CAPÍTULO 07 — JOHN & AMÉLIA

1805 Palavras

Nunca fui um homem de paixões imediatas. A vida moldou-me com aço e silêncio. Aprendi cedo que se permitir sentir é, muitas vezes, uma sentença de vulnerabilidade. Talvez por isso, aquela noite no iate dos Nichols tenha-me atingido como uma tempestade inesperada. Uma brisa leve que virou furacão. Desde então, não consigo parar de pensar nela. Amélia Andrews. Ela surgiu diante de mim como uma calmaria em meio ao caos. Havia algo nos olhos dela — azuis como um céu de inverno — que me atravessou. Não foi o vestido que usava, tampouco o jeito tímido com que segurava a taça ou o cabelo solto em ondas delicadas. Foi o silêncio que havia nela. O tipo de silêncio que grita. Que clama por ser ouvido sem dizer uma única palavra. Desde aquele momento, não fui mais o mesmo. E, francamente, não tent

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