05 Elay

1126 Palavras
E mesmo depois de semanas, eu continuava indo lá. Era estranho, era como se eu fosse atraído, meu corpo ia sozinho sem precisar de nenhum comando. Ela não era como as outras mulheres daquele lugar, não estava lá para se prostituir, então não tinha a menor lógica eu tentar me aproximar. Em uma das noites em que fui até aquele lugar que eu tanto odiava mas que agora passou a ser meu lugar favorito, eu fui até lá e me sentei em uma das cadeiras da plateia como todo mundo, na intenção de vê-la uma outra vez. Então como das outras vezes, as luzes se apagaram e apontaram unicamente para a porta que dava na passarela. Naquela passarela como todos os dias a Ruby surgiu emergida da luz que apontava diretamente para ela como se fosse a estrela dali, e realmente era. Usava um vestido vermelho, como um rubi polido, envolvido em seu corpo, realçando cada traço seu. O decote profundo em V destacava os s***s dela e deixava as laterais do corpo nua, o que me incomodava um pouco, era muita exposição tão apelativa na frente de tantos homens. O olhar dela mirava em alguns daqueles homens e ela sorria com os lábios vermelhos, sorria largo e educada, como se estivesse gostando disso. Mas eu via em seus olhos, eu a enxergava, e sabia que ela não estava gostando nem um pouco. Os saltos e acessórios que ela usava, todos na cor prateada, destacando bem na luz que a iluminava mais do que a própria luz que ela tinha naturalmente. Cada detalhe dela, cada centímetro de Ruby se resumia em perfeição. Aquela noite sim, ela estava realmente desfilando, o que até me fez estranhar um pouco e me deixou desconfiado. A Ruth não dá ponto sem nó. — Atenção, rapazes. — Ruth começou a falar em um microfone quando a Ruby parou no final da passarela e ela ficou lá, em pé parada ao lado da Ruth. A Ruby continuava mantendo o sorriso, discreta e angelical. Sempre mantinha a simpatia, independente da situação. — Como meu Rubi, meu bem mais precioso fez 18 anos há alguns dias… — Me segurei para não revirar os olhos com o apelido i****a. — Uau, parabéns, gostosa! — Um daqueles homens desequilibrados gritou no meio da fala da Ruth. Vi que a Ruby fingiu um sorriso e de longe notei ela enxugar uma lágrima, ou pelo desconforto, ou talvez por estar percebendo que algo ali não estava certo. Mas independente do que a Ruth fosse fazer, eu não ia deixar. Jamais deixaria a Ruby passar por uma situação que não queria enquanto eu posso fazer alguma coisa por ela, agora que sei os motivos dela, que sei que não está aqui por gostar. — E com as propostas altas que venho recebendo nos últimos anos, resolvi fazer um leilão. — Ruth não fazia contato visual com a Ruby, apenas ficava lá, com aquele sorriso dela que me dá nos nervos. — Quem pagar mais, ganha uma noite com esse Rubi. Ruth acertou um tapa na b***a da Ruby como se fosse engraçado e os homens começaram a rir como se fosse mesmo engraçado, enquanto a Ruby horrorizada estava encarando a Ruth e eu cerrava os punhos tentando me manter tranquilo. De longe dava para notar que ela estava desconfortável, dava para perceber que estava reclamando com a Ruth e que não gostava nem um pouco do que estava acontecendo, mas nenhum daqueles homens pareciam se importar, só se importavam com os próprios desejos. — E vale pontuar… — A Ruth continuou. — Que a Rubi nunca teve um homem antes, 100% virgem. Me endireitei na cadeira e suspirei fundo, não sei se sentia raiva ou vergonha alheia daquilo. Não era possível, será que todos acham isso normal? Será que para todos isso é algo completamente comum de se presenciar ao ponto de não precisar fazer nada? Eu vi a Ruby falar algo para a Ruth e vi as expressões dela se transformarem em desprezo e choque. Então a Ruby para disfarçar enquanto a Ruth estava assimilando algo que ela falou, Ruby olhou para a plateia com um sorriso forçado e instantaneamente o rosto dela se transformou em espanto, ela ficou branca e agora a cara de choro ficou muito mais evidente. Ela então se move para sair dali, mas a Ruth grita fora do microfone falando alguma coisa e os seguranças da boate tentam segurar a Ruby. Surpreendendo a todos, a Ruby empurra um segurança o fazendo se bater em outro segurança e os dois caírem e rolarem pelos batentes da passarela. Então ela correu para fora dali enquanto todos os homens ali ficaram intactos no lugar sem esforçar nenhuma reação por causa da surpresa. A Ruth então furiosa pisando fundo caminhou até aquela espécie de quarto que ela foi me entregar o dinheiro do meu pai naquela vez. Não entrava na minha cabeça, o que realmente estava acontecendo aqui? Levantei da cadeira e caminhei atrás da Ruth, enquanto as outras garotas surgiram ali no meio e distraiam os homens que estavam lá, como se fosse os comerciais de um programa de televisão. Quando cheguei até o quarto onde ela se encontrava, a Ruth estava colocando uma dose de Whisky em um copo de vidro e o despejando na boca. Pigarreei quando entrei para ela se dar conta da minha presença e então ela me dirigiu o olhar. — Hum, o que está fazendo aqui? — Ela questionou. — Vim assistir aos desfiles. — Você nunca pisou aqui por vontade própria, o que quer aqui, garoto? — Ela questionou novamente me encarando desconfiada. Deslizei os dedos pela madeira dos móveis e tomei coragem, pensei e pensei. Precisava ajudar a Ruby, talvez me redimir por não ter ajudado ela naquela escola particular, talvez eu estivesse me sentindo culpado. Pare de se enganar, Elayja. Não é isso, e você sabe. — O leilão da Rubi ainda está de pé? — Questionei finalmente a encarando fixamente nos olhos, sem esboçar nenhuma emoção. — Está. — A Ruth respondeu com uma sobrancelha arqueada ainda desconfiada. — Ela foi lá fora resolver umas coisas mas daqui a pouco volta, o leilão está de pé sim, ela querendo ou não. — Hum, quanto quer por ela? — Questionei e ela me olhou surpresa. — Como é? — Está leiloando uma noite com ela, quero saber quanto quer por ela. Pode pedir qualquer preço, eu pago. — Falei ainda vendo a expressão de surpresa em seu semblante. Eu não ia obrigar a Ruby a nada, a intenção era comprar a noite que a Ruth estava a obrigando a vender, mas com o objetivo de impedir que ela fosse estuprada ou forçada a algo que não queria.
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