O silêncio da mansão Ferraz não era habitual. Os empregados evitavam até respirar alto. Na sala, o relógio antigo marcava seis e quarenta da manhã quando Inácio entrou, de terno, barba m*l feita e olhos inflamados por noites m*l dormidas. Grego vinha logo atrás, calado, com um envelope grosso nas mãos. Solange estava sentada à cabeceira da mesa do café, trajando um robe de seda vinho, fingindo ler o jornal. Ela ergueu os olhos como se fosse uma manhã comum. — Que milagre esse, meu filho... — ela começou, pousando a xícara com uma serenidade ensaiada. Inácio puxou a cadeira da ponta com força, sentando-se com um estalo de madeira. O pai sentou-se ao lado dele. Solange estreitou os olhos. — Acabou, mãe — ele disse. — Chega. Ela sorriu com deboche. — Chega do quê, querido? De fazer dram

