O hospital era frio demais para uma segunda-feira. Mesmo com a brisa quente de agosto entrando pelas frestas da janela, Inácio sentia o peso do silêncio apertando o peito. Ele encarava a porta do quarto 305 como se fosse um portal para o passado — um passado que sempre foi contado pela metade. Respirou fundo, apertou o punho e entrou. — Vovô… vovó… Sr. Edmundo ergueu os olhos com esforço, e S.r Helena, mais debilitada, apertou a mão trêmula sobre o peito. Estavam pálidos, fracos, mas vivos. E naquele momento, era o que mais importava. — Inácio… — Helena tentou sorrir, mas sua voz saía arranhada. — Meu menino… Ele se aproximou com cuidado, puxou uma cadeira e segurou a mão dela. — Eu preciso falar com vocês. Não posso mais engolir tudo isso. Edmundo franziu a testa. — É sobre Lara?

