MARKETING

1397 Palavras
Bailey -Agora chega, não?- mais uma vez me joguei na cama, assim que a entrevista acabou.  -O que acabou?- Joalin fez o mesmo, apoiando a cabeça no punho e me encarando.  -Essas coisas que não deveriamos fazer no seu aniversário- dei de ombros e encarei o teto.  -E o que você acha que devemos fazer?- ela riu, girando na cama e pegando o celular.  -Não sei, ficar aqui abraçada com seu melhor amigo me parece uma boa opção- ela rolou os olhos com um sorriso no rosto e se aproximou de mim, deitando a cabeça no meu peito- E então, se pudesse escolher alguma coisa para a gente fazer depois do jantar, o que seria? -Na verdade- voltou a se mexer, levantando a cabeça para olhar em meus olhos- Eu tenho uma ideia, mas não sei se você vai concordar. -Só vou saber se você falar, além do mais, é seu aniversário então vamos dizer que hoje eu posso te mimar um pouquinho.  -Só hoje? Você vem me acostumando m*l, ultimamente. Vou pensar se isso é realmente o que quero e se for, depois do jantar conversamos sobre a ideia.  -Tudo bem, devo me preocupar?  -Talvez um pouco- deu de ombros, rindo e voltando a deitar.  Ela desbloqueou a tela do celular e começou a rolar o feed do i********: de uma forma a compartilhar as publicações comigo. Ficamos em silêncio por alguns minutos, só observando os muitos comentários sobre nossas duas últimas lives e como o fandom parecia dividido em quatro partes: shippar/ continuar shippando, voltar a shippar, nos odiar ou a menor parcela que afirmava que éramos apenas amigos.  -Ninguém acreditou na "conversa profunda e reflexiva" do banheiro- a loira mordeu os lábios.  -Eu imaginei que não fossem. Quer dizer, se alguém apenas escutou pareceu perfeito, mas eu mexi com as mãos e pisquei os olhos de forma patética.  -Preciso dizer que mesmo só escutando, ficou nítido que era mentira- ela riu- Você não gaguejou mas sua voz saiu totalmente diferente do normal. Deu para ver que você inventou e falou a primeira coisa que pensou, sem falar que nós dois parecíamos muito nervosos e perdidos.  -m***a- respirei fundo mas não deixei de sorrir.  -Olha isso- ela riu, abrindo uma notificação do Twitter. "Eles dois se merecem, nenhum dos dois vale nada"- Acho que toda publicação que eu li fala sobre como nós deixamos tanta coisa na cara com essas duas últimas lives. Pelo menos acho que a maioria entendeu a história do vídeo, mas agora estão criando um milhão de teorias porque sabem que rolou.  -Esse é incrível- rolei a tela, mostrando outro e gargalhando. "Dias atrás o twitter odiava Joaley, agora todos amam, porque acham que eles se merecem ou porque é nítido que eles se pegam".  -Esse aqui é uma boa justificativa- apontou para um que dizia "Aquele vídeo só existe porque eles se pegam muito e a gente foi burro demais para perceber antes".  -Eles podem estar errados sobre quando começou, mas acho que todos já sabem dos beijos.  -Bay, acho que estamos fazendo m***a- ela sentou na cama, um pouco nervosa e mudando sua expressão- Quer dizer, parece que todos os fãs sabem o que aconteceu naquele banheiro e essa nitidez pode nos prejudicar.  -Não vamos deixar isso acontecer, se a equipe da XIX nos questionar vamos dizer que estamos seguindo a dica de Simon e Yonta sobre marketing.  -Eu não entendo o que está acontecendo, Bay- desviou o olhar.  -Eu também não, Jojo- arrumei minha postura, e passei a mão pela sua nuca, tocando seus lábios com a ponta do meu polegar- Eu só sei que não quero parar, não quero me afastar. Eu gosto das coisas como estão.  -Você percebe que agimos como um casal na maior parte do tempo?- seu tom de voz era baixo e inseguro, ainda assim eu preferia estar tendo essa conversa com ela.  Era melhor dessa forma do que nos mantermos imersos em questionamentos que poderíamos resolver juntos com mais facilidade. Acho que essa era a nossa diferença, nós não escondíamos sentimentos um do outro e isso não mudaria, não agiríamos diferente porque não eramos mais "só amigos".  -Eu sei que sim- sorri e segurei uma de suas mãos- Mas acho que sempre foi assim, nós que demoramos para perceber.  -É, ou só percebemos porque agora isso está exposto na internet e eles só falam disso.  -Você quer parar com isso?- perguntei, implorando internamente para que sua resposta fosse não.  -Acho que- minha respiração vacilou junto a sua pausa dramática- Acho que devemos seguir com o que combinamos, apenas vivendo e vendo o que vai dar.- Sorri e a puxei, abraçando sua cintura.  A finlandesa deitou a cabeça no meu ombro e se aconchegou entre meus braços, me encarando em seguida. Segurei seu rosto e ajeitei os fios loiros para trás, ela sorriu e se aproximou de mim, se ajoelhando na cama e juntando nossos lábios.  Coração acelerado, exatamente como antes. Cada milímetro parecia no mínimo tentador e exatamente por isso, quando sua boca encostou na minha no formato de um selinho, não pensei duas vezes antes de aprofundar o beijo.  Seus lábios se encaixavam nos meus de forma profunda e melodiosa, como nunca tinham encaixado com nenhuma outra garota. Suas mãos acariciando minha nuca eram quase como uma tentação e meus dedos apertando a pele quente de sua cintura me levavam a loucura.  -Eu tenho medo que isso acabe- sussurrei, assim que ela partiu o beijo.  -Vamos tomar cada decisão sobre isso juntos, se a gente não quiser que acabe, não vai acabar.  -Você gosta disso tanto quanto eu?- d***a, eu me tornava inseguro e não tinha medo de admitir que queria toda aquela proximidade, queria os beijos, queria dormir ao lado dela, os abraços apertados e todo o resto.  Queria continuar agindo da mesma forma que estávamos agindo durante a quarentena. Mesmo quando fossemos nós e mais 13, ou os fãs, ou qualquer outra pessoa, eu não me importava, só queria deixar as coisas fluírem do nosso jeito, sem precisar esconder mas ao mesmo tempo sem precisar revelar ou me explicar.  -Sim Bay, tanto quanto você. Eu estou viciada, viciada em tudo isso e quando não pudermos agir com tanta naturalidade por conta de quem está em nossa volta, ou por uma câmera apontada na nossa direção, vou precisar me policiar e controlar minhas vontades porque eu quero tanto quanto você.  -Ouvir isso é um grande alívio- sorri e senti seus dedos pelos meus cabelos, ajeitando as mechas perdidas.  -Saber que estamos na mesma sintonia me deixa tranquila- sorriu e passou as mãos pela pele do meu pescoço, me fazendo arrepiar- Agora eu preciso da sua ajuda- ela riu e mordeu meu queixo, me dando um selinho em seguida-Vou conhecer seus avós e preciso que eles gostem de mim e não me achem uma doida desajuizada, então preciso de ajuda com o que vestir.  -Passo um- levantei da cama e puxei sua mão até o closet- Pode vestir o que quiser e se sentir confortável, eles vão te achar linda de qualquer jeito. Vão te elogiar e minha avó provavelmente vai fazer algum comentário legal sobre a sua roupa- ela encostou na parede, ouvindo atentamente o que eu estava falando. -Hmm -Passo dois, eles provavelmente vão fazer um milhão de piadinhas e suposições sobre nós dois, o que acho que é normal entre avós. Passo três, vão perguntar quantos anos você está fazendo e quando souberem que você é mais velha que eu vou achar divertido, já que no tempo deles isso não era comum, depois provavelmente vão falar que eu fiz uma boa escolha porque você é madura e inteligente. Por último, vão começar a falar de crianças e como esperam conhecer bisnetos, insinuando para cima de nós.  -Meu Deus- ela tinha os olhos arregalados.  -É só uma suposição, eu posso estar completamente errado. As únicas coisas que eu realmente tenho certeza é que eles vão te adorar, então pode ficar tranquila, e também que eles vão agir como se estivéssemos noivos, então não, eles não vão acreditar no "somos só amigos".  -Acho que nem seus pais e Maya estão acreditando nisso- encarou o chão, com as bochechas levemente vermelhas.  -Ninguém mais acredita nisso, nem os fãs, nem nossos amigos, o NU.  -É- sussurrou.  -Nem nós mesmos acreditamos- me aproximei dela, mais uma vez me rendendo a tentação de beijá-la. 
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