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695 Palavras
**Capítulo 6 - Antonella Narrando** Salve me puxava pra fora da boca quase me arrastando, como se tivesse medo de que eu fosse fazer alguma besteira maior. — Tá maluca, Antonella? Encarar o Nolasco desse jeito? — ele resmungou, visivelmente irritado. — Ele é o chefão da facção agora. — E eu vou abaixar a cabeça pra ele, Salve? — retruquei, cruzando os braços. — Ele tá no comando do morro. Revirei os olhos, indignada com a submissão dele. — E quem me garante que não foi ele que armou pra cima do Toco? — perguntei, olhando fundo nos olhos dele. — Toco saiu daqui ontem bolado depois daquela ligação. Vai até o Nolasco e, do nada, é preso? Fugindo de uma blitz? Você sabe que Toco não é o****o. Ele jamais faria algo tão burro pra cair desse jeito. Salve suspirou, visivelmente desconfortável. — Até a gente conseguir falar com o Toco e entender o que rolou, precisamos abaixar a guarda — ele disse, firme. — Você tá entendendo, Antonella? Abaixar a guarda. Olhei pra ele com incredulidade. Como ele podia esperar que eu engolisse tudo isso calada? Voltei pra casa ainda fervendo de raiva. Não sabia em quem confiar. Quando abri a porta, dei de cara com uma garota parada no meio da sala. — Quem é você? — perguntei, avaliando-a de cima a baixo. — Maya — respondeu ela, sem hesitar. — Fiel do Ryan. Falaram que a gente ia ficar por aqui. — Parece que sim. A casa é grande, tem bastante quarto. Ela olhou ao redor, parecendo desconfiada. — Mas quando cheguei, a casa tava vazia. — Vou te mostrar um quarto onde você pode ficar. — Valeu. Conduzi ela até o quarto da minha sogra, sem fazer questão de esconder minha satisfação. — Esse é o melhor quarto que tem — anunciei, abrindo o guarda-roupa. — Só vou tirar as coisas daqui rapidinho. Maya observava tudo com curiosidade. — Quem dorme aqui? — Uma cobra — soltei, sem pensar duas vezes. — Ah... Por acaso chamada de sogra? — ela riu, pegando no ar a minha ironia. — Mais ou menos isso. — Não quero confusão. — Relaxa, garota. — Dei de ombros. — Ela vai ter que acatar as ordens. Ela sorriu, claramente se divertindo com a situação. — Gostei de você. Seu nome? — Antonella. — Prazer, Antonella. Tirei as coisas da minha sogra do quarto, tentando não fazer muito barulho, mas me deparei com ela no corredor assim que saí. Claro, pronta pra começar o drama. — O que tá acontecendo aqui? — ela perguntou, o tom de voz elevado. — Acho que já sabe que o Toco foi preso. Agora temos um novo comando no morro. — Tô sabendo. — Cruzou os braços, tentando manter a pose. — Seu quarto tá ocupado agora. — Joguei as roupas dela em seus braços sem rodeios. — Ordens deles. — Como assim? — A incredulidade no rosto dela era quase engraçada. — Eles vão ficar aqui. O resto das suas coisas, depois a empregada tira. Teu novo quarto é no final do corredor. Já fizeram a divisão. Ela bufou, claramente tentando encontrar uma brecha pra argumentar. — Você sabe que a Malu vai voltar pro morro. Ela precisa do quarto dela. A menção da Malu me fez travar. Não porque eu me importava, mas porque eu sabia exatamente o tipo de confusão que ela podia trazer. Respirei fundo antes de responder, mas fiz questão de olhar direto nos olhos da minha sogra. — Se você ama sua filha, diga pra ela não aparecer por aqui. — Meu tom era sério, quase ameaçador. — O morro tá um caos, e se ela entrar, pode ser que não consiga sair. Ela me encarou, tentando processar o que eu tinha dito. — Pensa no melhor pra tua filha, dona Helena. Não arrisca a vida dela por orgulho. Ela não respondeu, mas seu silêncio dizia muito. Ela sabia que, no fundo, eu tava certa. Não era só sobre um quarto ou sobre quem mandava mais. Era sobre sobrevivência. E, no momento, a sobrevivência no morro dependia de saber jogar o jogo certo.
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