NADINE:
-Quantas vezes, eu vou ter que te dizer que eu não quero você nas minas, Nadine? Que inferno! - O meu pai disse bravo, enquanto eu insistia para ir com ele até o garimpo.
- Pai, me deixa trabalhar por favor? Eu não estou te pedindo nada além, eu só quero trabalhar lá! - Insisti novamente.
- Aquele não é o seu lugar! Eu não tive filha pra trabalhar nas minas! Se você fosse um garoto, aí sim iria! Mas você é menina! Você tem tudo o que quiser, por que não faz como a sua irmã e vai aproveitar a riqueza que tem? - Papai perguntou ainda estressado.
- Eu sou diferente! Eu não me sinto atraída por futilidades como a Noemí, por que o Senhor não entende isso? Me deixa ser a chefe daqueles garimpeiros então? Eu vou saber direitinho como comandar o negócio! Eles já me conhecem, gostam de mim! - Pedi.
Por mais que o papai negasse, aquilo era a minha paixão, e eu não iria desistir mesmo com toda a raiva dele, mesmo negando quase sempre, e ignorando os meus argumentos.
-Você? Chefe do garimpo? - Ele gargalhou. - Você é apenas uma garota, você tem 17 anos! - Ele disse desacreditado do meu potencial.
- Eu ainda vou calar a sua boca, papai! Eu não sou o seu tão sonhado filho Nathan, mas eu sou capaz sim, e não me troco por homem nenhum! E outra, eu não vou fazer como a Noemí, que não sabe nem matemática básica, e vai fazer engenharia civil pra te agradar! - Falei olhando nos olhos dele, e saí.
- Onde você vai? - Ele perguntou.
- Academia! Aonde mais eu poderia ir? Queria trabalhar, mas nem isso eu posso fazer! - Respondi muito chateada.
- É dinheiro que você quer? - Ele perguntou.
Revirei os olhos, não respondi e quando cheguei na porta,ele continuou.
- Vamos, já estou atrasado! E vou precisar de ajuda hoje. - Ele disse com um sorrisinho de canto de boca.
Corri, o abracei, e subi as escadas rápido para trocar de roupa, calçar as minhas botas e pegar o meu equipamento de segurança, para então irmos para o meu lugar preferido, explorar as mais lindas pedras preciosas.
Não era sempre que meu pai cedia, mas ele gostando ou não, cedendo ou não, eu seria a resistência naquela família! Abrir mão do meu sonho? Jamais!
- Você ama tanto isso, fico até emocionado, parece até com o seu pai quando estava... - O papai disse isso me vendo lapidando algumas pedras, já que desci na mina mas por pouco tempo. Ele ficou um pouco estranho, e eu não entendi.
- O meu pai quando estava o quê? O meu pai é você! Você está aqui, não está? Que conversa torta! - Falei um pouco confusa.
- É a velhice chegando. - Ele riu sem graça.
- Que velhice nada! Um homem de 40 anos falando de velhice? O Senhor é muito jovem, ainda! - Falei, e o lapidador concordou comigo.
Ele saiu, e lá ficamos até o início da noite. Voltamos para casa muito cansados, mas eu totalmente grata por cada novo dia de aprendizado.
Quando entramos em casa, os meus pais começaram a discutir porquê a minha mãe não gostou que papai tivesse me levado para a mina, e eu até tentei falar para ela que foi eu que quis ir, que pedi muito, mas fui silenciada, mandada ir para o meu quarto, e assim fiz, enquanto os dois brigavam por minha causa.
Quando os ânimos finalmente se acalmaram e eu já havia tomado o meu banho e trocado de roupas, Darío chegou em minha casa sem avisar, pedindo para conversarmos.
-Oi, meu amor. - Falei com carinho, e ele estava sério.
Fomos para a área de lazer conversar mais á vontade, e nos sentamos no sofá.
-O que houve, que carinha é essa? - Perguntei acariciando o seu rosto.
- Você sumiu o dia inteiro, e não me avisou onde estava! Eu te liguei, mandei mensagens, e não tive retorno algum! - Ele disse chateado.
-Meu bem, eu estava na mina com o papai! Lá não tem área para celular. - Expliquei.
- Custava avisar? Às vezes eu acho que vivo um relacionamento sozinho, sabia? Você faz o que bem quer, vai pra onde quer, não me avisa sobre nada, não me fala nada, você acha que isso está correto? - Me questionou.
- Darío, você sabe muito bem que quando eu não estou com você, estou na escola, ou nas minas com o meu pai! Eu acho que não há necessidade de tantas satisfações, você não confia em mim, é isso? - Perguntei.
Relacionamento para mim, sempre foi algo tão simples, e o meu com Darío sempre baseei em confiança e amor. Nunca fiscalizei o celular dele, nem o monitorava, mas parecia que ele não estava acostumado a ter uma relação saudável.
- Não é isso. Mas eu me sinto sozinho mesmo tendo namorada! Nós dois passamos o dia inteiro sem nos comunicarmos, você chega em casa e ainda assim , não me manda uma mensagem, não liga para saber como foi o meu dia, é como se você não fizesse questão da minha presença! Me sinto ignorado! - Ele disse.
- Eu cheguei cansada, mas eu ia sim falar com você depois que jantasse. - Falei.
- Depois que jantasse? Vendo? Eu nunca sou uma prioridade para você! Quem está ficando cansado disso tudo, sou eu! - Darío disse irritado, triste, querendo ir embora.
- Você sempre soube que esse é o meu jeito, que eu sou mesmo um pouco desligada, mas isso não quer dizer que eu não te ame, não te valorize, ou não te queira por perto. Nós dois temos que ter a nossa própria individualidade, não nascemos grudados um no outro! Por favor Darío, não faz isso! Fica aqui comigo, vamos jantar juntos,amanhã a tarde não irei para a mina, e podemos passar a tarde juntinhos. - Tentei conversar.
- Eu vou embora. Não serei uma boa companhia hoje, sinto muito. Boa Noite, Nadine! - Ele disse apenas isso, e foi embora.
Nada do que eu dissesse, o faria mudar de opinião naquele momento. Depois daquilo, eu não sabia ao certo o que seria do nosso namoro. Perdi o apetite completamente, fiquei totalmente sem clima,não quis mais conversar com ninguém, e fui para o meu quarto tentar dormir.
NOEMÍ :
Fui chamada para fazer uma presença VIP na inauguração de um hotel de luxo, e aquela foi a ascenção da minha carreira de influenciadora digital. Estar em um evento tão importante com a alta sociedade, agregou em muitas coisas na minha trajetória, sem contar o cachê gordo que recebi para registrar os melhores momentos daquele evento incrível, e postar em minhas redes sociais para os meus seguidores e seguidoras.
Sendo assim, depois que fiz todo o meu trabalho,e já estava livre apenas para aproveitar um pouco do momento, tive o prazer de encontrar com a minha amiga Savannah e prazer maior ainda, em especial pelo pai gato dela que também estava lá.
- Deixa eu te apresentar a minha mãe! Que coisa, não? Já somos amigas a tanto tempo, e você só está conhecendo os meus pais agora,eles sempre viajaram muito á trabalho, mas agora já estão desacelerando. - Ela comentava enquanto íamos até a mesa em que seus pais estavam.
A mãe de Savannah, era uma Senhora um pouco mais velha que o pai dela, porém não deixava de ser uma bela mulher.
Fiquei olhando disfarçadamente para Salomão, o pai de Savannah, e ele não me retribuía, acho que nem percebeu o meu interesse assim de cara.
Fiquei o observando de longe durante a noite toda, e quando ele foi em direção ao banheiro, eu o segui e fiquei o esperando do lado de fora, para fingir que nos esbarramos casualmente, e assim eu fiz.
-Ai, desculpa! Que despercebida, eu! - Falei fingindo naturalidade.
- Não precisa se desculpar, moça. Essas coisas acontecem. - Ele sorriu.
Fiquei olhando dentro dos olhos dele sem dizer nada,para sondar o território antes de entrar em ação. Talvez, ele fosse algum homem super moralista e fiel á esposa, capaz de sujar o meu filme com a minha melhor amiga.
- O que você quer?Pensa que eu não percebi você me olhando a noite toda? Se eu fosse você, não me meteria comigo. Eu posso ser muito perigoso! - Ele disse ao meu ouvido, me fazendo arrepiar por completo.
- Ai, que medinho! - Eu disse sentindo o cheiro másculo, de perfume forte e amadeirado, que aquele homem maravilhoso estava usando.
- Não me provoca. Você tem idade para ser minha filha, e ainda por cima é amiga da Savannah! Eu não seria tão s*******o a este ponto! - Ele disse com aquele olhar provocante que estava me deixando louca.
- Você me quer! Se não quisesse, não estaria perdendo tempo aqui comigo. - Falei me aproximando novamente.
- A minha esposa está lá fora,e eu não posso me arriscar. - Salomão disse olhando para os lados.
- Me encontra amanhã, quando eu sair da faculdade! - Sugeri.
- Como? A minha filha também irá estudar lá, não posso ser visto! - Exclamou.
- Me pega às 11 na rua sem saída, que fica á dois quarteirões da faculdade então! O movimento é menor, e ninguém irá suspeitar. - Sorri.
Salomão deu um beijo no canto da minha boca, e saiu. O observei, e provavelmente a esposa dele desconfiou de tamanha demora dele no banheiro, já que ela não parava de falar coisas ao ouvido dele.
Fiquei toda feliz até o fim do evento, e fui embora justamente com Savannah,Salomão e sua mãe de carona, pois já estava tarde e eles insistiram para me levar.
No dia seguinte, acordei super cedo. Além de ser o meu primeiro dia na faculdade, eu iria encontrar com o homem que não saiu dos meus pensamentos desde que o conheci.
Papai estava muito feliz, todo orgulhoso jurando que eu era caloura de engenharia civil, quando na verdade eu iria estrear no mundo da moda! O primeiro dia de aula foi sensacional, conheci muita gente bacana e cheia de estilo assim como eu.
Uma pena, que a Savannah era da turma de medicina veterinária, e eu fiquei com muito medo de que isso nos afastasse, ou acabasse esfriando a nossa amizade, pois ela era como uma irmã, até mais que a Nadine comigo, então definitivamente, era alguém que eu não gostaria de perder nunca.
Na saída da faculdade e no horário indicado, Salomão estava me esperando como combinamos.
Fomos para um motel, e apesar de ser um local carregado por energias pesadas, ele foi um verdadeiro Lord comigo. Não fizemos sexo, nem teve mão boba, nem nada do tipo.
Conversamos um pouco, e nos beijamos.
Quando os meus lábios tocaram os lábios de Salomão, eu soube que era aquele o homem que eu queria para a minha vida. Ele era totalmente diferente de tudo que eu já havia conhecido.
Maduro, respeitoso, cordial, educado, um homem de verdade! Defeito? Ser casado, e pai da minha melhor amiga! E agora?