Marcamos de sair antes de viajar. Não pensava que aquele beijo poderia mudar tudo ou até mesmo o que sentia por ele. Não que eu tivesse me apaixonado por ele, mas tinha sentido algo que eu não sentia antes.
E esperava que isso não me atrapalhasse na minha decisão. Afinal, ela poderia mudar tudo.
Faltava menos de uma semana para a viajem e estava nervosa, andava sempre comendo de mais, era isso que me deixava mais calma. Levava todos os dias meu irmão para a escola, seria a última semana que veria ele assim, então estava aproveitando. Ele era uma criança incrível e eu iria morrer de saudade deles três.
[...]
- Você está linda. - Miguel falava beijando minha mão. Eu não estava tão arrumando assim, vestia um vestidinho preto com flores e meu coturno.
- Obrigada. Você não está nada m*l. - Ele abre a porta da sua caminhonete velha e adentro o mesmo.
- Como foi seu dia? - Ele diz colocando seu cinto de segurança.
- Peguei meu visto hoje.
- Está cada vez mais perto.
- Sim.
- Por que está com essa cara?
- Que cara?
- Não está querendo desistir? ou está?
- Claro que não. Só estou pensativa em algumas coisas.
- Por exemplo?
Tento mudar de assunto.
- Por exemplo, em saber onde irá me levar agora. - Ele sorri
- Surpresa Sally.
Arqueio a sombrancelha.
- Eu odeio surpresas.
- Mas essa não. - ele dá uma piscadela.
...
O lugar que paramos era bastante iluminado e bonito. Era um resort rústico. Eu admito que gostava de coisas assim.
- O que achou do lugar? - Perguntou saindo do carro.
- Como sabia dos meus gostos?
- Simples, eu não sabia, só achei que fazia seu tipo - Olho suspeita. Não sabia se falava a verdade. Mas tinha gostado da surpresa.
- Eu achei o lugar incrível. - O agarro de lado e fomos caminhando para o interior do resort.
Miguel já havia feito nossas reservas e fomos em direção ao quarto. Estava com borboletas no estômago, nunca havia saindo a sós com um garoto. Ainda mais para um lugar longe da civilização.
- Tá pensando em que? - ele me desperta dos meus pensamentos.
- Em nada. Só estou impressionada com o lugar.
- Eu to feliz que você gostou. Eu pedi ajuda a sua mãe.
O olho arregalando meus olhos o maior possível.
- Eu não acredito! Então ela tem dedo nisso?
- Supostamente.
Meu deus
Minha mãe realmente fazia de tudo para que algo aconteça como ela queria. Mas como ela sabia que ele iria me levar para um lugar tão deserto assim? E se ele fosse me matar? ou sei lá... fazer coisas mais piores?
- Por que você tá com essa cara? tá brava com ela?
- Não, só não esperava isso. - tento mudar meu rosto abrindo um sorriso de leve.
O corredor era longo, havia um tapete enorme no chão da cor vermelha e várias portas. A nossa era o 639. O local era bastante iluminado. Miguel finalmente achou nosso quarto e abriu a porta e expôs o quarto que continha uma cama de casal, um armário ao lado da cama, e uma mesa de centro, era pequeno mas bastante aconchegante.
Estava um pouco sem graça pela situação. Era novo aquilo pra mim. Parecia que a qualquer momento iria cair igual uma gelatina no chão.
- É bastante aconchegante. - digo me sentando na cama.
- Concordo.
Alguém bateu na porta e Miguel foi até lá abrindo a mesma, era um empregado com uma bandeja que continha uma champanhe com duas taças e uma tigela com morangos frescos.
Ele me entregou as duas taças para segurar enquanto abria o champanhe e assim o fez deixando cair no chão com a a******a. Rimos.
Ele colocou um pouco nas duas taças e brindamos.
- Acho que não te verei tão cedo. - ele fala se sentando ao meu lado.
- Por quê não? é como se eu estivesse morrendo Miguel. - rio.
- Você sabe, eu sempre gostei de você e agora que parece que estamos próximos você está indo para outro país, não é como se fosse bem ali na esquina.
- Desde quando? Na lanchonete a gente era meio distante um do outro. - digo bebendo um pouco.
- Em segredo, tive medo de me aproximar, você me parecia muito grossa, como se a qualquer momento você fosse me mandar pra p**a que pariu - eu ri com o que ele disse - Mas nesses últimos meses logo agora que tive coragem você vai embora, eu tô me sentindo um i****a por ter demorado tanto tempo.
- Você sabe que a culpa disso tudo é sua não é?
- É eu sei. - Ele ri. - Eu me sinto bem pior agora. - diz com sarcasmo.
- Não, me desculpa. - me aproximo segurando suas mãos. - Saiba que eu vou ser grata pra sempre por isso. Se não fosse por você eu nunca arriscaria tanto.
Ele coloca nossas taças em cima da mesa e me encara.
- Eu não vou deixar um dia sequer de sonhar com você. - sinto minha cara esquentar e viro o rosto envergonhada. - Por favor me deixa te apreciar. Você é a garota mais bonita de nova orleans. - ele vira meu rosto com delicadeza. - Eu quero fazer você se sentir como se fosse a mulher mais especial do mundo.
- Miguel...por favor, eu não quero que se sinta culpado. Por quê....
- Por quê?
Eu estava bamba. Não sabia como se respirava. E se ele me pedisse para andar por 1km eu cairia mole no chão fácil, fácil.
- Por quê eu gosto de você.
Estava parecendo uma adolescente boba e apaixonada. Na verdade acho que nunca tinha me sentindo assim antes.
- É... é...bom - gaguejava igual uma mula, quando tudo isso acabasse eu iria afundar minha cabeça no travesseiro até nunca mais ver a luz solar.
- Shiu! Não precisa dizer nada. - ele coloca o dedo nos meus lábios.
Ele se aproxima lentamente e vai chegando seu rosto mais perto do meu me fazendo sentir a sua respiração. E o quanto mais perto ele chegava mais alto dava pra escutar os batidos cardíacos do peito. Ele colocou meus cabelos para o lado e começou a beijar meu pescoço me fazendo suspirar.
A cada momento ficava mais emocionante e exitante. Era uma experiência e tanto. E aquela tinha sido a minha primeira noite de muitas? Ele iria fazer falta. Ah como ia.
Ele tinha me deixado como uma adolescente apaixonada. E isso não era nada bom.
[...]
Era hoje.
Hoje era o dia que iria deixar minha família para trás. Mas estava feliz pelo que vinha pela frente. Eu tinha prometido que não ia deixar que nada me abalasse apesar de tudo.
Miguel tinha vindo junto com Samanta me acompanhar. Ficamos os minutos sobrando apenas fazendo carinho um no outro até chegar o horário. Custei a me despedir e pedi para que ele cuidasse muito bem da minha mãe e do meu irmão.
- Eu não vou deixar que nada falte para eles. Eu prometo.
- Eu irei depositar o dinheiro assim que puder.
- Sem problemas meu amor. - ele me dá um último beijo.
- Vamos Sally já está na hora. - Samantha aparece me chamando.
Dou um aceno e saio carregando minhas malas.
Seriam 13 horas de viagem, super exaustiva, mas sem dúvida a melhor aventura da minha vida inteira.
Isso seria um até logo Nova Orleans.