Joalin
-Então nós estamos comprando tudo isso- filmei os produtos no caixa com uma mão, e na outra inseri o cartão na máquina. Antes que Bailey pudesse o fazer, nossa competiçãozinha por quem vai pagar as coisas foi criada anos atrás e sempre surgia quando compravamos algo- Então vamos poder pular no lago, o que está me deixando animada e nervosa- virei a câmera para mim- O que vamos fazer agora, Bay?
-Comer nossa pizza e seguir até o lago. São 1 e meia- disse, enquanto colocava as coisas em sacolas.
-Sim. Nós descobrimos que tem uma pequena pizzaria dentro do mercado, eu nunca vi isso antes- segurei a caixa de papelão com a pizza dentro- Acho que vamos comer aqui no estacionamento mesmo, né?- perguntei para ele.
-Acho melhor, se não vamos acabar perdendo tempo e eu acredito que lá para as quatro já comece a amanhecer.
-Então seria bom a gente chegar umas três e meia, porque o céu deve começar a clarear um pouco antes, para o sol nascer as quatro- pensei- Mas por enquanto é isso, vamos comer agora- falei com a câmera e mais uma vez terminei de gravar.
Saímos do mercado e percebemos que só três carros estavam parados no estacionamento. Tudo bem, pela hora isso era normal mas levando em conta que eu dificilmente iria fazer compras tão tarde, parecia estranho.
Tiramos uma foto de nosso lanche da madrugada, junto com as latas de energético e enquanto Bailey postava, eu comecei a comer. É claro que os pensamentos sobre o sonho dele ainda eram presentes, eu queria saber o que exatamente tinha acontecido nele, estava muito curiosa mas visto que ele ficou envergonhado com a situação, não falaria mais do assunto e guardaria as suposições em minha imaginação.
Demoramos mais ou menos 1 hora comendo e conversando e por esse tempo, preferi manter aquele assunto longe. Conversamos sobre coisas aleatórias como séries e filmes, na hora em que voltamos para a estrada, eu estava fazendo uma pequena lista de alguns que pretendíamos assistir juntos.
Continuamos nesse assunto até chegarmos no lago, lá pelas 3 da manhã. O local estava vazio, com exceção de um outro carro, onde aparentemente estava uma família com 2 filhos pequenos, provavelmente também aguardando o nascer do sol.
-É muito lindo- sorri para Bailey.
-Tem anos que planejo assistir o nascer do sol aqui, mas é a primeira vez que consigo. Dizem que é arrepiante- suspirou, com um sorriso- Quais são os planos, chefe?- brincou, me fazendo rir.
-Pensei que poderíamos sentar no deck e deixar a câmera filmando por trás da gente, depois eu acelero na edição.
-E quando vamos pular?
-Acho que eles devem ir embora depois que amanhecer, certo?- apontei disfarçadamente para o carro do lado.
-Acredito que sim.
-Depois que amanhecer ficamos no aquecedor do carro, pulamos na água, tomamos banho e vamos para casa.
-Parece perfeito. Acho que já podemos ir para lá, o céu está começando a clarear.
-Eu amo como o dia amanhece cedo no verão- sorri, tirando o cinto e abrindo a porta do carro, com o resto do Red Bull na mão. Encontrei mais um murinho para apoiar a câmera, em um ângulo que gravasse a ponta do deck, essa já estava se tornando minha especialidade.
Me sentei, deixando minhas pernas balançarem para fora e senti o filipino ao meu lado, ele me abraçou de lado, eu apoiei minha cabeça no seu ombro e ali ficamos, imersos na paisagem, sem ao menos sentir as horas passarem. O céu começou a clarear lindamente, a estrela de fogo surgiu refletindo na água e iluminando o dia que se iniciara.
Era um espetáculo digno de aplausos, que deveria ser apreciado mais vezes. A coloração intensa do céu e como todas aquelas nuvens de chuva desapareceram junto à lua lotavam meu peito de sentimentos bons, assim como o acalento de Bailey e sua presença, tão próxima e significante.
Assim que o dia realmente amanheceu, voltamos para o carro e naquela hora, eu podia sentir o sono começando a aparecer. O outro carro foi embora e o aquecedor demorou menos de dez minutos para fazer efeito, me obrigando a me livras de tênis, meia e principalmente moletom, Bailey também tirou o casaco e logo em seguida a blusa.
-Acho que fiz m***a- quando ouvi essas palavras, assim que ele abriu o zíper da calça, sabia exatamente do que ele estava falando.
-Cueca branca, Bailey?
-Eu jurava que era preta- ele tentou se justificar.
-Você pode trocar e ter que ficar de cueca suja depois- parecia a única opção.
-Ew
-Eu sei- dei de ombros- Então pula assim, mas depois você vai ter que sair atrás de mim e não pode aparecer na frente da câmera antes de se enrolar na toalha, se não vou ter que ficar desfocando na edição.
-Tá, é melhor do que ter que vestir roupa suja.
-Realmente. Está pronto?
-Vamos, quero acabar logo com isso e com esse frio- disse, tirando a calça. Fiz o mesmo com minha calça e minha blusa e peguei a câmera, voltando a gravar.
-Estamos indo mergulhar, nos desejem sorte- cruzei os dedos e saí do carro, apoiando ela no mesmo muro de antes, que daria visão não só do pulo mas da volta ao deck- Pronto?- repeti a pergunta assim que ele parou ao meu lado, evitando descer os olhos por seu corpo e segurando sua mão.
-Sim, no três?- assenti- Um- respirou fundo- Dois- mais uma pausa- Três.
Fechei os olhos e me joguei na água, segurando sua mão com força. Senti o choque do meu corpo com a baixa temperatura, principalmente na minha cabeça, portanto tratei de nadar até a superfície o mais rápido possível.
Comecei a sentir o frio assim que coloquei minha cabeça para fora e o vento atingiu meu rosto, Bailey emergiu ao meu lado, respirando fundo e encolhendo os ombros.
-Não é tão r**m- falei, com um sorriso.
-É péssimo, vou ter hipotermia- gargalhei de seu desespero- Podemos subir?
-Sim, obrigada por aceitar minhas loucuras- o abracei, beijando sua bochecha, antes de nadar até a escada.
Ele seguiu meus passos de perto, até sairmos da visão da câmera, tremendo de frio. Encarei o conjunto preto que usava, vendo que nada tinha ficado transparente e segui até o enquadramento do aparelho, ainda me enrolando na toalha.
Olhei para o lado, percebendo que a situação não era não confortável para Bailey. Estava se tornando impossível não olhar e por sorte, ele foi rápido em enrolar a toalha na cintura e caminhar na minha direção.
-Estou congelando
-Estamos.
-Hora do banho e de voltar para casa, está muito muito frio- tapei o visor com minhas mãos e finalizei mais uma parte da gravação.
Bailey me deixou tomar banho primeiro, na cabana do lugar, enquanto se aquecia no carro. O lugar era pequeno mas limpo e por sorte organizado, a água quente também me ajudou a livrar da tremedeira que o banho de lago tinha me causado. Eu terminei e o chamei logo em seguida, ele também não demorou e perto das 6, já estávamos dentro do carro, voltando para casa.
-Então gente, espero que tenham gostado de mais um vídeo. Como vocês podem ver, já amanheceu e estamos voltando para casa. Deem like, comentem e eu, ou nós, vemos vocês daqui alguns dias- dei tchau e ele fez o mesmo, tirando os olhos do volante- Está com sono?- perguntei assim que desliguei a câmera.
-Não, acho que a água me despertou.
-É, eu também não. Vou ligar para minha mãe, ok?
-Sim, tem uns dias que não fala com ela por ligação, certo?
-Uhm, vou aproveitar para falar mais uma vez sobre a mudança- confirmei, antes de discar seu novo número com o código da Finlândia.
Passei muito tempo conversando com ela, falei com meu pai e irmãos também. Ultimamente, eu sentia sim saudade deles, mas já me sentia em casa e não tinha essa necessidade absurda de buscar conforto, os May me proporcionavam essa familiaridade de um lar e eu tinha certeza que tudo se tornaria ainda melhor quando eu me mudasse.
Desliguei o celular quando chegamos em casa. Fomos até a cozinha, deixar a água e jogar o lixo das coisas que tínhamos consumido, Bailey largou o celular por lá e não recolheu o bilhete, o deixando como uma forma de explicação para se acordássemos muito tarde.
Fomos até o quarto e nos jogamos na cama, logo em seguida.
-Está com sono?- Bailey perguntou, me abraçando.
-Não. Não deveríamos ter misturado energético, café e finalizar com água gelada, acho que estão fazendo efeito agora.
-É, vamos desregularizar completamente o nosso sono- ele riu.
-Sim- um pensamento perverso passou pela minha cabeça, mas tratei de tentar me livrar dele.
-No que está pensando?
-Nada- dei de ombros.
-Por que está mordendo os lábios enquanto pensa em nada?
-Ok, você lê minhas expressões com muita facilidade- eu ri- Estava pensando nisso- me aproximei de seu rosto, segurando seu queixo e aproximando nossos lábios.
Assim que minha boca encostou na sua, Bailey tratou de aprofundar o beijo e me puxar contra seu corpo. De onde tinha saído tanta energia, de repente? Quando percebi, eu já estava deitada em cima dele.
Nossas línguas batalhavam e se completavam de uma forma insana. O calor começou a subir pelo meu corpo, me fazendo livrar do moletom e agradecer aos céus por Bailey não usar um, por isso, enfiei meus dedos por dentro de sua blusa e voltei a colar nossos lábios, esfregando minhas unhas por seu peitoral musculoso.
Ele trocou as posições e eu podia sentir, por conta da falta de sutiã, meus m*****s exitados encostando em seu corpo. Com mais um beijo quente, a blusa dele foi para o chão, junto com a minha calça.
Ele desceu os beijos pelo meu pescoço e também colocou a mão por dentro da minha blusa. Suspirei quanto a ponta de seus dedos encontrou meus m*****s, mas só tive ciencia do que estava prestes a acontecer quando ele tirou sua calça.
Quer dizer, o motivo do meu nervoso não era eu mesma. Eu sabia de cada passo dos relacionamentos de Bailey, eu sabia que ele era virgem, eu sabia que ele sempre quis algo especial e eu também sabia que até meses atrás ele não se sentia preparado.
Ao longo da nossa amizade, não foram poucas as conversas e conselhos sobre esse assunto.
A minha dúvida era, tudo isso tinha ido por água abaixo? Ele havia mudado de ideia? Ele já se sentia pronto? Ele se arrependeria depois?
Mas ele estava tendo a atitude, então eu deixaria rolar, por pelo menos mais alguns segundos e se eu visse que realmente iria acontecer, teria a obrigação de perguntar se ele tinha certeza do que estava fazendo.
Eu estava confusa, mas gostando, gostando muito.
Senti a insegurança em seu rosto e a tremedeira nas suas mãos assim que ele me ajudou a tirar minha blusa e olhou de forma profunda para meu corpo. Eu podia assumir o controle, eu deveria assumir o controle.
Ao mesmo tempo, se eu fizesse isso, ele não teria tanta liberdade para parar, se precisasse.
Foi por isso que eu tive a decisão de deixá-lo nos guiar. Era tudo novo para ele e isso refletia em nós dois, queria que ele tivesse controle e autonomia para achar um certo conforto.
Senti os beijos voltarem para o meu pescoço, descendo até os meus m*****s. Ele brincou com um deles, entre os dedos e levou o outro a boca, de forma digna de alguém muito experiente, segurei em suas mãos, tentando diminuir sua insegurança e senti sua língua em contato com a minha pele, me fazendo arrepiar e gemer baixo, o que se potencializou quando ele apertou minha b***a com força. Levantei o tronco do colchão, respirando fundo e tentando fazer o mínimo de barulho.
Ele subiu mais uma vez para a minha boca e seu cordão atingiu meu rosto, me obrigando a segurá-lo. Apertei a ponta dos meus dedos em suas costas e mordi seu lábio, beijando seu ombro em seguida.
Mas quando eu estava começando a descer a mão até sua boxer, ele me parou. E para falar a verdade, eu estava esperando por esse momento.
-Desculpa- Bailey sussurrou, pressionando os olhos com força e deixando o peso de seu corpo cair por cima de mim, antes de rolar para o lado,
-Ei- me assustei com a sua reação, sentando na cama- Está tudo bem- sorri, acariciando seu peito e tentando o trazer tranquilidade.
-Eu sou um i****a.
-É lógico que não, você é especial! Está chorando?- percebi uma lágrima escorrer de seus olhos- Bay- minha voz falhou- Bay, senta aqui- tentei soar firme, ele negou mas eu insisti e precisei puxá-lo com minhas mãos.
-Está tudo bem. É assim que as melhores e mais engraçadas histórias começam. Não se cobre tanto, ok? Você precisa escolher a hora e o momento certo, esse é um limite que você precisa estabelecer e eu fico muito feliz que você teve confiança o suficiente para parar, para se respeitar. Eu vou entender se você achar que não é a hora, ou se achar que não deveria ser comigo, só me promete que não vai se culpar por isso...
-Eu- ele suspirou, enxugando abaixo dos olhos- Desculpa.
-Para com isso, não precisa se desculpar. Está tudo bem, de verdade! Vem aqui- abri meus braços e o aconcheguei, deixando que o peso de seu corpo nos fizesse tombar na cama- Não fica assim, ok? É normal e você não sabe como é especial de ter agido desse jeito- entrelacei nossos dedos e afaguei seu cabelo, ainda sentindo-o abraçar minha cintura com força.
-Podemos tentar de novo, outro dia?
-Sim, assim que você quiser e se sentir pronto- sorri comigo mesma e beijei sua testa, ele era especial de uma forma tão insana, que chegava a doer- Se isso te deixa mais confortável, você estava indo muito bem.
-Jura?
-Sim- lhe dei um selinho. Tudo que eu esperava era que conseguisse o dar apoio suficiente, e isso era algo que eu deveria fazer não só por ser a garota com quem ele quase teve sua primeira vez, mas principalmente por ser sua melhor amiga.