A respiração ficou presa na garganta de Alex. Era o momento da verdade, pelo tipo de castigo que escolhesse, teria uma ideia do tipo de pessoa que teria de lidar e se poderia lidar com ele.
O peso da mão em sua cabeça, inclinando-a ainda mais para baixo. Então, uma espécie de venda improvisada com uma gravata foi colocada nos olhos de Alex e amarrada firmemente em sua nuca.
— Como castigo por me testar, por tentar me manipular você não poderá me ver esta noite. Eu brincarei como quiser com você, mas não saberá como sou eu até o nosso próximo encontro, se ele acontecer.
A ameaça não foi sutil. Foi um aviso mais que direto. Alex teria de provar seu valor como amante cara.
Se o próximo encontro acontecesse, significaria que o arranjo foi aceito. As coisas começavam a ficar mais interessantes. Apesar de ser um acordo de negócio a parceria dos dois, o homem mostrava que não apenas poderia dar a estabilidade financeira que ela precisava naquele momento, como também manter seu interesse pessoal. De qualquer modo, talvez seu trabalho daquela vez fosse mais desafiador do que ela havia esperado.
Era perigoso estar tão vulnerável diante de um desconhecido, mas também ainda mais excitante.
Seria possível a Alex fazer tamanha escolha sem nem mesmo conhecer o rosto do homem com que compartilharia a vida pelos próximos três meses?
— Como já disse se não estiver satisfeita, basta pegar suas coisas e sair. Eu entenderei.
Ele a lia com perfeição. A mulher não sabia o quanto isso poderia custar, mas era cedo demais para entregar os pontos. Precisava passar por aquele encontro.
— Ficarei, mas uma vez que estou vendada, não aceitarei ser amarrada.
Um novo instante de silencio trouxe tensão ao ambiente. Teria Alex ido longe de mais? Uma submissa não deveria impor condições.
— Tudo bem. Eu nunca amarro no primeiro encontro. — havia uma deliciosa sombra de zombaria na voz do homem quando ele finalmente respondeu.
Segurando Alex pelo braço, fez com que ficasse de pé. A mulher, após tanto tempo ajoelhada, teve dificuldade em sustentar-se, mas o homem estava no controle e a amparou contra seu peito amplo e perfumado. Os braços que a rodearam também eram musculosos. Ele era pelo menos uma cabeça mais alta, pois a testa dela tocou seu queixo.
Alex notou que o homem era também autoconfiante ao segurar uma mulher. A mensagem era clara: ele estava no comando e ela não precisava se preocupar com nada.
Um dominador nato.
Talvez a sorte houvesse sorrido para ela. Seus últimos amantes, tanto os comerciais como pessoais foram grandes decepções nesse quesito, Alex facilmente os dominou e conduziu a relação. Era uma característica sua tentar fazer as coisas a seu modo. Seu novo amante tinha razão. Era uma manipuladora nata.
— Muito bem, princesa, vamos começar.
A mensagem veio seguida de um suave beijo no ombro feminino. Um gesto quase afetuoso, mas carregado de sensualidade que deixava transparecer um incontrolável desejo: a necessidade de provar de sua pele.
Um tremor percorreu o corpo da mulher e revelou sua rendição.
Um medo latente congelou as entranhas de Alex. Não podia ser tão fácil. Não podia ser no primeiro toque. Não podia ficar louca por aquele homem desde o começo.
Normalmente Alexandra não gostava de apelidos genéricos, mas havia algo íntimo e incrivelmente gentil na forma como o homem falou com ela. Algo que criou uma sintonia inequívoca entre eles.
De súbito, foi suspensa e posta na cama. Forte. Viril. Alex não era exatamente leve, mas o homem a carregou com facilidade.
O edredom sob sua pele era incrivelmente macio. Por estar privada da visão, todos os seus outros sentidos estavam aprimorados. O cheiro da colônia cara que o homem usava era excitante demais. Manteve as pernas unidas não por recato, mas porque a situação em si a excitava e sabia que ainda não era hora de demonstrar o quanto o desejava.
— Acredito que numa relação como a nossa não deva existir segredos. Sempre que eu perguntar algo, seja franca e direta. Não gosto de jogos psicológicos, manipulações ou guerrinhas de egos. Sou metódico, chato e cru. Para mim as coisas são ou não são. Entende?
— Entendo.
— Quando perguntar algo espero uma resposta direta e franca. Entendido?
— Entendido.
Ele pareceu satisfeito por ela ter respondido sem hesitar.
— Boa menina!
Dedos longos tocaram os lábios de Alex e passaram a traçar o seu contorno suavemente.
— Você é mais bonita do que pensava ou mesmo do que sua foto sugeria e eu já estava impressionado, mas beleza é um elemento enganador. Você se distrai com uma bela embalagem e de repente está levando para casa algo que não desejava. Preciso saber se serve aos meus propósitos antes de fechar negócio.
Ela prendeu a respiração, num raro instante de insegurança: e se ele não gostasse dela? Estava curiosa sobre aquele sujeito e em absoluto queria romper os laços prematuramente.
— Eu vou testar você porque posso, porque aqui e agora é o único lugar onde isso é permitido. Não tente apressar as coisas, nós dois sairemos perdendo.
O homem esperou que Alex replicasse, mas ela optou pelo silêncio. Diante disso, ele insistiu.
— Isso incomoda?
Os dedos do homem seguiram para baixo, até o queixo, do queixo para o vale entre os s***s. A respiração ficou retida na garganta um instante antes que ela conseguisse falar.
— O quê?
— Saber que está sendo testada, incomoda?
Sem poder vê-lo e analisar o real significado daquela conversa, Alex apenas retrucou atrevidamente.
— Eu não sou a única que está sendo testada.
Tudo no quarto pareceu ficar em suspenso. Teria sido atrevida demais?
— Pensei que meu dinheiro me qualificava.
— Não se pode fazer tudo por dinheiro. A gente acha que pode, mas isso na maioria das vezes não é verdade. Se você não for um amante meramente satisfatório, será impossível passarmos algum tempo juntos, eu não sei fingir tão bem, logo, eventualmente estaríamos os dois insatisfeitos.
Uma pequena pausa nas carícias do homem foi o único indício que Alex foi longe demais. Foi impossível decifrar se e quanto o homem estava irritado. O tom de voz a seguir foi baixo e ao mesmo tempo sereno, quando perguntou.
— Vai sempre falar comigo de forma insolente?
Mordendo os lábios num gesto nervoso, a mulher procurou reverter à situação.
— Apenas hoje. Depois vou prestar todo o respeito que nossa situação exige.
— Eu não consigo acreditar que isso seja possível. Sua insolência salta aos olhos.
— Não sou inexperiente nesse tipo de arranjo. Se me sinto livre para me expressar informalmente, é porque essa será minha última oportunidade e um modo de avaliar sua reação diante de uma postura mais arrogante, porém se for um incômodo...
Nova pausa. O silêncio incômodo que se seguiu colocou a mulher em alerta.
— Você continua tentando me testar do jeito errado — concluiu o homem por fim — Seja o que for que deseja saber, apenas pergunte Alex.
— Desculpe, não foi minha intenção...
— Não minta pra mim. Você tem me desafiado desde o instante em que entrou nesse quarto. Estou curioso para saber como alguém com uma personalidade tão insolente pode ser uma submissa.
Dessa vez a mulher teve o bom senso de calar-se. Havia passado dos limites. Normalmente, camuflava sua personalidade indomável, mas por algum motivo naquela noite simplesmente não estava conseguindo. Ou aquele homem era mais esperto que a maioria, ou ela estava se tornado desleixada.
“É a venda!” Concluiu em pensamento.
Precisava equilibrar-se. Só assim passaria por aquele teste.
— Posso perceber sua mente trabalhando. Queria saber o que se passa nessa cabecinha, mas sei que mesmo que pergunte você não será totalmente sincera. Muito bem, vou perdoar sua falta de confiança, afinal é nosso primeiro contato, mas saiba desde já que eu não brinco, não minto e nem tento ser sociável. Isso não é um namoro. É um acordo de negócios. Você vai me prestar um serviço pelos próximos meses e eu espero ficar satisfeito com ele.
— Como o senhor quiser.
— Espero que seja assim. Seria uma pena terminarmos antes mesmo de começarmos.
Ainda usando o bom senso, a mulher permaneceu em silêncio uma vez mais.
A mão voltou para pele de Alex. Primeiro, ele descansou a mão aberta sobre o abdômen dela, talvez numa tentativa de acalmar as coisas entre eles, talvez apenas querendo criar uma conexão com aquele contato. Depois, essa mesma mão deslizou até cobrir totalmente um seio. O ventre retraído involuntariamente, expectativa e desejo moviam a mulher.
Intimidade com um estranho era sempre difícil, mas Alex aprendeu a tirar proveito mesmo das situações desagradáveis. Nos arranjos anteriores, antes de partirem para o sexo, sempre houve conversas, galanteios. Eram horas fingindo sorrisos, tentando mostrar-se relaxada. O primeiro toque, entretanto, era o que determinava como seria a relação com o novo parceiro.
Sempre acreditou que preferiria pular a etapa da conversa e seguir para o que realmente importava. Já não tinha tanta certeza.
Daquela vez o problema não era uma possível incompatibilidade s****l, ao contrário, seu novo parceiro parecia ser alguém instigante. Sentia-se vulnerável naquele encontro, mas também excitada. O inusitado da situação aumentava sua libido, era verdade, mas gostar demais também era um risco, um incômodo não programado.
— Gosto de como você reage a mim. — O homem confessou, demonstrando a mulher que ele estava consciente do que causava nela — só me pergunto se suas emoções são verdadeiras ou fingidas. Bem, de um jeito ou de outro eu notarei a diferença.
Involuntariamente, Alex franziu os lábios. Se ela decidisse fingir, ele nunca saberia a diferença.
— Você acha que pode me enganar. — A perspicácia do homem quase a surpreendeu — Veremos. Agora eu vou beijar você e espero que me corresponda.
— E se eu disser não?
A pergunta simplesmente escapou. Era uma resposta automática a arrogância do sujeito.
— Eu vou beijar assim mesmo!
E tal qual a promessa, o beijo foi uma invasão. A língua do novo mestre de Alex buscou a dela, exigente. O corpo ainda vestido recostou-se sobre o dela sem liberar seu peso. Forte e poderoso, mas gentil. Era uma boa mistura. Tão boa que ultrapassando os limites, ela o agarrou pela camisa. Na mesma hora, o homem interrompeu o beijo poderoso.
— Você ainda não tem permissão de me tocar.
Talvez ainda inebriada pelo beijo, a resposta escapou entre os lábios de Alex antes que ela percebesse o que fazia.
— Não estou tocando. Apenas seguro sua cami...
Um novo instante de silêncio. Logo, o homem se afastava e descia da cama.
“Droga!” Repreendeu-se. Foi precipitada e colocou tudo a perder.
Esperou a ordem para que levantasse e se vestisse.
Felizmente, ela não veio. De fato, nada aconteceu por um tempo.
O colchão afundou-se sob o peso do homem segundos antes de Alex receber o peso do corpo másculo sobre o seu.
— Você ainda não tem permissão pra me tocar. Observe essa ordem ou a nossa brincadeira termina por aqui.
Sem muita delicadeza o amante acomodou-se entre as pernas da mulher. Sexo contra sexo. O dela úmido, o dele rígido. Ele finalmente estava nu.
— Excitada.
Pela primeira vez ela percebeu uma emoção em sua voz. Ele estava exultante por comprovar sua entrega. Quase não houve carícias e ela já estava úmida. Era um feito inegável.
Não havendo muito mais o que esconder, Alex tentou se mover para que se encaixassem, mas o homem se afastou, tinha outros planos.
— Não seja apressada. Temos a noite toda.
A respiração dela falhou e ele riu diante disso.
— Vejo que você gosta da proposta. Uma pena que por causa de sua malcriação não vai poder participar muito.
Um beijo molhado no pescoço. Uma lenta e quente lambida na orelha. Os s***s de Alex estavam tão rígidos que sentia que seus arrepios nasciam e terminavam ali. E ele ainda não havia dado a atenção devida a eles.
Talvez em represália ao comportamento insolente, a exploração do corpo feminino foi lenta e ele evitava propositalmente chegar aos pontos de maior excitação da mulher. Mordiscou a garganta, as laterais dos s***s, o umbigo, a barriga, o interior das coxas, a parte de trás do joelho.
Ela queria reclamar da tortura, mas sabia que era exatamente isso que ele esperava. Como também que perdesse o controle e o tocasse, mas ela se agarrava aos lençóis com firmeza, em uma brava luta que era mais contra si mesma.
Quando estava para entregar os pontos e implorar para ele lhe conceder alívio, foi subitamente virada sobre a cama. Passando a mão sob o corpo de Alex, o amante levantou os quadris dela.
Seria uma posição de incomoda exibição se ela não estivesse tão excitada. Sabia-se exposta e de certo modo, vulnerável, principalmente quando ele fez uma pequena pausa.
— O que...
A pergunta ficou presa na garganta da mulher quando foi segurada firmemente e penetrada num único impulso. Alex mordeu o lençol e ainda assim não conseguiu esconder o gemido quando uma onda de prazer percorreu seu corpo.
— Exatamente assim. Olha o que você pode perder se não for uma boa garota? — ele sussurrou.
Alex deixou escapar um gemido. Ela seria a melhor das garotas apenas para fazê-lo calar-se e continuar com os impulsos longos e fortes de seu sexo no dela. Obviamente não verbalizou seus pensamentos.
— Eu queria ir devagar, mas dessa vez vou ficar devendo.
— Tudo bem, não precisa ir devagar — a voz de Alex saiu entrecortada, mas ela não se importou. Nada mais importava, só os quadris batendo em impulsos cada vez mais rápidos contra os seus.
Apesar da promessa, o homem manteve-se firme. Penetrando-a cada vez mais fundo. Arrancando suspiros, arrepios, tremores, gemidos. Era um frenesi que os tomava de assalto. Alex nem se importava que acabasse logo, ela sabia que haveria mais. Precisava que houvesse mais.
Quando atingiu o ápice, um prazer quente que se espalhou úmido, lânguido, partindo de seu ventre até atingir cada polegada de seu corpo. Agradeceu a escolha da posição, não apenas porque pôde sentir seu amante por completo, como também pôde cumprir suas exigências. Se o tivesse ao alcance de seu abraço nada a impediria.
Movimentando os quadris um pouco mais de tempo, o homem também atingiu o êxtase. Caindo de lado sobre o colchão e a arrastando consigo ao agarra-la pela cintura.
Por algum tempo tudo o que se ouviu no quarto foi a respiração ofegante de ambos.
— Eu preciso retirar a camisinha, mas a ideia de sair de você agora não me agrada.
Alex entendia perfeitamente o que ele queria dizer. Também ainda não estava pronta para se afastar dele.
Por isso mesmo, tomou a decisão acertada.
— Vamos ser espertos e fazer as coisas exatamente como deve ser feitas.
Talvez por não gostar do seu tom levemente repreensivo, o homem retrucou severamente.
— Isso não é você quem decide, abriu mão do controle no momento em que assinou o contrato, a menos, é claro que tenha mudado de ideia e queira ir embora.
Não. Por acordo prévio, ela não poderia decidir muita coisa na cama. Optando por apaziguar as coisas, Alex concordou num tom conciliador.
— Não, eu não tenho esse poder, mas eu sei que você pensa da mesma forma que eu.
O silêncio voltou a reinar no quarto, mas por fim o homem saiu da cama.
Alex tentava decifrar o que acontecia. A gravata que a vendava agora pesava. Ouviu movimentos pelos quarto. Ele se afastou do leito e caminhou. Em segundos ela escutou o barulho de um líquido sendo derramado. O homem bebia.
Soltando a respiração com certo alívio, a mulher tentou readquirir o domínio de suas emoções. A noite não estava acabada.
Algum tempo depois, o homem voltou à cama.
— Eu devo estar ficando louco, pois sei que você vai me dar muito trabalho. Ainda assim, eu não vou deixar você ir.
Alex teve o bom senso de não reagir ao desabafo. Era cedo demais para celebrar uma vitória. Por mais que as coisas estivessem ao seu favor naquele instante, relações que envolvem sexo sempre são imprevisíveis.
E aquela relação apenas se iniciava...