Bailey
Fazia menos de 5 minutos que estavam em live. Deixamos os fãs chegarem enquanto Joalin respondia as felicitações de aniversário, deles e da repórter.
-Então, nós deixamos uma caixa de pergunta para os fãs alguns dias atrás. Queríamos montar uma entrevista interativa onde eles pudessem ver seus questionamentos sendo respondidos, surpreendentemente recebemos mais de 100 mil perguntas e tivemos um trabalho duro para separar as mais questionadas e interessantes.
-Meu Deus, 100 mil é muita coisa, a quarentena está deixando todo mundo eufórico- Joalin sorriu para a mulher do outro lado da tela.
-Uma das coisas que eles mais querem saber é se está sendo difícil manter contato próximo com os outros membros durante a pandemia.
-Bom, eu acho que fomos um pouco privilegiados com relação a isso- comecei- Como estamos juntos e sempre arrumando algo para fazer e nos distrair, acabamos não tendo tanto contato com outros membros.
-Exato, sinto que estava mais presa no celular antes de vir para cá. É óbvio que nos falamos, conversamos e preparamos os conteúdos que são postados no nosso canal mas acredito que como os outros integrantes estão longe e sem contato com algum m****o do grupo, eles estão sentindo essa necessidade de forma mais intensa. Eu e Bailey sempre fomos muito próximos e estivemos sempre juntos então isso diminui boa parte da nossa necessidade de "socializar".
-Se Joalin não estivesse aqui comigo desde o início, eu possivelmente já teria enlouquecido.
-Então vocês estão levando isso de uma forma tranquila?
-Sim, nós já saímos da situação mais crítica a algum tempo e para falar a verdade não temos grandes necessidades fora de casa, tentamos nos prevenir mas acredito que nenhum de nós tenhamos chegado em um ponto que se tornou insuportável estar dentro de casa- ela falou e eu concordei com a cabeça.
-Temos nos divertido.
-Joalin, você explicou para seus fãs tudo o que aconteceu e porque foi parar na casa de Bailey durante a quarentena. Eles tem percebido que vocês convivem muito bem juntos e que tem conseguido manter o equilíbrio nos tempos difíceis que estamos vivendo, então eles querem saber o que vocês mais gostam e admiram um no outro.
-Uhm, isso é um pouco difícil para mim porque eu admiro muitas coisas em Joalin, ela sempre será uma inspiração muito grande- suspirei pensando um pouco e vi a loira sorrir ao meu lado- Posso dizer que tivemos fases e em cada uma delas um ponto importante de nossa amizade ganhou destaque mas acho que nos últimos tempos, algo que para mim ficou nítido e que me faz sentir muito bem é que eu tenho absoluta certeza de que ela está do meu lado para qualquer coisa. Muitas vezes eu fiz algo de errado e ela estava comigo, para me aconselhar, me ajudar, sem medo de se envolver.
-Isso é muito bonito- a mulher falou.
-Ela é sincera para me falar se eu estou certo ou errado e parceira o suficiente para estar ao meu lado nas duas situações. Eu admiro muito isso porque além de ter certeza que nossa amizade é verdadeira e está presente nos dias de sol e chuva, sei que ela não tem nenhuma obrigação de me ensinar algo, de me fazer amadurecer ou de assumir esse tipo de responsabilidade afetiva, ainda assim ela faz. Estamos sempre dispostos a crescer juntos e a estar ao lado um do outro nos momentos fáceis e nos difíceis e eu fico muito orgulhoso e ao mesmo tempo tranquilo de saber que ela sempre vai estar ao meu lado.
-E você, Joalin, o que mais admira no Bailey?
-Eu confesso que estou me segurando para não chorar agora- ela deu um sorriso fraco e eu acariciei suas costas- Eu realmente admiro muitas coisas no Bay, algumas delas que passam despercebido na internet e como ele disse, vivemos diferentes fases o tempo todo. Se eu tivesse de escolher uma única coisa, no momento seria sem dúvidas a forma como ele me trata e eu sei que pode soar besteira, sabemos que nenhum homem deveria distratar uma mulher apenas pelo fato dela ser mulher, mas devido ao meu péssimo histórico eu criei uma armadura que aos poucos estou aprendendo a quebrar. Bailey me mostrou e me provou que ainda há exceção à regra, ele tem um cuidado, preocupação e carinho incrível comigo, já até falei algumas vezes que ele está me tornando mimada- eu ri negando com a cabeça.
-Acho que merecemos um pouco de mimo- a entrevistadora brincou.
-É bom- ela riu também- Eu me sinto muito segura com ele e sei que temos uma conexão rara e especial, sei que se o mundo tiver desabando é do abraço dele que vou precisar. Posso dizer que ele é meu porto seguro e que a cada dia, arruma uma nova forma de me conquistar, me fazer sentir especial e amada de um jeito diferente. Devido às últimas polêmicas, ficou tão nítido para mim que não importa o que todos falam, não interessa o que pensam da gente, como acham que a gente se trata ou o que é certo ou errado aos olhos dos outros, quem eles pensam que ele é, ou que eu sou, baseado em especulações. Quem não nos conhece não sabe a conexão que tempos, muito menos os limites de nossa amizade e como ele me trás segurança, e justamente essa segurança que eu procurei por muito tempo e que me deixa confortável para ser completamente eu, protegida dos perigos do mundo no nosso mundinho paralelo.
-Vejo que vocês dois estão muito seguros com relação as últimas polêmicas e devo dizer que a maioria das perguntas foi sobre o assunto. Imagino que não deve ter sido fácil para vocês ouvir sobre acusações de assédio em um vídeo descontextualizado.
-Exato. A minha maior preocupação a princípio foi deixar Bailey com a consciência limpa de que aquilo não aconteceu, fazê-lo entender que ninguém sabe o que aconteceu antes, durante e depois daquele vídeo e que se eu tivesse me sentido incomodada com qualquer coisa que ele já me fez, nós teríamos conversado e estabelecido limites, independente disso estar gravado em uma camera e exposto na internet ou não.
-Quando eu soube, Joalin já tinha gravado seus stories e dado seu pronunciamento, mas a primeira coisa que eu perguntei foi se eu realmente tinha feito isso, se eu tinha a machucado e ultrapassado algum limite. Eu queria deixá-la confortável para ser sincera porque se eu tivesse errado, eu iria querer mudar e aprender em cima do erro, iria entender se ela quisesse se afastar de mim ou qualquer consequência r**m que um crime teria na minha vida. Quando eu entendi que estava tudo bem, o ponto mais pesado foi justamente a mágoa de saber que estava sendo acusado de um crime.
-Eu nunca deixaria um assédio passar como se não fosse nada, assim como nenhum dos nossos amigos faria isso. Todos naquela sala sabiam que estávamos brincando, todos eles nos conhecem de verdade e acho que o que é confortável e normal entre nós ou não, só diz respeito a nós dois.
-Você recebeu questionamentos no twitter sobre outras garotas que não ficariam confortáveis em sua situação, o que você tem a dizer sobre isso?
-São situações muito diferentes, estão tratando como assédio algo que não foi e que está fora do contexto. Não é como se ele tivesse feito algo que eu não me senti desconfortável e outra garota se sentiria, ele fez algo que sabia que eu não iria me sentir m*l e esse é o único ponto que deveria importar, que ele sabia disso. Se ele não soubesse, não teria o feito então o que posso dizer para as pessoas que me acusaram de passar pano ou que eu não "me incomodei com um assédio", é justamente isso, não foi assédio porque foi algo autorizado por mim e normal entre nós. Tudo tem dois lado e só pode ser considerado assédio o que a vitima não se sente bem e/ou não autoriza, no caso daquele vídeo, eu tenho a consciência tranquila nos dois aspectos então acho que é uma péssima escolha usar isso de exemplo para situações e meninas que tem suas liberdades feridas por alguém.
-É como se você precisasse gritar que isso é normal entre vocês e que é uma situação que você gosta, para que as pessoas acreditarem?
-Sim, como se eu precisasse escrever um livro sobre tudo que é normal entre nós dois e tatuar na minha testa que permito que Bailey brinque comigo desse jeito porque eu gosto, ainda assim ouvir que eu sou errada porque não deveria gostar, ou fingir que não o autorizo e que ele não me conhece o suficiente para saber disso. Acredito que isso também sirva de exemplo de como a sociedade não se importa verdadeiramente com a opinião feminina, estavam esperando uma polêmica e quando eu disse a verdade sobre o que aconteceu eu passei de possível vítima a vilã da história.
-Então, contextualizando melhor o vídeo, foi algo normal na amizade de vocês e há o costume de terem contato próximo e íntimo como no vídeo?- ela perguntou. Eu apenas assenti, sabendo que as palavras de Joalin seriam mais válidas que as minhas, era o espaço dela como possível vítima.
Eu sabia que se ela já era julgada por dizer a verdade, eu seria mais apedrejado se me defendesse do que se ficasse quieto e desse voz a única opinião importante naquela situação, também a única que parecia não ser ouvida, de maneira completamente hipócrita da sociedade que não se importa verdadeiramente com a mulher.
-Absolutamente. Me deixou muito triste ver pessoas que não nos conhecem tentando estabelecer limites e tomar decisões que pertencem a nós dois, como eu já disse, nós somos muito, muito próximos e tenho certeza que se as condições não fossem essas o vídeo nem existiria- ela respondeu a pergunta da jornalista.
-Nossa amizade tem um lado que não é muito exposto, porque não queremos criar uma necessidade sobre isso e como já presenciamos polêmicas e brigas no fandom com relação a ship e hate, não achamos legal ficar expondo, mas nós somos extremamente grudados- eu completei.
-É fácil de perceber no fundo de vídeos ou quando não sabemos que estamos sendo gravados. Foi assim que nossa amizade se criou, nós temos uma liberdade gigante um com o outro, gostamos de fazer brincadeiras e temos muita i********e então sim, essas brincadeiras são normais entre nós, talvez tenha assustado por ser uma das únicas vezes que esse lado ficou mais nítido nas câmeras. Nós realmente somos fãs de uma privacidade afetiva e mantemos grande parte da nossa amizade por trás das câmeras.
-Apesar de todos saberem da nossa proximidade, o que vai para a internet não é nem 10 por cento do nosso relacionamento- concluí.
-Então podemos ver que foi uma situação que causou um incômodo e não os deixou completamente confortável. O que vocês acham dos hates e o que poderiam dizer para as pessoas que estão criando polêmica no Twitter?
-Acredito que nessa nova geração do Twitter, não há espaço para crescer e aprender depois de um erro. Se fosse possível enviar uma pessoa para Marte depois que ela errou, isso seria feito, e se essa pessoa está com a razão uma vez, ela vai ser culpada do mesmo jeito porque já errou no passado e todos estão cegos pelo ódio- comecei.
-Absolutamente- a reporter me deu espaço para continuar.
-Sinto que os erros dos outros são muito apontados e ninguém quer olhar para sí então posso dizer que sei no que errei e tenho minha consciência limpa sobre o que não, eu verdadeiramente sinto muito e peço perdão para quem se sentiu afetado com meus erros, posso dizer que estou em um processo, tentando melhorar a cada dia e que apesar de tudo, entendo e respeito quem precisará de um tempo para perdoar, ou quem nunca conseguirá o fazer- falei.
-As pessoas deveriam ter mais responsabilidade afetiva na internet, mais maturidade e parar de criticar as coisas só sabendo um lado da história. Ver que internet não é terra sem lei e mesmo que fosse, o que se aponta nos outros é reflexo de seu próprio interior, de suas inseguranças. Ambos temos a consciência tranquila sobre a última polêmica, assim como estamos aprendendo com todos os nossos erros. Queremos e estamos trabalhando para nos tornar pessoas melhores e acho que as pessoas que apenas julgam deveriam deixar essa superioridade de lado e começar a trabalhar em seus próprios erros, que deveriam importar mais do que os dos outros.
-Esse é o recado para a galera que está passando dos limites?
-Sim. Que eles saibam que não matamos, não roubamos e não cometemos algum crime, que as situações deveriam ser avaliadas de uma forma melhor e que não tirem a credibilidade do assédio para jogá-la sobre um caso criado em cima de muita especulação e da imaginação dos fãs. Nós absolutamente amamos nossos fãs mas uma coisa precisa ser clara, não damos liberdade a ninguém para se meter em nossa amizade, no que é permitido ou no que é "p********o" demais- disse séria.
-Sua fala foi muito importante- a mulher concordou com Joalin- Acredito que sintam a necessidade de esclarecer que não são mais crianças e que apenas estão agindo de acordo com a idade que tem.
-Exato, não estamos cruzando alguma linha sobre o permitido ou não, até porque moldamos nossa própria linha. Acho que esses rumores partiram de certa imaturidade e por parte de crianças que ainda não vivenciaram a nossa faixa etária e que podem enxergar as coisas com lentes de aumento, algo normal pode virar uma bola de neve, pode ser inaceitável e um absurdo apenas por fugir do permitido ou normal para uma idade menor- eu desabafei.
-Como vocês acham que isso tudo, desde a convivência na quarentena até serem envolvidos em uma acusação de assédio, influenciou na amizade de vocês?
-Acredito que de forma muito boa- comecei- Crescemos nas dificuldades e nos tornamos mais próximos e parceiros tendo um contato exclusivo nosso, fora do grupo. Nos tornamos mais íntimos do que um dia eu achei que fosse possível e conseguimos entender nossas particularidades. O que funciona ou não conosco está muito claro agora.
-Podem nos dar um exemplo?
-Uhm, acho que nossa amizade com Sabina pode ser uma boa forma de diferenciar as coisas- ela começou- Eu sinto que minha conexão com ela teve seu ponto inicial nas coisas em comum, no México, no espanhol e toda a conexão que um país pode trazer, como uma cultura parecida pode aproximar pessoas quando se está em um lugar com gente de todo canto. Acredito que esse seja o principal motivo pelo qual no início essa conexão entre nós duas e até em Any, por ser latina, era tão evidente, sinto que toda a competitividade que disputar a vaga do México foi por água abaixo quando nós duas fomos escolhidas, que todo motivo de uma possível briga virou justamente o que mais nos uniu. É claro que essas barreiras culturais ficaram para trás a muito tempo e não representam tanto quando se aprende a conviver com pessoas de vários países, mas quero dizer que foi nossa primeira conexão, nossa porta de entrada.
-Ao mesmo tempo, eu sempre senti um carinho de irmão pela Sabi. Algo meio inexplicável, por algum tempo eu meio que me culpei e tentei entender porque não sentia o mesmo por Joalin. Agora é tudo tão claro, nós três somos extremamente conectados entre si, mais de formas muito diferentes, o que talvez nos faça ainda mais amigos. Com Joalin é algo insano, fora do controle, cada dia surge um sentimento novo, seja vontade de proteger ou simplesmente de não largar nunca mais, talvez até por isso que passamos 24 horas por dia grudados sem enjoar um do outro.
-Preciso ousar perguntar se tem algo além da amizade, vocês parecem ter uma conexão de outras vidas e soam um pouco apaixonados- ela sorriu sem graça e nós dois repetimos a mesma expressão, envergonhados. Senti minhas bochechas queimarem antes de voltar a falar:
-É algo único e especial, que nunca presenciamos, sentimos, com outras pessoas e talvez nunca iremos. Mas sim, é só uma amizade, uma amizade muito particular, próxima e exclusiva, mas ainda assim não passa de uma amizade.
-Talvez seja a certeza de saber que estamos conectados de uma forma diferente que um casal. Nós sabemos que somos o porto seguro um do outro, me arrisco a dizer que sabemos que somos a alma gêmea ou o amor da vida um do outro, só que em nosso próprio formato, no caso em uma amizade, em um relacionamento extremamente estável e que ambos sabemos que vamos levar para a vida toda.
-É tão nítido o amor, a segurança e os limites que vocês tem. Tenho certeza que essa entrevista está sendo muito esclarecedora para todos os fãs que ficaram confusos com a polêmica, dá para sentir de longe que vocês exalam amor e cumplicidade, um sentimento raro e que nos deixa, como fãs, muito felizes e satisfeitos de saber que encontraram isso tão jovens e de maneira tão cúmplice, temos certeza que a parceria de vocês vai muito longe e nossa última pergunta é se o convívio durante a quarentena trouxe algum plano para vocês dois, como uma dupla.
-Sim, nós estamos prestes a realizar um grande sonho- eu sorri e encarei Joalin, deixando que ela contasse.
-Vocês devem saber que eu absolutamente amo Londres e já falei muitas vezes de passar uma temporada na Inglaterra, assim como vinha falando de me mudar da casa dos meus pais e viver por um tempo em Helsinque, conquistar minha independencia e facilitar meu trabalho.
-Eu também vinha pensando em sair da casa dos meus pais próximo ao meu aniversário de 18 anos mas acredito que ainda não conquistei essa maturidade e segurança de Joalin, porém meu desejo de morar em meu próprio apartamento em Londres e começar a guiar minha própria vida também começou a sobresaltar.
-Por isso decidimos que vamos morar juntos por um tempo. Nosso apartamento já está sendo fechado e vamos nos mudar muito em breve, antes da volta das atividades do grupo. Estamos tentando e dando os primeiros passos nas nossas vidas de adulto e vamos fazer o possível para conciliar os boot camps em Los Angeles, a vida em Tour, nossa casa em Londres e as casas de nossos pais, na Finlândia, aqui em Norwich e também com o México.
-Uau, essa é uma novidade gigante e extremamente empolgante, ficamos muito felizes de terem compartilhado ela conosco, em primeira mão, e é claro, desejamos muito sucesso para vocês nessa nova jornada. Agradecemos muito por essa entrevista, foi muito esclarecedor e é muito bom conversar com vocês!