O silêncio na sala do hospital era feito de tensão e memórias antigas. Edmundo Ferraz estava com a pele pálida, a respiração fraca, mas os olhos atentos — e neles havia uma raiva contida, misturada ao cansaço de décadas. Ao lado dele, Helena apertava a mão do marido, mas seu rosto parecia congelado no tempo. Inácio, parado diante dos dois, sentia o peso do nome que carregava. Um nome agora envenenado, literalmente, pela mulher que o deu à luz. — Ela... me serviu chá, Inácio — disse Sr.Edmundo, com a voz quase um sussurro. — Como sempre fez... Eu nunca imaginei que a Solange fosse capaz... Inácio assentiu, os olhos marejados. Sentia a garganta fechar a cada palavra. — Ela fez isso com vocês... porque queria destruir a Lara. Queria se livrar dela. E usou o senhor e a vó como peças nesse t

