SNOW

1219 Palavras
Joalin -Tem certeza, Bailey? Não faz nem uma hora que você acabou de comer- Matt perguntou para o filho. Estávamos todos na área externa dos May.  O alerta dizia que as temperaturas caíram dos 15°C para até 0°C, existiam até chances de nevar, o que não era muito comum para a época do ano e o fim da primavera européia. A frente fria vinda do Ártico já tinha atingido os países Nórdicos, a exemplo da Finlandia.  Para aproveitar os últimos dias de "calor" por alguns dias, Bailey resolveu gravar um pequeno vídeo se exercitando para o IGTV, como se não fosse o suficiente, pretendia me usar junto a Maya de peso.  -A gente pode gravar mais tarde, se preferirem- dei de ombros esticando minhas pernas para que o sol as cobrisse. Eu usava short e moletom mas meu corpo acostumado com as altas temperaturas caribenhas já reclamava.  -Vai fazer frio mais tarde, é melhor gravar agora mesmo- Vanessa concordou com o filho.  -Tudo bem- Matt e Maya falaram juntos.  -O que específicamente vamos fazer?- encarei a caçula que também não parecia entender.  -Primeiro vou fazer levantamento de peso com Maya- ele sorriu tentando assustar a garota que fingiu fuga.  -Eu não sei se quero fazer isso, Bailey- ela reclamou  -Vai ser divertido- ele não deu tempo para a garota protestar mais uma vez, segurando-a em seus ombros- Pai, está gravando? -Sim- ele respondeu e eu e Vanessa rimos juntas, Bailey segurou a irmã de maneira firme e ela manteve os braços em forma de X presos no tronco, com as duas mãos, ele começou a levantá-la. Maya fechou os olhos com força e os manteve assim, tentando não gritar durante a sequência de 20 levantamentos, até ser colocada no chão novamente.  -Eu não quero fazer isso nunca mais na minha vida- disse meio tonta.  -Vou fazer abdominal com peso agora, Joalin, sente nas minhas costas. -Você já não tentou fazer isso com Sofya e não conseguiu?- perguntei confusa -Isso foi a algum tempo, agora estou mais forte- revirei os olhos gargalhando. A relação de Bailey com a academia era fiel e engraçada.  -Tudo bem- dei de ombros e esperei ele se posicionar para sentar de lado em seu tronco, cruzando as pernas e mantendo-as no ar. Ele demorou um pouco para conseguir fazer as duas primeiras flexões, depois acabou pegando o ritmo e se mantendo firme até alcançar a vigésima.  Depois do fim daquele exercício, a próxima sequência foi de prancha com Maya. Ela se segurou em seus tornozelos e com os pés na cabeça do irmão mais velho, ele conseguiu se manter por alguns minutos, realmente o May parecia ainda mais forte do que da última vez que eu tinha o visto, antes da Dctt.  A próxima sequência de meu um pouco medo de cair, fiquei de cavalinho nas costas do filipino enquanto ele praticava agachamento. 50 para ser exata, e toda vez que ele levantava a mesma sensação de que ia cair me fazia apertar seus ombros com força, Deus, ele era viciado em exercícios, certo?  Para o último, meu amigo me levantou junto com sua irmã. Cada uma de nós nos apoiamos em um de seus pés e enquanto ele estava deitado, segurava nosso peso com as pernas, os movimentos eram menos agressivos e após 20 deles, seu treino extremamente pesado e maluco estava completo.  Nos aproximamos da câmera para ele encerrar o vídeo e antes de o fazer, jogou nós duas sobre seus ombros, como se carregasse um saco de batatas de cada lado e saiu correndo, ao som dos gritos de Maya.  -Você ao menos está cansado?- perguntei quando ele finalmente nos largou.  -Um pouco- admitiu- Essa corrida no final me matou, vocês devem pesar quanto juntas?  -Não sei, o suficiente para você não sair correndo por aí carregando nós duas- protestei e Maya concordou.  -Só para deixar claro que nunca mais vai me usar como peso, eu odiei- ela disse nos fazendo gargalhar.  O asiático foi tomar banho e eu, que precisava editar, comecei a fazer isso na sala. Maya se interessou pelo assunto e permaneceu do meu lado, enquanto eu lhe dava algumas dicas e ensinava o básico, não era tão complicado mas exigia prática e paciência.  Acabamos por passar boa parte do dia nesse processo, enquanto Bailey e Matt jogavam video game e Vanessa lia. A neve começou a cair assim que acabamos de comer, tomei um banho colocando um conjunto de moletom mais apropriado.  Os irmãos May me deram uma xícara de chocolate quente logo depois e perguntaram se eu não queria me juntar a eles no telhado, para conversar e observar a neve cair. Concordei colocando mais uma camada de roupas, uma pantufa e me enrolando em uma manta.  -Preciso confessar algo para vocês, por isso os chamei aqui- a garota disse e eu e seu irmão nos entreolhamos.  -Espero que não seja nenhum garoto- Bailey afirmou e eu dei um t**a de leve em seu pescoço.  -Bailey, sua irmã não é mais uma criança, pense no que você fazia quando tinha a idade dela- alertei, ela sorriu para mim e me agradeceu logo em seguida.  -Obrigada Joalin, logo vou fazer 15 anos. Eu queria dizer que- a interrompi quando vi que seu irmão não parecia muito confortável.  -Prefere ouvir ou nos deixar conversando sozinha, Bay? Acho bem mais legal saber da vida de Maya e poder a aconselhar do que ficar fazendo bico igual um bebê ciumento- o encarei séria e ele respirou fundo, parecendo criar coragem.  -Quando você tinha a minha idade já tinha até namorado, Bailey- Maya ralhou, se encolhendo entre os ombros logo em seguida.  -Tudo bem- ele encarou os céus e limpou o floco de neve que caiu em seu rosto logo em seguida- Vou escutar, mas se esse garoto te fizer m*l eu quebro ele ao meio.  -Ele me chamou para sair- a mais nova falou rápido, parecendo temer a reação dele- Quer dizer, quando acabar a quarentena, é claro.  -Isso é muito legal- sorri e passei a mão em seus cabelos- Ele estuda com você?- perguntei  -Sim, somos amigos faz uns 3 anos. Acho que a quarentena e a distância nos ajudou a perceber que queremos mais que isso- meu olhar correu para Bailey por alguns segundos, ele teve a mesma reação e me encarou, estranho- Gente- Maya chamou nossa atenção- As vezes parece que vocês vivem em um mundo particular.  -Acho que minha mente foi longe- me justifiquei mesmo sem entender direito o que tinha acontecido- Enfim, que bom que são amigos, espero que ele te trate bem como merece ser tratada, se não o fizer é porque não é a pessoa certa, ok?  -Sim, eu sei- ela sorriu animada- Ele é muito carinhoso e atencioso comigo, quer dizer, não só comigo. Com seus pais, sua irmãzinha e seu irmão, com todo mundo na verdade.  -Isso é bom- Bailey disse baixo, pela primeira vez e suspirou.  -Pode sempre conversar comigo e com seu irmão sobre isso, ok? Pode se sentir segura para falar o que quiser.  -Obrigada- ela me abraçou de lado.  Bailey ia falar alguma coisa mas antes que o fizesse, o barulho de um estrondo forte vindo do andar de baixo nos assustou e nos fez correr para dentro, tentando saber o que tinha acontecido. 
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