estava chorando como uma criança indefesa. Um dos policiais veio até mim e disse que tia Johanna queria falar comigo. Enxuguei as lágrimas e fui até a sala de interrogatório onde ela estava.    - Oi, tia. — Me sentei na cadeira em frente a ela. Estávamos em uma sala fechada toda azul. Com apenas uma lâmpada no meio da mesma. Havia uma mesa quadrada e duas cadeiras. Não me deixaram ficar sozinha com ela, então havia um policial no canto. —    - Não banque a boa menina. Você sabia disso desde quando? — Ela colocou as mãos algemadas na mesa. —    - Hoje, na verdade. — Tia Johanna deu uma gargalhada irônica. —    - Você é patética. Aposto que foi seu namoradinho i****a. O que você fez para que ele não te largasse mesmo depois de tudo, hein? Aposto que o que você faz na cama o deixou maluco.               Recuei para trás, incrédula. Aquela não era a minha tia. Era uma mulher amarga e má.    - Porquê você está falando assim?    - Eu sou assim. — Ela sorriu com o canto da boca. — Já você não tem nada de mim. É burra, ingênua e sonhadora.    - Tia...    - Sai daqui. — Ela encostou as costas na cadeira. —    - Tia, Eu...    - SAI DAQUI AGORA! — Ela gritou, o policial veio até mim e me tirou da sala. Eu ainda estava chocada. Saí um pouco zonza e fui até meus pais. —    - Filha... — Minha mãe me abraçou. Caí no choro de novo. Meu dia estava de m*l a pior. Meu celular tocou, era Mia. —    - Anna, sinto muito pelo que aconteceu, mas tem gente te esperando no local do ensaio. Você precisa ir.    - Tudo bem, eu vou. É o meu trabalho no fim das contas.    Desliguei o celular, me despedi dos meus pais e fui para o lugar do ensaio. Meus olhos estavam vermelhos de chorar, então esperamos um pouco para que voltasse ao normal. Tiramos as fotos, mas eu não estava tão produtiva. Talvez quatro ou cinco haviam ficado boas. Me despedi e agradeci. Voltei pra casa e Henry estava lá com algumas malas.    - O que você está fazendo aqui? Quem te deixou entrar? — Falei enquanto fechava a porta. —    - Eu vim me despedir... na verdade, eu vim te perguntar se quer que eu vá ou que eu fique aqui. — Ele me encarou. Parecia ter treinado muito para falar aquilo. —    - Henry... — Me sentei no sofá. — Eu te amo, mas eu não posso ficar com você. Não depois de todas as coisas horríveis que você me disse.                 Eu pude sentir o baque emocional de Henry após eu dizer aquela frase.    - Anna...  Os nossos momentos juntos, nossas noites em claro conversando pelo celular.... Você esqueceu tudo? — Ele sentou ao meu lado. —   - Eu lembro de tudo, mas lembro mais ainda de como acabou. Você deveria ter insistido em mim. Você deveria ter dito que me amava, você deveria ter me escutado. Você poderia ter sido diferente de todos os outros caras. Mas você não foi. E isso me magoou. Todas as palavras que você disse me magoaram. Então por favor, não me peça para decidir isso, foi você quem decidiu seis meses atrás. — Eu não conseguia olhar nos olhos de Henry. —    - Você quer que eu vá embora? — Ele indagou. —    - Sim. — Eu ainda não conseguia olhá-lo. —    - Tudo bem. — Ele se levantou e pegou as malas. — Eu vou sentir sua falta.              Henry saiu pela porta, me deixando sozinha em casa. Encostei a cabeça nas costas do sofá e deixei as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.    - Eu sinto muito... — Falei baixinho, quase inaudível. —  
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