Bailey
Eram quase 2 da manhã, meus pais foram dormir assim que avisei que Joalin já estava no trem. Maya assistiu minha ansiedade por um tempo e até disse que iria comigo até a estação, mas acabou dormindo não muito tempo depois. Depois que eu levei ela para o quarto parece que meu nervoso aumentou em mil vezes.
Os motivos do afastamento de Joalin não são mais um segredo e acho que agora todos podem entender porque eu fiquei tão preocupado depois que ela voltou para o México, era mais que saudade, era medo, tensão, insegurança.
É óbvio que nesses 5 meses sem vê-la eu sentia uma falta absurda. Nós nos tornamos amigos logo no início do grupo e isso nunca virou rotina, acho que nossa amizade estava em um dos momentos mais próximos desde que nos encontramos em Paris para a tour do Youtube, talvez por tudo que já vinha acontecendo em sua vida.
Eu nem pensei duas vezes, não tinha outra opção além de abrigar ela em minha casa pelo tempo que fosse preciso. Eu faria isso por qualquer amigo, ainda mais Joalin, nossa amizade era claramente especial. Meu pai viu o que ela falou no i********: e me deu um ultimato, ela viria para cá (não que eu pensasse diferente, eu concordava completamente com ele), a família May amava Joalin.
Quando ela me ligou, quase 3 da manhã, meu coração saltou para fora do peito. Eu nunca poderia esperar que nosso encontro seria em uma situação tão complicada, de qualquer forma estava feliz em revê-la e poder acolhê-la em minha casa.
Máscara, chave e documento, estava com saudade de dirigir. Não imaginava que fosse tirar minha carteira em um momento onde não posso sair de casa, na verdade nunca imaginei passar pelo que estamos vivendo agora.
Minhas mãos começaram a suar assim que eu parei o carro bem de frente a estação vazia. Joalin estava sentada no banco mais próximo do guichê de passagens, provavelmente com um pouco de medo, a cidade parecia abandonada na madrugada escura. Um senhor estava sentado no banco ao lado e eu podia notar uma movimentação por trás do balcão, tudo devidamente silencioso.
Eu desci do carro tentando respirar fundo por entre o tecido que tapava meu nariz. A loira levantou e mesmo com a máscara pude enxergar um sorriso em seu rosto, os olhos estavam menores e levemente puxados para cima, e eu juro que precisei segurar minhas lágrimas, eu não sabia que sentia tanta sua falta até vê-la bem na minha frente. Eu caminhei até a estação e abri a porta de vidro, não sei se eu fui em sua direção, se ela veio na minha ou se nós dois fizemos isso, sei que o impulso foi suficiente para que ela enrolasse suas pernas em minha cintura e que a gente se abraçasse com toda força do mundo.
-Eu senti tanto a sua falta- falei, ainda tentando controlar as lágrimas nos meus olhos.
-Eu também, 5 meses. Eu fiquei com tanto medo, achei que ia ter que viver no aeroporto e que ia acabar morrendo, eu precisava ir para Finlândia, eu tinha que sair do México, você sabe que eu tinha. Eu, eu nunca senti tanto medo, obrigada por me amparar- ela se embolou nas palavras, falando tudo de uma vez.
-Calma, está tudo bem- finalmente a coloquei no chão- Você está segura agora, vamos para casa? Você deve está cansada.
-Estou morta, mais de 24 horas de viagem
-Então vamos que você vai ser a primeira do Now United a conhecer minha casa
-Me sinto honrada- ela pegou algumas de suas malas, enquanto eu puxei as outras.
-Ia te perguntar se você tá levando a casa inteira mas lembrei que você está se mudando então sim- ela riu alto e eu sabia que era de alivio, de segurança.
Nós saímos da estação e acomodamos as bagagens no porta malas do carro. Ela pegou a camera e o celular dentro da mochila e a jogou no banco de trás, antes de sentar no banco de carona.
-Você tá com fome?
-Um pouco- admitiu
-Minha mãe pediu para a gente tirar os sapatos e ir direto tomar banho, eles já estão dormindo. Você pode tomar no meu quarto e eu uso o chuveiro de Maya- disse e ela assentiu- Preparo alguma coisa para a gente comer depois do banho. Não repare que a dona Vanessa tá morrendo de preocupação com o corona, ela pediu para deixar suas malas no carro para limpar amanhã.
-Por mim está ótimo, levo só minha mochila que não foi despachada.
-Tem toalha limpa no banheiro e eu te arrumo uma roupa se você não tiver aí
-Por favor- disse concordando
-Conseguiu falar com sua mãe?
-Sim, ela ficou desesperada. Eu não tenho como voltar para o México e não tenho como ir para a Finlândia, quando liguei para ela de dentro do trem ela disse que estava fazendo as malas para vir para Londres e não me deixar sozinha. Ela pediu para eu te agradecer.
-Não há de quê
-Preciso finalizar meu vlog, ok?- eu assenti sem tirar os olhos da estrada.
Joalin começou a falar com a câmera, o que já era normal para mim. Ela contou sua trajetória desde o aeroporto até meu carro e que agora estávamos indo para minha casa, finalizou o vídeo dizendo que tudo deu certo e em seguida fez o mesmo no i********:. Era lindo a forma como ela se preocupava e se importava com nossos fãs.
Enquanto ela os respondia, as ruas vazias se passavam e não demorou para que eu finalmente estacionasse o carro na frente de casa. Descemos do veículo e Joalin pegou sua mochila, tiramos os sapatos deixando logo na entrada e eu finalmente abri a porta.
-Amanhã te mostro melhor a casa, ok?- sussurrei e ela assentiu como confirmação. Em silêncio, subimos as escadas e fomos até meu quarto.
-O banheiro é ali, vou tomar um banho e quando você sair pode pegar uma roupa no meu closet. Vou descer para fazer um lanche.
-Bay, obrigada mais uma vez- ela disse antes de entrar no banheiro e com um sorriso no rosto eu caminhei até o corredor.